Em São Paulo, árbitros parados reforçam comércio e atuam em hospital

Quem tem encarado uma rotina pesada é o árbitro Humberto José Junior, de 35 anos

por Agência Estado

São Paulo, SP, 17 - A paralisação do futebol causada pela pandemia do novo coronavírus levou alguns nomes da arbitragem paulista a se concentrarem nas carreiras longe dos estádios para compensar a falta de jogos. O Campeonato Estadual completa dois meses sem jogos e os cerca de 500 integrantes do quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF) têm buscado manter a rotina de treinos e compensar as perdas financeiras.

Quem tem encarado uma rotina pesada é o árbitro Humberto José Junior, de 35 anos. Ele trabalha no departamento de compras de um hospital em Valinhos. A alta demanda de pacientes e a necessidade de manter o estoque de suprimentos sempre em dia têm feito as jornadas de trabalho dele irem um pouco além do horário comum de expediente.

"Os profissionais que estão na linha de frente sempre nos cobram pela falta de máscaras e luvas. Eu tenho de correr atrás disso para ajudar o hospital a ficar abastecido", disse. O último jogo dele antes da pandemia foi o encontro entre São Bernardo e Monte Azul, pela Série A-2. Para se distrair, o árbitro se dedica a alguns treinos físicos e tem procurado passar mais tempo com o filho de sete anos.

O maior receio dele é que a pandemia possa prejudicar a evolução da carreira. "O Paulista para os árbitros é o momento de mais trabalho. Nós temos o anseio de mostrar serviço e conseguir crescer. Não ter jogos atrapalha um pouco nossas finanças. Por isso é preciso a gente ter mais planejamento", contou.

Humberto José Junior está trabalhando em um hospital em Valinhos
Humberto José Junior está trabalhando em um hospital em Valinhos
BOA AÇÃO!
Segundo a FPF, vários dos árbitros e assistentes presentes nas partidas do Estadual atuam em atividades consideradas essenciais nesta pandemia, como membros da Polícia Militar. Quem é da arbitragem paulista e está também no quadro da CBF recebeu socorro financeiro da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf). Os valores foram distribuídos de acordo com a categoria do árbitro.

A falta de verbas de jogos levou o assistente Risser Jarussi, de 41 anos, a ser criativo em seu empreendimento. Junto com a mulher, Samira, ele tem uma loja de moda feminina em Caieiras. Por não ser um serviço considerado essencial, foi preciso achar uma solução capaz de ao mesmo tempo compensar a paralisação do futebol e de ajudar o estabelecimento a se manter de pé.

"As taxas de arbitragem são um reforço na minhas finanças, mas agora conseguimos montar um serviço de delivery de roupas e de vendas por WhatsApp e Instagram. Vamos criar um site também. Assim como todo mundo, quem é árbitro também está precisando se reinventar nessa pandemia de alguma maneira", disse.