Copiar modelo do Bahia com dirigente remunerado é perigoso à Ponte Preta

O 'doutor' Google é um prestador de serviços e informações por excelência, e evita custo de locomoção

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Avisem ao presidente da Ponte Preta Sebastião Arcanjo, o Tioãozinho, que é totalmente dispensável suposta viagem a Salvador pra conversar com o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, a fim de se inteirar do funcionamento de um clube-empresa.

O 'doutor' Google é um prestador de serviços e informações por excelência, e evita custo de locomoção. Pra tirar mínimas dúvidas, basta um telefonema.

O Bahia passou por transformação após o conturbado ano de 2013, com baixa qualidade do elenco e manifestações da torcida, convergindo para o protesto 'Público Zero'. Assim, houve esvaziamento nos estádios e reflexo nas finanças do clube.

Ano seguinte, o processo de mudanças desencadeou a eleição direta do jornalista Marcelo Sant'Ana à presidência, que com aval do Conselho Deliberativo foi remunerado com salários de R$ 19 mil mensais. Foi o passo para adoção de clube-empresa.

Em 2017, a nova reforma estatutária já trouxe citação explícita de remuneração a presidente e vice, com exigência de dedicação exclusiva ao Bahia, conforme revela o jornalista Rodrigo Castro no Blog baiano Mgalhas (sem o i).

Portanto, uma crise sem precedentes transformou o estilo de gestão do Bahia, diferentemente da Ponte Preta, que sobrevive regida pelo seu estatuto social.

Portanto, é inoportuno se apressar discussão sobre modelo de gestão da Ponte Preta, até porque torcedores e conselheiros sempre tiveram participação ativa na vida do clube.

A semente até poderia ter sido lançada, mas o processo de germinação teria que necessariamente passar pelo aval de segmentos ligados ao clube, antes de discussão no Conselho Deliberativo.

GOELA ABAIXO

Não se deve colocar goela abaixo dos conselheiros projeto de transformação que requer reflexão, uma delas remuneração de presidente e vice-presidente, se de fato a pretensão for copiar o modelo do E.C. Bahia.

Tem-se que considerar que a Ponte Preta conta com ala de oposição que, contrariada, se manifesta.

O silêncio momentâneo não significa subserviência. Conhecidas lideranças estão de olho na carruagem, e de certo haverá resistência a suposta remuneração de dirigente de primeiro escalão, através de mudança estatutária.

E convencionando-se a hipótese de adoção do modelo clube-empresa através de aprovação do Conselho Deliberativo, certamente o clube continuará pacificado se o time der resposta favorável em campo.

CAMPANHAS

Difícil acreditar se haverá tolerância na hipótese de campanhas decepcionantes.

Portanto, a princípio entende-se como precipitada a decisão da mesa do Conselho Deliberativo da Ponte Preta ao colocar em pauta a discussão do projeto clube-empresa já na reunião do dia 25 de janeiro.

Ideal seria amadurecimento natural do projeto, com os devidos ajustes ao longo do mandato de Tiãozinho, para que a vigência possa ocorrer apenas após o processo sucessório dele.

Caso eventualmente o Congresso Nacional se apresse na votação do projeto clube-empresa, aí os clubes em geral terão que se adaptar.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos