Tuta, um ponteiro que duelou com o irmão Zé Maria

Tuta, um ponteiro que duelou com o irmão Zé Maria

por ARIOVALDO IZAC - -

No passado, eram comuns histórias de sucesso de irmãos no futebol, quer atuando na mesma equipe, quer como adversários. Incomum foi um ponteiro-esquerdo tendo que enfrentar um irmão lateral-direito, como seu marcador. Essa história dos Rodrigues é contada por quem viu em campo o duelo de João Margarido, o Tuta, atacante nos tempos de Ponte Preta na década de 70, contra Zé Maria, lateral do Corinthians.


SUPER ZÉ

E o 'super Zé' não amaciava pra evitar lesão do irmão. A marcação em nada diferenciava daquelas postas em prática contra outros ponteiros. Por isso, no encontro do churrasco noturno de confraternização pós duelo, Tuta, tornozelos inchados, mostrava as marcas de botinadas.

A rigor, quem direcionou inicialmente a carreira de Tuta foi Zé Maria, que em 1967, vinculado à Portuguesa, o levou ao juvenil do clube, e igualmente o transportou ao Corinthians quando pra lá se mudou dois anos depois. Ambos se separaram quando Tuta chegou à Ponte Preta no final de 1970, caracterizado como ponta-de-lança que atuava pela meia esquerda.

CILINHO VIU LONGE
Foi quando o saudoso treinador Cilinho dimensionou que a velocidade de Tuta poderia ser mais bem aproveitada como ponteiro-esquerdo, com projeção de chegar ao fundo de campo para cruzamentos. Logo, foi preparado como substituto de Adílson Preguinho, transferido ao Fluminense.

A princípio o veloz Tuta se embaraçava nos cruzamentos e a torcida se irritava. Aí o paciencioso Cilinho ensinou-lhe a inclinação adequada de corpo para bater na bola e a curva para alcançar o centroavante de frente, visando o cabeceio.

Assim Tuta brilhou como assessor de goleadores, e não convertendo gols. Isso seguiu até 1979 quando lesões no joelho, com cirurgias de meniscos e ligamentos, tiraram-lhe a mobilidade. Houve insistência de prosseguimento na carreira, terminada dois anos depois no Independente de Limeira e Anapolina (GO).

COMANDO DOS JUNIORES
No final de 1982 o desafio de Tuta foi comandar o time de juniores da Ponte, marcado já na temporada seguinte pela conquista do título estadual e revelação de jogadores como os atacantes Valmir, Vagner e Sinval, além dos meio-campistas Régis e Mário Luís,

Ainda na Ponte, Tuta foi auxiliar do ex-treinador Carbone, e posteriormente supervisor ainda no clube, ambas funções entre os profissionais. O desligamento deu-se em janeiro de 1996. Agora, aos 69 anos de idade, curte aposentadoria.