Em jogo dos iguais, França decide; se fosse a Bélgica não haveria contestação

Time francês vence por 1 a 0 e aguarda quem passar de Inglaterra e Croácia

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Em batida de olho nos textos de colunistas da capital paulista, o que não faltam são ‘tecnocratas do futebol’, com citações de que tal treinador usou esquema de 4-5-1, 3-5-2 e por aí vai, pra se rotularem como entendedores da matéria.

Quando vejo essas coisas lembro-me do ex-treinador Jair Picerni que, independente de vitória ou derrota das equipes que dirigia, repetia a cada partida que ‘futebol é resultado’.

Como a França venceu a partida diante da Bélgica por 1 a 0, rasgam-lhe elogios como feito incontestável.

França foi eficiente na finalização
França foi eficiente na finalização
Se as bolas da Bélgica entrassem, os elogios só seriam trocados de lados.

Na prática foi um jogo rigorosamente igual, com diferencial que a Bélgica, antes mesmo de sofrer o gol, tomou mais iniciativa.

A França teve competência para colocar em prática forte marcação, valorização da bola para transição, muitas vezes com velocidade.

Em linhas gerais, o que se vê nesses principais selecionados é eficiência no trato à bola, e a coisa flui até as imediações da área adversária.

DRIBLADORES

Aí, o futebol moderno tem mostrado raros dribladores capazes de limpar jogadas de dois ou mais adversários em curto espaço de campo, como faziam os meias Ronaldinho Gaúcho e Dêner.

A Bélgica teve o seu driblador - caso do meia-atacante Hazard -, mas contra ferrolho ‘uma andorinha’ não faz verão.

Com bola ‘colada aos pés’, Hazard até escapou de dois adversários citados, mas no passe feito ao centroavante Lukaku não havia ressonância. Não havia a mesma mobilidade pra girar e escapar do marcador. Portando, foi um erro tê-lo supervalorizado.

Até mesmo o meia De Bruyne, com reflexo rápido para definição de jogadas, foi absorvido pela marcação francesa. E nem se atreve à tentativa de driblar quantos adversários aparecerem pela frente, porque a bola não gruda aos pés como ocorre com Hazard.

MBAPPÉ E GRIEZMANN

O andar da carruagem desta Copa do Mundo mostra que o bom atacante francês Mbappé, de 19 anos de idade, ainda precisa amadurecer para extravasar todo o seu potencial.

Por vezes, ao ficar de mano, opta pelo passe em jogada que seu arranque seria arma para definição de jogada.

Há circunstâncias em que prende a bola desnecessariamente ao receber dupla marcação, e sem condições para imediata disparada.

Claro que o tempo será senhor das razões para discernimento da melhor alternativa.

O ‘cobra’ do time francês é o meia Griezmann, que dribla, tem ótima visão de jogo, e sabe finalizar.

Afora isso, coloque em boa cotação o meio-campista Pogba e uma eficientíssima defesa francesa, que não se envergonha em dar chutões quando a situação exige.

Portanto, caso não ocorra zebra de outro planeta, a França pode começar a preparar as faixas, seja em decisão contra Inglaterra, seja diante da Croácia.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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