Opinião Fauzi Kanso: Eu não acredito em técnico!

por Agência Futebol Interior

Outro dia, aqui no Em primeiro lugar devo dizer que sempre fui fã do Cilinho, extraordinário estrategista que muitas vezes fez da Ponte uma das melhores equipes do Brasil. Como revelador de craques Cilinho foi campeão.

Futebol Interior, conversei com o GUTO, excelente jornalista esportivo que redige – e bem – grandes matérias para o portal. Quando lhe disse que não acredito em técnico ele se arrepiou.

Basta, sem nenhum esforço de memória, lembrar dos jogadores revelados por ele na Ponte e depois no São Paulo, quando criou os “Menudos”, garotada que ganhou quase todos os campeonatos disputados pelo Tricolor. Aliás, onde passou Cilinho fez bons jogadores. No Ituano, o Juninho Paulista, no Guarani, Cilinho revelou o lateral esquerdo Gustavo Nery, e vai por aí a fora. Também sou fã do Emerson Leão, outro grande revelador e descobridor de craques e profundo conhecedor de futebol. Por onde passou Leão deixou mais de uma grande promessa. Só no Santos montou uma equipe inteira com muitos jogadores juvenis que foram campeões do Brasil. Nessa equipe ele colocou Elano, comprado junto ao Guarani a preço de bananas. Muitos deles estão até hoje na Seleção Brasileira.



Quando técnico da Seleção Brasileira Leão convocou Mineiro, meio campista da Ponte Preta que nem mesmo a imprensa de Campinas e muita gente na Ponte sabiam tratar-se de excelente jogador.Tanto Cilinho como Leão sabiam, acima de tudo, compor o banco de opções. Sim, eu disse opções. É que durante a partida e de acordo com o sistema tático do adversário, eles faziam as alterações que mudavam a panorâmica do jogo.



Fora deles não conheço um técnico que saiba compor o banco. Simplesmente os técnicos atuais levam laterais para substituir laterais; meios de campo para substituir os meio campistas, e atacantes para substituir os atacantes. O óbvio, isto é, tira-se o lateral e coloca outro lateral e assim por diante.No Guarani, por exemplo, existe um meio campista, Léo Mineiro, que é hábil, inteligente, joga de cabeça erguida, tem visão de jogo e o que é muito importante, sabe colocar a bola fora do alcance do goleiro. Sempre que tem liberdade ele faz gols.



Entretanto, o titular absoluto é Ricardo Xavier que joga de cabeça baixa, não tem visão panorâmica dos companheiros, não usa sua boa compleição física em jogadas de corpo e erra sistematicamente gols feitos. Então, o que falta?Falta peito ao técnico para colocar o Ricardo Xavier no banco e dar a oportunidade ao Léo Mineiro de centro avante. Se ele fizer isso, acredite, o Léo será um dos maiores artilheiros da história do Clube e terá seu passe elevado às alturas.



Isso que estou falando é coisa de estrategista e de técnico que não tem medo, muito menos medo de perder o emprego. Lembra o raro leitor do Elba de Pádua Lima, o Tim? Pois é. Foi ele que mais abusou dessa tática, e é por isso que ele é inesquecível.Também existe outra coisa favorável aos técnicos de hoje: a malfadada multa contratual milionária. Tem técnico que sabe que não está agradando, que está afundando o time, mas não pede demissão para não perder o direito à multa. “Pedir demissão eu não peço. Se quiserem que me mandem embora”, costumam dizer com freqüência. Aqui em Campinas tem um técnico que já disse isso na Rádio Bandeirantes.



Por outro lado, o Clube quer dispensá-lo, mas não o faz por não ter dinheiro para o pagamento da absurda multa contratual. Pra dizer a verdade, hoje o melhor negócio é ser técnico de futebol. Qual é a responsabilidade do técnico sobre a equipe e sobre os homens que compõem sua comissão?Então, perguntará o raro leitor: - Por que não acabar com a abusiva multa? Porque nossos dirigentes são fracos e medrosos. Eles se curvam diante de qualquer milongueiro que aparece como salvador da pátria.



A coisa é tão séria, para não dizer triste, que existe técnico trabalhando em outra equipe, e recebendo salários referentes à multa de dois, três outros clubes por onde passou e que foi dispensado. Se tudo isso não bastasse, existe ainda o problema com os altos salários pedidos por eles que os dirigentes pagam numa boa. Existe multa se o técnico for dispensado, mas, não existe multa ou punição se ele afundar o time, como sempre acontece. Aqui em Campinas estamos assistindo isso.



Está na hora dos dirigentes do futebol brasileiro rever a situação. É fácil, é só estabelecer um salário digno (não absurdamente elevado) ao profissional de ponta e mais baixos para os ainda em experiência. Caso os de ponta não aceitem, que sejam contratados os menos experientes até para que eles ganhem a tal experiência. E mais: contrato sem multa.ABRAÇO ESPECIAL


Se me permitem os raros leitores, desejo enviar um abraço especial ao HELDER, Oficial de Justiça na cidade de Paulínia. Homem probo, educadíssimo, reto e de caráter irrepreensível. Helder, pela amabilidade e pela leitura, meus agradecimentos.[email protected]