De zaga ideal a recuperar Ricardinho: desafios de Roberto Fonseca no Guarani

Treinador terá a parada para a Copa América para melhorar a equipe para o restante da Série B

por João Marcos Carneiro

Campinas, SP, 14 (AFI) - O início ruim na Série B do Campeonato Brasileiro com apenas uma vitória em oito jogos e as atuações apáticas da equipe na maioria das partidas com Vinícius Eutrópio fez com que o Guarani optasse pela troca no comando técnico durante a parada da Copa América.

Agora com Roberto Fonseca, aquele mesmo que levou o Novorizontino às quartas de final do Campeonato Paulista, o Bugre tenta recuperar o tempo - e os pontos - perdidos até aqui para conseguir uma arrancada para fora da zona de rebaixamento.

Roberto Fonseca foi anunciado nesta quinta-feira pelo Guarani. (Foto: Divulgação/Guarani)
Roberto Fonseca foi anunciado nesta quinta-feira pelo Guarani. (Foto: Divulgação/Guarani)

Enquanto a Copa América será disputada, a equipe dorme um mês na 19ª posição, e o recém-contratado treinador terá alguns desafios a cumprir.

ENCONTRAR ZAGA IDEAL

Com Vinícius Eutrópio, a defesa do Guarani comete erros de posicionamento e individuais. Contra o Atlético-GO, Xandão e Giovanni se atrapalharam e o gol adversário saiu. Já na última partida contra o Coritiba, foi a vez de Bruno Lima dar um carrinho desnecessário na área e cometer pênalti nos minutos finais da partida, o que também custou os três pontos, já que Wilson converteu.

Nas laterais, principalmente a esquerda com Armero, a situação parece ter melhorado. Toda a experiência do colombiano de 32 anos tem feito bem para o setor. Na direita, Lenon alterna bons e maus momentos, mas perto da confusão da dupla de zaga, passa despercebido.

Bruno Silva, ex-Vasco, já foi anunciado e é nova peça para Roberto. Ferreira é outro que não vem atuando bem e Giaretta era preterido pelo técnico anterior, tendo atuado até na lateral-esquerda, menos na zaga.

RECUPERAR RICARDINHO E DIEGO CARDOSO

Destaque da equipe campeã da Série A2 do Campeonato Paulista e com boas atuações também na Série B de 2018, o volante Ricardinho é exemplo claro de jogador que caiu de nível nesta temporada.

Ricardinho vive ano ruim no Guarani. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)
Ricardinho vive ano ruim no Guarani. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)

No Campeonato Paulista, sob o comando de Osmar Loss e depois João Paulo como interino, o meio-campista já não ia tão bem quanto antes, porém nestas primeiras rodadas de Série B, as atuações ficaram ainda piores.

É claro que um time desorganizado prejudica a todos, inclusive aquele que é um dos melhores, se não for o melhor, do elenco do Guarani. A Fonseca cabe encontrar um time que ajude Ricardinho a evoluir, mas também deve dar confiança para que o atleta volte aos bons tempos.

Para Diego Cardoso, artilheiro do time no Paulistão e Torneio do Interior com sete gols, a situação é parecida.

A diferença é que nos últimos dois jogos sob o comando de Eutrópio, o atleta revelado pelo Santos foi para o banco de reservas e entrou apenas nos minutos finais. Na partida contra o Oeste, pela segunda rodada, o atacante até perdeu pênalti e foi substituído chorando.

SABER USAR OS JOVENS DA BASE

Davó ganhou oportunidades entre os titulares com Eutrópio. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)
Davó ganhou oportunidades entre os titulares com Eutrópio. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)

A boa campanha na Copa São Paulo Júnior deste ano, quando foi até a semifinal, aumentou a cobrança da torcida pela utilização de jogadores destaques como os atacantes Davó, Matheusinho e Renan e o lateral-esquerdo Bidu.

Os dois primeiros até têm ganhado chances entre os titulares nesta Série B, porém a desorganização do time prejudica os jovens de 19 e 20 anos, respectivamente.

Não basta apenas fazer aquilo que o torcedor pede, mas tem que saber utilizar os jogadores de forma a potencializar o que eles têm de melhor.

DAR PADRÃO TÁTICO

Além da má fase de alguns jogadores, há que se corrigir posicionamento e criar um time que, mesmo não sendo brilhante tecnicamente, saiba o que fazer com a bola nos pés.

Ligado a falta de padrão está o desempenho fraco do ataque, o pior destas oito rodadas iniciais da Série B com apenas quatro gols ao lado do Operário-PR. Eder Luis foi contratado para espelhar a função que Thiago Ribeiro fez bem no Paulistão: experiência e dinâmica ao setor ofensivo, mas até agora não correspondeu à altura da expectativas.

Eder Luis ainda não encantou vestindo a camisa do Bugre. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)
Eder Luis ainda não encantou vestindo a camisa do Bugre. (Foto: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube)

ENCONTRAR REFORÇOS DE PESO

Caso o objetivo do Guarani seja maior do que apenas evitar o rebaixamento, novos jogadores precisam chegar. A zaga é setor que precisa de mais e melhores opções. O meio-campo também carece de criatividade.