Machado, goleiro do Botafogo que sofreu 11 gols contra o Santos, passou pela Ponte em 1968

Ano de 1968 foi de sofrimento o pontepretano na antiga Primeira Divisão Paulista, quando dirigentes apostaram em veteranos

por ARIOVALDO IZAC - -

Em 1968, o então presidente da República, Arthur da Costa e Silva, no período do regime militar, editou o Ato Institucional-5, com cassação de mandatos de parlamentares. Foi o ano em que assassinaram o líder negro pacifista Martin Luther King, nos Estados Unidos.

Em Campinas, foi mais um ano de sofrimento do torcedor pontepretano na antiga Primeira Divisão Paulista, quando dirigentes apostaram na montagem de equipe com veteranos.

Se os goleiros Wilson Quiqueto, Edson e Piveti se revezavam durante amistosos, no inicio da competição a vaga ficou com Galdino Machado, emprestado pela Ferroviária de Araraquara, que estreou no empate sem gols com o Paulista de Jundiaí, dia 30 de junho de 1968, neste time: Machado; Nelsinho Baptista, Beluomini, Beto Falsete e Santos; Chiquinho e Roberto Pinto; Carlinhos, Warner (Dicá), Paulo Leão e Adilson.

REGULARIDADE

Naquela trajetória pontepretana, Machado não sofreu mais de que um gol por jogo. Ele mostrou elasticidade nos saltos, precisa saída da meta, e comando da defesa aos berros.

Fim da temporada e retorno à Ferroviária, prolongou a carreira no XV de Piracicaba até meados da década de 70, mas a trajetória ficou marcada no Botafogo de Ribeirão Preto, por ter atuado na história goleada sofrida para o Santos por 11 a 0, dia 21 de novembro de 1964, no Estádio da Vila Belmiro, jogo em que Pelé foi autor de oito gols.

De certo os hoje avós e bisavós que presenciaram aquela façanha já não se lembram do time botafoguense e nem associam que o treinador foi o saudoso Oswaldo Brandão.

Então, recordemos: Machado; Ditinho, Hélio Vieira, Tiri e Carlucci; Berguinho e Adalberto; Zuíno, Alex, Antoninho e Gaze.

FARDAMENTO

Netos e bisnetos de hoje provavelmente não saibam que o fardamento de goleiros daquela época nada tinha a ver com esse que está aí. Camisas eram obrigatoriamente de mangas compridas, com acolchoado no peito, ombro e cotoveleiras. Calções também tinham proteção de acolchoado lateral. Já as joelheiras evitavam que pernas fossem raladas.

Detalhe: até o início dos anos 80, na delimitação da pequena área, colocavam camada de areia fina. A justificativa era evitar risco de o goleiro se machucar em saltos para praticar defesas, argumento desmentido posteriormente quando foi plantada grama em todo campo.

Machado, paulistano da Mooca, morreu em Ribeirão Preto no dia 15 de maio de 2015, aos 80 anos de idade.