Série C: Ídolo de São Bento e Confiança, Almir Dias fica dividido: 'não tem favorito'

Meia esquerda “das antigas” e legítimo, como ele mesmo se define, falou nesta semana ao Futebol Interior

por Rivail Oliveira

São Bento, SP, 12 (AFI) - Um ídolo das torcidas azul e branco com o coração “cortado ao meio”. Assim está o experiente Almir Dias, 35 anos, que fez história nos dois clubes que definem vaga para o acesso para a Série B de 2018, São Bento e Confiança. O primeiro jogo é domingo no Batistão, e o segundo dia 23 no CIC.

Um dos ídolos das duas torcidas, o meia esquerda “das antigas” e legítimo, como ele mesmo se define, falou nesta semana ao Futebol Interior sobre o duelo entre paulistas e sergipanos. Para Dias, um encontro onde não há favoritos, colocando de um lado, segundo ele, um ótimo time do Bentão, bem comandado por Paulo Roberto, e um Confiança numa crescente e muito forte.

Dias destacou a importância do fator torcida nos dois jogos, onde espera casa cheia no CIC e no Batistão, mas ressaltou a importância de um bom resultado na primeira partida, que pode ter grande peso numa definição tão equilibrada.

O meia, que espera encerrar a carreira em dois anos para quem sabe seguir no futebol, também elogiou os trabalhos dos treinadores Paulo Roberto e Ailton Silva. Ele também que está com o coração dividido e irá torcer para que vença o melhor nos dois jogos.

Começou sua carreira na base do São Paulo em 2002, e de lá para cá, em 15 anos, passou por Portuguesa, Mineiros, Guaratinguetá, Toledo, Rio Verde, Noroeste, Cianorte,Botafogo-PB, Olimpia, Novorizontino, Ypiranga, Aymoré, São Bento, Confiança, Uberlandia, Barretos e River. Em 2017 jogou pelo Luziãnia.

Almir Dias é querido pelo torcida do Confiança.
Almir Dias é querido pelo torcida do Confiança.

Futebol Interior – Você é ídolo e querido no Bentão e Dragão, como é isso?

Almir Dias -Foi uma satisfação jogar por esses dois grandes times, o Confiança, onde cheguei em2015 e já fui campeão estadual, bi e chegando no mata-mata no Brasileiro onde, infelizmente perdemos para o Londrina e onde fui o artilheiro com seis gols, a três gols do artilheiro do torneio, o Frontini.

Sempre com um carinho enorme dos torcedores nas ruas e ate hoje recebo pedidos para que volte ao Confiança. No São Bento participei de um momento único, no inicio do crescimento, num período onde o São Bento estava quase “acabado”, muito ferido. Aí essa grande diretoria que está aí pegou o clube em 2013, conseguimos o acesso (da A3) para a A2 de 2014. E no fim de 2013 cheguei no São Bento trazido pelo Paulo Roberto, conseguimos o acesso e depois fizemos uma grande campanha na Copa Paulista e só fomos eliminados pelo Botafogo com dois empates de 1 a 1, antes das semifinais. E dali em diante o São Bento somente cresceu e hoje vive um grande momento se consolidar e fazer história.

FIExiste favorito num duelo desses?

Almir Dias –Não. São duas grandes equipes e coloco 50% para cada uma. O Confiança vem numa crescente depois de estar para cair, subiu no momento certo e classificou na última rodada e teve na reta final três a quatro vitórias seguidas. O São Bento faz um campeonato brilhante, sempre no G4, fator importante para quem quer subir. Os dois chegam com uma igualdade enorme, pelo peso da camisa que tem, das torcidas que têm, tanto o Confiança no Nordeste quanto o São Bento em Sorocaba. São duas nações azuis e todos poderão ver como ficará o Batistão e o CIC nestas duas decisões, lotados, entupidos e dois times em igualdade de condições para buscar o título.

Almir Dias coleciona acessos pelo São Bento. (Foto: Jesus Vicente)
Almir Dias coleciona acessos pelo São Bento. (Foto: Jesus Vicente)

FITorcida ganha jogo?

Almir Dias –A torcida é fundamental nesse momento. Tenho dois acessos com Guará e Guarani, fora A2, totais de nove acessos e posso falar isso. Perdemos o acesso em 2015 no Confiança para o Londrina, mas colocamos 18 mil no Batistão num jogo onde cansamos de perder gols, ficamos no 0 a 0, e no segundo jogo com 30 mil em Londrina perdemos por 1 a 0. Mas ela torcida é muito importante. O peso se uma torcida no Nordeste é diferente. Tem treino que vem duas, três mil pessoas assistir.

E a torcida do Confiança é um espetáculo e os jogadores que não tiveram a chances de jogar no Nordeste ou enfrentar um grande time no Nordeste, Confiança, Santa Cruz, Fortaleza, Sport, vão ver. São 15, 18 mil num estádio aconchegante e com o torcedor jogando com o time o tempo inteiro. Num gramado muito bom e o time adversário vendo a torcida da casa de perto o tempo todo.

Mas tenho certeza que a torcida do Bentão também pode fazer isso na volta, embora o CIC deixe a torcida um pouco distante, mas o torcedor pode empurrar o São Bento, assim como faz a torcida do Confiança. É um momento único para as duas torcidas e a hora de abraçar o time, ajudar, empurrar rumo ao acesso. E eu vou estar presente vendo a segunda partida.

FIO que define uma decisão dessas?

Almir Dias –Vários aspectos, mas, na minha opinião, e com e experiência que eu tenho, é o primeiro jogo, de suma importância. Se o Confiança se quiser algo, terá que vencer o primeiro jogo em casa mesmo que seja por 1 a 0. E o São Bento, se quiser algo, não pode perder o jogo lá. E de suma importância. Tá certo que não é fato consumado. Se no São Bento empatar no Batistão, já subiu. Ou se o Confiança perder em casa não sobe mais. Mas vencendo em casa fica menos difícil no segundo jogo, e a mesma coisa vale para o São Bento.

FICoração dividido? Dá pra torcer para alguém

Almir Dias –Como fiz história nos dois times e tenho recebido carinho dos dois lados. No São Bento, ganhei o apelido de maestro e de “canhão do CIC”. No Confiança fui chamado de maestro e "Almito"; e até ganhei uma ilustração na bandeira dos torcedores, o que me orgulha muito. É até difícil falar isso, e ficarei dividido, pois tenho os dois times, as duas torcidas no meu coração. Vou torcer para dois grandes jogos e para que vença o melhor, mais organizada e feliz no dia.

FIQual é a sua avaliação dos treinadores?

Almir Dias – Falar do Paulo Roberto e clichê. Na minha opinião está num grande clube de São Paulo. É assim que vejo o São Bento hoje, mas trata-se de um treinador para estar num clube de cenário de Série A de Brasileiro. Ele monta times onde estão desacreditados e o time dele é de chegada; sabe extrair o máximo do jogador.

O jogador com ele joga, marcar, é obediente taticamente, enfim, é um exímio profissional com uma qualidade absurda. No Confiança, o Ailton Silva é um treinador que vem numa crescente muito grande. Fez um grande trabalho com o Itabaiana, chegando na final do Sergipano, e perdeu o título pro Confiança. Comandou o Campinense na Série D mas o torneio é muito curto e não deu tempo para ele, que vem mostrando que é um baita profissional. Ele é muito conhecido no Nordeste. Pegou o Confiança lá embaixo, fez os jogadores acreditarem , extraiu o máximo de cada jogador e o time chega muito forte para essa decisão.

FIHoje com 35 anos, você pensa em parar? Vai ser treinador?

Almir Dias –Faço 36 anos em abril (de 2018), mas creio que devo jogar mais alguns anos, pois nunca tive problemas de contusão, sempre me cuidei direitinho e jogo numa função que é extinção, meia esquerda autêntico clássico das antigas de criação (risos). Embora, a meta seja parar daqui a dois anos, se aparecer uma oportunidade, eu posso antecipar minha aposentadoria.

Mas não estou preparado psicologicamente para esse momento ainda. Mas que está próxima minha aposentadoria e estamos pensando nisso. Sou de Mairinque, meus pais, família, esposa,dois filhos, uma de 15 e um de 11 e sempre me acompanhavam, mas agora que está perto de eu parar eles ficaram aqui.

FIValeu a pena ser jogador?

Almir Dias – Olha, sou um cara abençoado por Deus, e uma pessoa determinada. Saí daqui (Mairinque), com onze anos com o sonho de ser um jogador profissional. Não para ser famoso e um dia ouvir a torcida gritar seu nome. Fiz minha base toda no São Paulo onde comecei em 2002, e nestes anos todos, fizemos historias jogando em grandes clubes de tradição do interior de São Paulo e outros estados; joguei fora do país, enfim tive uma bela carreira que vai dar saudades, com conquistas, grandes amizades, primando sempre pelo caráter, boa conduta dentro e fora de campo e vitórias nos clubes por onde passei. E agradeço a Deus por tudo isso.