ESPECIAL: Parceria Bragantino-RBB nasceu da necessidade com oportunidade. Saiba mais!

Necessidade do Red Bull em chegar à elite nacional rapidamente com a oportunidade de ter um clube em condições de ser parceiro

por Agência Futebol Interior

Bragança Paulista, SP, 15 (AFI) - No comando da administração do Bragantino desde final de 1997, o presidente Marco Chedid, o Marquinho, foi o grande idealizador da mais nova parceria vitoriosa no futebol brasileiro.

A união do clube com o Red Bull – maior grupo de energéticos do mundo – aconteceu como outros ‘cases’ de sucesso: a junção da necessidade do Red Bull em chegar à elite nacional rapidamente com a oportunidade de ter um clube, o Bragantino, em condições de ser parceiro.

“Estava almoçando com um amigo de mais de 30 anos e dizendo a ele que estava cansado, que achava ser a hora da família passar o clube. Mas para quem? Teria que ser para uma pessoa séria ou para um grupo investidor.

Foi quando lembramos da procura do Red Bull para chegar logo ao Brasileirão...” – cita Marquinho que ficou nas costas com o enorme peso do ‘espólio’ do futebol do Bragantino após enorme sucesso no final dos anos 80 e início de 90.

Chedid (à direita) e Thiago Scuro na apresentação da parceria
Chedid (à direita) e Thiago Scuro na apresentação da parceria

CONTATOS FRIOS E POR TELEFONE
Os primeiros contatos foram feitos na véspera do Natal de 2018 por telefone. Chedid ligou para Thiago Scuro, presidente do Red Bull Brasil, que estava nos Estados Unidos.

Os primeiros contatos foram frios, porque o grupo pensava em se fixar numa cidade grande, provavelmente Jundiaí por ser perto de São Paulo, queria mudar o nome do clube e ainda tinha uma série de exigências.

“Eu não acreditava em sentar com o Marquinho, porque o clube estava no comando da família Chedid há 60 anos. Mas topei sentar para conversar, assim que retornei ao Brasil em janeiro” – revela Scuro.

NEGOCIAÇÕES INTENSAS
As negociações foram intensas, com idas e vindas de Luiz Arthur Chedid, filho de Marquinho e vice-presidente do clube, para a Áustria e Alemanha, para tentar chegar num acordo com a direção mundial da empresa.

Até que houve o acordo do grupo investidor assumir o time na Série B, com uma carta de intenções para a transferência total da administração, o que vai acontecer agora em dezembro.

Os valores dos investimentos não foram revelados, mas girariam em torno de R$ 40 milhões. Um valor baixo para empresa se ela tivesse que esperar mais quatro ou cinco anos para chegar à elite nacional.

“Realmente a gente não tinha noção de que a família pretendia deixar o futebol. E, para nossa surpresa, encontramos um clube enxuto, sem dívidas e com uma administração pequena” – completa Scuro.

Apresentação da parceria com o prefeito Jesus Chedid (ao centro)
Apresentação da parceria com o prefeito Jesus Chedid (ao centro)

MOMENTO IDEAL
Para Chedid, era o momento certo de passar o clube adiante. Não havia outra alternativa.

“Nós passamos duas décadas sofrendo, pondo dinheiro do bolso para manter o time numa boa condição. Chegamos a ter mais de 200 processos – trabalhistas e cíveis – e fomos diminuindo isso através de um acordo feito com a justiça em 2008.

De lá para cá, fomos pagando cada credor e chegamos em 2019 praticamente zerados. Para crescer era preciso investimento pesado e buscamos a saída que aconteceu como uma luzinha no fim do túnel” – conta Chedid.

Nabi Chedid: futebol e política
Nabi Chedid: futebol e política

PROMESSA CUMPRIDA
Para ele a promessa de deixar o Bragantino sempre de pé se cumpriria com este acordo inédito e de futuro garantido.

“Prometi ao meu pai (Nabi Abi Chedid) que não deixaria a peteca cair. Ele me pediu isso no leito do hospital. Tenho certeza de que dei meu máximo e agora deixo o clube em boas mãos e para a cidade de Bragança Paulista.

Estamos tanto no Paulistão como no Brasileirão”, como era em 1997 quando o time começou a cair de rendimento nas competições.

DÍVIDAS E AÇÕES
Mas desde que assumiu a administração do clube, Marquinho só enfrentou problemas: dívidas, processos e falta de estrutura, desmantelada com a carência de recursos.

“A partir daí, só trabalhei com a realidade. O dinheiro que entrava a gente colocava e tentava formar um time. Às vezes dava certo, às vezes, não. E mantivemos um trabalho de formiguinha, resolvendo os problemas um a um” – conta Chedid.

QUEDAS, ACESSOS E TÍTULOS
De lá para cá, foram três quedas: da Série A em 1997, depois para a Série B e uma no Campeonato Paulista. Em contrapartida, o clube conseguiu cinco acessos e dois títulos. Muitos deles sob o comando do técnico Marcelo Veiga, que entre idas e vindas ficou mais de cinco anos no clube.

Campeão da Série C em 2007
Campeão da Série C em 2007

O Bragantino foi campeão brasileiro da Série C em 2007, com o Bahia sendo vice, e agora o título da Série B. A alternativa encontrada pelo Bragantino, deve ser seguida por outros clubes que pretendam ser grandes.

“Futebol é amor e paixão, mas acima de tudo um grande negócio. Por isso, é necessário que seja tratado de forma empresarial, com uma administração moderna, com planejamento e estrutura”- indica.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
A partir de janeiro o Bragantino Red Bull vai ter um conselho de administração formado por cinco pessoas. Um deles será o próprio Marco Chedid, outro é Thiago Scuro, que renovou seu contrato com o grupo até dezembro de 2023. Outros três membros serão indicados pela empresa austríaca.

"Minha missão no Bragantino está cumprida. Agora preciso cuidar da minha vida" - anda dizendo Marquinho aos amigos mais próximos.