Copa do Mundo começa nesta quinta-feira com brasileiro indiferente ao torneio

Com a greve, o varejo deixou de vender cerca de R$ 245 milhões em televisores

por Agência Estado

São Paulo, SP, 14 - O Brasil continua indiferente à Copa do Mundo ou o clima da competição já contagia os torcedores com a abertura oficial nesta quinta-feira, em Moscou, entre Rússia e Arábia Saudita? A pergunta pode ter duas respostas. E ambas possíveis. Sim, há muitos brasileiros distantes da seleção e da possibilidade de ela se dar bem - o Brasil do técnico Tite é apontado na Europa como um dos principais candidatos ao título mundial. Não, os brasileiros se sentem desanimados, não somente com o time nacional após 2014, mas sobretudo com a condição política/financeira no País.

"A paixão pelo futebol não morreu. Ela vai aumentar após as partidas, mas o clima é ruim. Há uma desconfiança generalizada no País, um baixo-astral na sociedade gerado pela greve dos caminhoneiros. O brasileiro ainda está alheio à Copa e preocupado com outras coisas. Mas, quando ela começar, vai suscitar grande motivação", acredita o cientista político Marco Antônio Teixeira. "O brasileiro sabe que o futebol é hoje um grande negócio, mas ainda tem sua paixão pela seleção".

É inegável que o clima ufanista das Copas anteriores não existe nesse momento no Brasil, que até duas semanas atrás vivia uma paralisação nas estradas que poderia muito bem explicar o sentimento que separa um Mundial (2014) do outro (2018). A paralisação dos caminhoneiros, a disparada do dólar, a falta de emprego, a violência nas principais cidades, a inadimplência e a completa indefinição no cenário da corrida presidencial ajudam a gerar esse clima de distância da competição.

Copa do Mundo começa nesta quinta-feira com brasileiro indiferente ao torneio
Copa do Mundo começa nesta quinta-feira com brasileiro indiferente ao torneio
Com a greve, o varejo deixou de vender cerca de R$ 245 milhões em televisores, um produto diretamente ligado à Copa. Antes dela, o ritmo das vendas estava parecido ao do mesmo período de 2014. A queda foi de 24%. Quem queria comprar, segurou o desejo. A expectativa dos varejistas é que a retomada aconteça com as vitórias do Brasil na primeira fase do Mundial.

Uma outra forma de aferir o interesse do torcedor diz respeito ao canal de busca do Google Trends no Brasil nesta semana. A procura na internet pelo Mundial da Rússia é a menor se comparada no mesmo período às três últimas edições da competição - de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil).

O futebol também foi parar atrás das grades. A CBF, que comanda a seleção, teve um presidente preso por corrupção nos Estados Unidos (José Maria Marin) e outro banido do esporte pela Fifa, Marco Polo del Nero, pelo mesmo motivo. Muitos torcedores já sacaram que o esporte moderno virou um grande negócio, que move cada vez mais interesses econômicos e pessoais do que a boa e velha paixão.

Não se pode descartar, no entanto, a possibilidade de a Copa pegar no Brasil, como pegaram todas as outras enquanto a seleção esteve em pé. O futebol sempre se comportou com certa distância dos acontecimentos políticos e sociais que movem o Brasil. Copa do Mundo sempre foi Copa do Mundo, independentemente das agruras do País. Essa condição foi quebrada pelo próprio Tite ao afirmar que não levaria seu time, nem ele próprio iria, para festejar a conquista ou lamentar o fracasso do torneio em Brasília, um gesto até então tradicional nas vitórias em Copas.

A globalização no esporte também pode ajudar a aumentar esse interesse pela disputa. Nesta sexta-feira, por exemplo, há um Portugal x Espanha em Sochi. Com Cristiano Ronaldo em campo e uma Espanha remodelada mesmo sem treinador, não há brasileiro que resistirá ao Mundial. Muito menos quando a seleção entrar em campo contra a Suíça, no primeiro jogo da fase de grupos, neste domingo, às 15 horas. Em 2014, um bilhão de torcedores sintonizaram para assistir à decisão no Rio de Janeiro. O torneio registrou audiência residencial de 3,2 bilhões de pessoas em todo o mundo. A Copa só está começando.

 
 
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