Lula é assunto até em confraternização de Natal

Discussão sobre política acontece a qualquer dia e hora; povo passa a se interessar

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Durante almoço do Natal passado, na ponta da mesa alguém pergunta: será que o Lula (ex-presidente da República) vai ser preso?

Outras épocas, quando só cabia reflexão cristã sobre a data, diríamos que o ‘cardápio’ seria indigesto. Não apenas pelo Lula, como qualquer político.

Hoje, como diuturnamente não nos esquivamos de quaisquer assuntos, Lula ‘entrou’ na roda. Sim, o mesmo Lula que discursa com frequência para a ‘companheirada’, numa tentativa de criar foco para antecipação do debate sobre sucessão presidencial, avisando que será candidato.

Prisão? O Judiciário dará pronta resposta no momento adequado.

Por mais que se juntam evidências e provas, o impacto sobre eventual prisão de Lula é imprevisível.

Um de meus interlocutores estranha a demora da prisão após ele se tornar réu na Operação Lava Jato, com configuração de indícios pra prendê-lo.

DEFESA

Didaticamente esclareço que todo acusado tem direito à defesa, que é natural o processo se arrastar para se evitar descumprimentos constitucionais.

Afora isso, não havia como discordar da fala do presidente Michel Temer sobre possível convulsão social com Lula preso.

Realista, Temer projeta ‘rebelião’ de movimentos sociais e sindicais. Portanto, é recomendável prudência.

De certo, durante interrogatórios de graduados diretores da empresa Odebrecht - ávidos pela delação premiada -, coisas bem cabeludas, escondidas embaixo do tapete, serão reveladas. Aí, gente graúda da política brasileira provavelmente vai ver o sol nascer quadrado, Nessa projeção, o impacto de suposta prisão de Lula seria reduzido.

PASSAR À LIMPO

Esse deve ser o curso natural das operações judiciais que implicam em passar o Brasil à limpo, que visam tirar de circulação aqueles que abusaram do mal feito, e projetaram eterna impunidade.

Quando se supunha que em mesa farta de Natal a política fizesse parte do cardápio?

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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