Rebaixado com pior campanha do atual formato da Série C, Guará chega ao fundo do poço

Em decadência desde 2013, neste ano o jovem time do Vale do Paraíba caiu para as últimas divisões do Paulista e do Brasileiro

por Agência Futebol Interior

Guaratinguetá, SP, 19 (AFI) - Pelo andar da carruagem, ninguém se espantaria se o Guaratinguetá fechasse as portas. No último domingo, o time do técnico João Telê encerrou mais uma capítulo vexatório de sua história. Ao ser goleada por 4 a 0 na última rodada da Série C do Brasileiro, a Garça do Vale, que já entrou em campo rebaixada há duas rodadas, encerrou sua participação com a pior campanha do atual formato da competição.

O modelo com equipes distribuídas em duas chaves se enfrentando em turno e returno por oito vagas nas quartas de final foi instituído em 2012. Até então a pior campanha havia sido realizada pelo Rio Branco-AC, que foi rebaixado somando apenas seis pontos em 2013. Em 20 jogos, o time acreano perdeu 18 jogos e venceu dois, com um aproveitamento de 10% , 46 gols sofridos e oito marcados.

O Guará terminou a terceira divisão nacional na lanterna do Grupo B, com apenas quatro pontos somados. Em 18 jogos, foram 16 derrotas, um empate e uma vitória, com um total de 13 gols marcados e 55 gols sofridos. Na conta, somam-se várias goleadas, como um 6 a 2 para o Botafogo-SP e derrotas por 4 a 0 para Guarani, Juventude, duas vezes do Boa e mais uma vez para o Bota.

João Telê levou o Guará ao segundo rebaixamento em 2016. (Foto: Rogério Moroti / Ag Botafogo)
João Telê levou o Guará ao segundo rebaixamento em 2016. (Foto: Rogério Moroti / Ag Botafogo)
FUNDO DO POÇO
O rebaixamento na Série C foi a segunda queda da Garça do Vale no ano. No primeiro semestre, João Telê conseguiu a proeza de rebaixar o time na disputa da Série A3 do Campeonato Paulista. Assim, a Série D e a Segundona Paulista serão as competições disputadas pelo Guará em 2017. Fundado em 1998, o time vem em um período de decadência desde 2013, quando foi rebaixado na Série B.

A queda na terceira divisão já era para ter vindo no ano passado. Na ocasião, o time virou o segundo turno com apenas três pontos, mas fez uma parceria com o Atlético-PR. Assim, com jogadores do time sub- 23 e o técnico português Sérgio Viera, somou 16 pontos na reta final e conseguiu se livrar da sina.

Neste ano, o folclórico João Telê não conseguiu achar ninguém para salvar sua pele. Com uma postura agressiva aos críticos e a imprensa de maneira geral, o Guará perdeu o prestígio com todos. Desde a prefeitura da cidade - com a qual o clube tem uma dívida por conta do uso do Estádio Dário Leite Rdorigues - passando pelos torcedores, rádios e jornais locais. Ninguém quer saber do Guará, tanto que a cobertura do time na mídia é praticamente nula. Ele só aparece como coadjuvante dos adversários.

O Guaratinguetá perdeu 16 partidas das 18 disputadas na Série C. (Foto: Rogério Moroti / Ag Botafogo)
O Guaratinguetá perdeu 16 partidas das 18 disputadas na Série C. (Foto: Rogério Moroti / Ag Botafogo)
SEM TETO
O único time que tentou ajudar o pior time da Série C foi o Independente de Limeira, que chegou a emprestar alguns atletas ao clube do Vale do Paraíba, mas não quis formalizar nenhum parceria. Por fim, os jogadores voltaram ao time do interior. De qualquer maneira, o Guará continuou alugando o estádio Agostinho Prada, do time limeirense, já que está proibido de atuar no Dário Leite.

Sem casa, a Garça teve que se mudar mais uma vez há cerca de duas semanas quando o Agostinho Prada foi interditado pela CBF. A justificativa mas não ficou calara, mas ficou subentendido que o motivo foi a condição ruim do gramado, o que gerou muitas reclamações dos times que enfrentaram o Guará na Série C.

A punição foi gerada pelo time do Vale e acabou prejudicando a equipe limeirense, que perdeu seu estádio para a Copa Paulista.Depois disso, o Guaratinguetá atuou uma partida no Nicolau Alayon, em São Paulo, e todas as outras no Frederico Dalmaso, em Sertãozinho.