Paulista A2: Luizinho Costa ex-Bentão e Lusa fala da decisão!

O autêntico camisa 10 foi campeão Paulista na Lusa em 1973

O primeiro jogo da decisão da Série A2 está marcado para esta quinta-feira, às 19h

Categorias: Futebol Interior

Por: Agência Futebol Interior, 14/04/2022

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Sorocaba, SP, 14 (AFI) – São Bento e Portuguesa iniciam nesta quinta-feira, às 19h, no Estádio do CIC em Sorocaba, as finais do Campeonato Paulista da Série A2 de 2022. Já garantindo na elite do estadual em 2023, ambos vivem este momento de decisão. Dois times muito tradicionais, e que já revelaram grandes jogadores para o futebol brasileiro. Um deles, em especial, vestiu a camisa de ambos. E mais que isso, foi camisa 10. O Futebol Interior entrevistou com exclusividade esse personagem que tem muito a ver com as histórias azuis e rubro-verdes: Luizinho Costa. Foi um meia, “das antigas”, um autêntico “camisa dez”, que defendeu Bentão e Lusa nas décadas de 60 e 70. Hoje com 68 anos, e morando na pacata cidade de Salto de Pirapora, onde tem uma escolinha de futebol ele contou belas histórias desta época e projetou as finais deste ano em 2022.

Luizinho chegou ainda “molecote”, com 13 anos no São Bento e foi titular no time principal com 16 anos, impressionando por sua classe e qualidade técnica. Depois de jogar no Azulão, foi para a Portuguesa, jogando com uma geração de craques e feras foi campeão Paulista em 73, último título estadual da Lusa, da Taça Cidade de São Paulo entre outros. E passou ainda pelo Coritiba, Goiás, Atlante (México) e América (México), futebol da América Central (Guatemala), atuou pelo Racing (Argentina) e outros clubes.

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Confira a entrevista

FUTEBOL INTERIOR – Como foi seu início no São Bento?

LUZINHO COSTA – Eu jogava no futebol amador de Sorocaba no Barcelona e Parada do Alto e camisa dez, que usava porque admirava o Rei Pelé. Aos 13 anos o meu irmão Carlinhos Costa, que chegou no clube em 1964, meu levou para a base do São Bento no fim de 1967, e fiquei lá até julho de 1971, da base ao principal. Fui recebido pelo Mickey (um dos ídolos do clube), que era o treinador do amador base na época que foi me preparando; fui titular do segundo quadro com 14 anos e com 15 a 16 anos, fui lançado no time principal do time do técnico Wilson Francisco Alves (Capão). Na época, Capão perguntou ao treinador da base, Mickey se eu que estava pronto, e ele disse que estava desde quando chegou ao clube. Mas fiquei pouco tempo no clube. Com 17 anos foi vendido para a Portuguesa em julho de 1971, por 150 mil cruzeiros. Na época Corinthians e Santos também o tentaram me levar, trocar jogadores e foi para a Lusa quase dispôs a pagar e acabei indo para a Portuguesa.

FI – Você sempre foi camisa 10?

LUZINHO COSTA – Sim, desde o amador (base). Mas já no profissional quando eu fui lançado não joguei de dez. No São Bento fui lançado de onze na ponta esquerda. Depois o Capão foi me levando com a nove e fui vendido para a Portuguesa como centroavante. Na época o João Avelino (treinador luso), queria fazer um quadrado como era no Cruzeiro, que tinha: Tostão Dirceu Lopes, Piaza e Zé Carlos. Foram muitos anos na Portuguesa onde fui campeão paulista em 73. Uma passagem muito boa, tanto no São Bento. Foi uma honra vestir essas duas camisas.

FI – No São Bento, você enfrentou a Lusa? E na Portuguesa jogou contra o Bento?

LUZINHO COSTA – Sim, em três anos e meio, de 1967 a julho de 1971 sempre honrando o São Bento. Foram dois jogos defendendo o São Bento contra a Portuguesa. O placar não lembro. O primeiro foi no Humberto Reale onde tive o prazer de ter o grande Marinho (Perez), zagueiro que depois do Palmeiras, Seleção Brasileira, Copa do Mundo, me marcando. E teve até o episódio do Café do Antenor (risos). E neste jogo do Pacaembu teve um lance engraçado. Saiu uma falta para nós (São Bento), e o João Avelino (treinador da Portuguesa), que sempre fazia piada, falou pra não por barreira e disse que esses coitadinhos que vieram para jogar com a Portuguesa, só tinham tomado guaraná e um sanduiche. Aí o Geraldo Pancada, zagueiro que veio do América de Rio Preto, bateu  e mandou lá na gaveta, 1 a 0 para o São Bento (risos). E depois deste jogo despertou o interesse da Portuguesa em me contratar. Na Portuguesa em quatro anos e meio acho que joguei uma vez só contra o São Bento, numa quarta-feira no Humberto Reale. A Portuguesa era comandada pelo Cilinho, mas eu não fiz um bom jogo, tanto que eu fui substituído no intervalo. Mas valeu por ter jogado contra o Bentão;

FI – Você jogou com uma geração de craques no Bento. Como foi?

LUZINHO COSTA – Eu tive a felicidade de pegar uma época grandes jogadores de São Bento. Não peguei neste período alguns jogadores do título de 63: Raimundinho, Salvador, Picolé, Cabralzinho, Paraná (que já não estavam mais lá). Mas joguei uma geração espetacular também. Tive a honra de jogar com Bazaninho (meia Bazani), uma inspiração, meia canhoto que nem eu, uma baita pessoa,  que deu muitos conselhos; com o grande Gonçalves, o Batista que veio do Santos, o João Carlos zagueiro, o Queiroga, goleiro. Isso marcou muito, porque eu comecei no meio de só cobra criada no bom sentido; de craques da época. Sem contar o Carlinhos, meu irmão, o Copeu. Uma honra jogar com esse pessoal.

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FI – Como foi seu início na Lusa, pra um menino vindo do interior?

LUZINHO COSTA – Pra mim foi tudo novo. Saí daqui de Sorocaba da Parada do Alto,  e ir morar na capital em São Paulo. Foi tudo muito difícil. Quando eu cheguei, lá encontrei, Basílio, Lorico, Piau, Ratinho, Marinho Peres, Guaraci. Só fera (na Portuguesa). Peguei amizade mais forte com o Xaxá que é meu compadre, eu sou padrinho de casamento dele e foi o melhor amigo que eu fiz no futebol.

FI – E sua estreia na Lusa? Aliás internacional e com gol?

LUZINHO COSTA – Ah, teve outra história. Eu abandonei o primeiro treino. Fiz o primeiro treino na quinta e ia estrear no domingo contra o Guarani do Paraguai E no treino o João Avelino (treinador) começou a me xingar, dava cada grito comigo ! E eu não estava acostumado a isso, né? Nunca tinha recebido um tipo de cobrança desse jeito. Nem do Mickey, nem do Capão. Nem meu pai me xingava? Aí saí o treino. Ele (Avelino) foi atrás de mim e perguntou porque tinha saído e eu disse: pô estou chegando aqui agora, logo no primeiro treino você meu já vem pegando o meu pé, me xingando? Depois treinei outros dias. No domingo eu estreei contra o Guarani. Acabei com o jogo. Joguei muita bola, fiz gol, ganhei até um Moto Rádio e uma TV Colorado RQ de 14 polegadas, que até outro dia estava com minha irmã. Depois o Avelino foi me abraçar e disse que era aquilo aquele queria que eu fizesse, e por isso que foi me buscar no São Bento. Mas foi legal, depois foi me entrosando com o pessoal numa época gostosa na Portuguesa.

FI – Você trabalhou com grandes técnicos. Como foi?

LUZINHO COSTA – Meu primeiro técnico foi o João Avelino; e depois o seu Dodô, que lançou o Enéas e depois que apareceu o Isidoro, o Cardozinho, Arengue, Dárcio, Roberto.  Trabalhei com seu Rubens Minelli, Capão, Cilinho, que foi o que mais me marcou pois aprendi com sua disciplina, de organização tática dele que era fenomenal. Trabalhei com Oto Glória que pra mim foi a decepção maior que eu tive no futebol. Isso porque naquele mesmo ano teve final e não me deixou nem no banco de reservas. E eu que tinha feito o gol da classificação contra o Corinthians, 2 a 1. Mas fiz um bom papel na Portuguesa. Fui campeão paulista em 73, da Copa Cidade de São Paulo. fiz uma excursão à Europa em 72. Foi uma boa época, marcante quatro anos e meio lá e fiz meu paleo

FI – Antes de falar da final, como foi jogar ao lado de Dicá e Enéas, dois baitas craques e praticamente na sua função?

LUZINHO COSTA – Olha, jogar com o grande Dicá que depois foi para Ponte e Santos, um dos maiores meias que o Brasil já teve, foi uma honra. Foi uma época de um prazer muito grande. E jogar com o Enéas? nem se fala, né. Ele pintou pra ser um dos maiores jogadores do futebol brasileiro. Ele era muito bom jogador mesmo, Vi ele começar e jogava muito. Ele e o Dicá eram fantásticos, jogavam muita bola.

FI – O menino Lucas Lima, revelado pelo trabalho do sub-20 do Bento,  destaque da A2 foi para o Atlético-GO time de Brasileiro. Você também saiu como revelação do Bento. O que você acha dele?

LUZINHO COSTA – Foi bem isso Fui vendido como revelação do Campeonato Paulista em 71, a ponto de Corinthians e o Santos queriam. Quanto ao Lucas Lima, ele é um bom jogador; muito intenso que corre o campo todo, e tem um preparo físico bárbaro. Eu ficava dizendo do porque ele não pisa na área e chega mais perto do gol. E nos últimos jogos ele fez isso marcou três gos. Eu acho que ele vai se dar bem no Atlético-GO.

FI – Finalmente, qual sua opinião da final? Vai torcer pra quem? Tá dividido?

LUZINHO COSTA – Eu acho que a principal meta e objetivo já foi alcançada que era o acesso por ambos. Lógico que ser campeão tem um dinheiro que ajuda bem; mas é bom ver a Portuguesa voltando de mais de cinco anos e o São Bento também. Eu nunca fico em cima do muro. E vou torcer para o São Bento. Agora, o Bentão precisa parar com esse negócio sobe e desce (acesso e descenso); parecendo gangorra, não é mesmo?  Subiu, não tem que esperar chegar outubro começar a formar o time. Já deveria ir atrás das empresas, buscar ajuda, formar um time pra ficar. Porque senão, agora tá tudo bonitinho, mas aí, cai no ano que vem. Tem que montar um time forte pra permanecer muitos anos como foi naquela época, em 63.

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