Ponte não tinha bola suficiente para sonhar nesta Série B

Depois da grande atuação contra o Cuiabá, a Macaca caiu de produção de forma inexplicável. Não pode sonhar mais com G4

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Esta Série B do Campeonato Brasileiro é coisa de outro mundo, e todos nós nos equivocamos de uma forma ou de outra.

Eu disse aqui, com todas as letras, que se a Ponte Preta repetisse na sequência da competição aquele rendimento mostrado na maiúscula vitória diante do Cuiabá, muito provavelmente garantiria o acesso.

A partir daí entraram no jogo os imponderáveis e traiçoeiras convicções.

Quem projetaria que aquele Lucas Mineiro, volante de bom desarme e dinâmica de jogo, de repente fosse errar passes como um garoto recém-saído dos juniores?

Ponte Preta com elenco fraco
Ponte Preta com elenco fraco

Logo, teria mesmo que ser substituído no intervalo da partida deste domingo em Campinas, na derrota pontepretana para o Vitória por 2 a 1.

Quem avaliou o meia-atacante Vico com arrancadas pelas pelas beiradas do campo, e tormento constante aos marcadores, igualmente se enganou.

Dele restaram apenas a insistência em finalizações de fora da área, com duas bolas na trave nesta derrota da Ponte Preta.

Se o meia Renato Cajá deixou a torcida pontepretana deslumbrada nas duas primeiras partidas após o retorno, quem suspeitou que ele não teria condição física para suportar o 'trem' de jogo acertou na mosca.

Apesar de um gol aqui e outro acolá, o atacante Roger nem de longe repete aquilo que dele se esperava.

O que dizer da brutal queda de rendimento de Marquinhos, atacante de beirada? Aqueles dribles e infiltratações ficaram no passado, mas reonhece-se que não se omite.

Do lateral-direto Diego Renan - culpado direto no primeiro gol do Vitória, após erro de passe e tomar bola nas costas - e Guedes, lateral-esquerdo, praticamente nada se pode esperar. Assim, convenhamos que nem cabem cobranças. Deveriam, sim, sequer ser escalados.

Quanto a Arnaldo, é um lateral tático. Sua validade aparece em transição rápida ao ataque. A partir daí, deve entregar a bola à domicílio a quem escostar para sequência das jogadas, fato que não acontece.

GILSON KLEINA

Não bastasse todo cenário exposto, dirigentes cometeram erro crasso na troca do treinador Jorginho por Gilson Kleina.

Aí, parcela da mídia também deve assumir o erro de super avaliação sobre Kleina, apenas com base em resultados. Faltou aprofundamento sobre variação do trabalho.

É sabido que Kleina geralmente é bem sucedido com a concepção tática de time fechado e opção por contra-ataque.

Discernimento na escolha de jogadores é questionável. Organização da equipe em campo carece de melhor acabamento. Assim, na gestão dele foi piorado aquilo que era tido de razoável para bom com Jorginho.

Provavelmente em decorrência disso caiu a ficha dequeles ferrenhos defensores do treinador, até então lembrado quando ficava vago o cargo na Ponte Preta.

GUSTAVO BUENO

Em nada acrescentou o pronunciamento raivoso do gerente de futebol Gustavo Bueno, após a derrota para o Vitória, na tentativa de transportar culpa a jogadores.

Cobra-se, sim, de quem tem mais a dar, como Lucas Mineiro, Marquinhos e Roger, por exemplo.

Desde a semana passada claro estava que as aspirações de acesso da Ponte Preta ao Brasileirão não se concretizariam, apesar de alguns ainda terem se apegado à matemática.

Claro estava - e continua - que falta bola para esse time aí. Havia citado que o campeonato da Ponte é não perder o dérbi, até porque os 45 pontos do sossego serão garantidos naturalmente.

UM HOMEM A MENOS

Foi pífio o primeiro tempo da Ponte Preta diante do Vitória, que perdeu o jogador Léo Gomes por expulsão aos 29 minutos, em rigor do árbitro cearense Adriano Bsrros Carneiro.

Antes disso o Vitória se distribuía melhor em campo e chegou ao gol em jogada do rápido e hábil atacante Wesley, aos 18 minutos.

Naquele período a Ponte apenas ameaçou em chute de fora da área de Vico, com a bola batendo na trave.

Era natural que o Vitória fosse se resguardar após o intervalo, e aí errou o treinador Geninho com a permanência do atacante Anselmo Ramon, quando já poderia ter colocado sangue novo no meio de campo.

Com a saída Lucas Mineiro e opção pelo atacante João Carlos, e Arnaldo no lugar de Diego Renan, era natural maior volume ofensivo da Ponte. Apesar disso o time tinha dificuldade de penetração e insistia em bola alçada.

Assim, chances surgiram para a Ponte através de Roger e João Carlos, mas paradoxalmente o gol de empate surgiu numa pixotada de Zé Ivaldo, que colocou a mão na bola dentro da área, em pênalti convertido por Roger.

Se àquela altura o Vitória já se contentava com o empate, a falta de cobertura ao lateral Arnaldo permitiu que Felipe Garcia fizesse jogada pessoal, servisse seu companheiro Jordy, que empurrou a bola pra rede: 2 a 1 Vitória.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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