No Guarani, Carpini cria identidade como treinador

No Guarani, Carpini cria identidade como treinador

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

O futebol também tem as suas razões que a própria razão desconhece. Quem diria que, ao assumir de forma interina o comando técnico do Guarani, o jovem Thiago Carpini fosse carismático. Mostrou a varinha mágica para silenciar críticos da equipe e hipnotizar bugrinos incrédulos, que já viam a viola em cacos.

Daquilo que chamavam de bagaço da laranja, Carpini descobriu que ainda seria possível extrair caldo, e sem parceria direta de coadjuvantes sobre conceitos de futebol, no clube.

De certo, os bons palpites vieram de ex-atletas confiáveis e treinadores de seu tempo de comandado, com os quais ainda mantém ligação.

Ora, o que Carpini teria constatado que seus antecessores 'boiaram'? Seus olhos seriam mais apurados comparativamente a Osmar Loss, Vinícius Eutrópio e Roberto Fonseca, que estão na estrada há mais tempo?

CONFIANÇA

Discurso inicial foi de boleirão, parceiro, pra ganhar confiança.

O convencimento permitiu que induzisse caminhos alternativos de sobrevivência, numa Série B do Campeonato Brasileiro em que quase todos os 'gatos' são pardos.

Por sorte pegou um grupo comprometido ao trabalho. Mesmo nos tempos de Roberto Fonseca, injusto seria não avaliar que já havia entrega dos atletas nos jogos.

Problema é que o time corria errado, por vezes de peito aberto para encarar o adversário. Naquela circunstância o óbvio indicava suporte defensivo pra não sofrer gols.

E mesmo sem convencer nas primeiras partidas sob o seu comando, Carpini viu os resultados chegarem.

Isso teve reflexo fundamental para resgate da confiança do atleta, com claro indicativo de etapa propícia para ajustes gradativos, que se somaram ao inesperado reforço sem custo: meia-atacante Lucas Crispim, integrante do elenco e já recuperado de lesão.

Aí, aquele meio de campo esburacado e explorado por adversários ganhou solidez na pegada, com recomposição de meias e atacantes para fechar espaços. Logo, a defesa parou de reclamar da sobrecarga.

EQUILÍBRIO

Propor o jogo em casa e manifestar equilíbrio enquanto visitante foi característica incorporada pelo Guarani.

O então tímido lateral-esquerdo Thalyson já foi atrevido ao levar a bola à frente. Atacante Davó perdeu o receio de driblar e ser desarmado, para ousar naquilo que fazia na base, a fim de que o futebol dele desabrochasse.

Michel Douglas deixou de ser o centroavante à moda antiga fixado entre zagueiros, para se movimentar pelos lados e se condicionar ao complemento de jogadas ensaiadas no chão, com antecipação a seus adversários.

Assim, com trabalho, perseverança e confiança, Carpini construiu uma identidade no Guarani, com efetivação garantida pelo menos até o final da competição, e quiçá à próxima temporada.

Mesmo que futuramente o espaço seja encurtado no Guarani, já passou na peneira do mercado do futebol, e por isso será absorvido por quaisquer dos clubes de porte médio.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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