Ah se Chamusca e Louzer absorvessem ensinamentos de mestres do passado!

Treinadores de Ponte Preta e Guarani contrariam a lógica

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Rotineiramente tenho visitado o amigo Peri Chaib - ex-dirigente da Ponte Preta - no Estacionamento Maratona, centro de Campinas.

Ali sempre foi ponto de encontro de desportistas da velha guarda, alguns com vasto conhecimento de bola rolando e mumunhas de bastidores, em que é possível absorvê-los e praticá-los.

Ao longo da carreira que supera 40 anos de jornalismo, a convivência com excelência no comando técnico como Zé Duarte, Cilinho, Castilho, Dino Sani e Ênio Andrade me garante citar, sem arrogância, que deu pra aprender um pouquinho desse troço.

Na tentativa de corrigir a lentidão do zagueiro Júlio César, em início de carreira no Guarani, o saudoso Castilho o deslocou à função de volante por um período. “Vai se movimentar bem mais, e isso será bom para ele” profetizou.

CILINHO, DINO E ÊNIO

Em pleno dérbi, Cilinho ousou sacar o lateral-direito Nelsinho Baptista - hoje treinador -, e optou por dois pontas com a entrada de Vicente, deslocando Alan à meia-direita.

Dino ensinou o centroavante Chicão a bater na bola de primeira, e o reflexo foi extraordinário.

O também saudoso Ênio Andrade provou que apesar das limitações do elenco bugrino em meados dos anos 80, era possível melhorá-lo com ligações diretas bem planejadas para que o então ponteiro-direito Chiquinho Carioca fechasse em diagonal e tivesse ótimo aproveitamento nas jogadas.

O meia Neto começou a aprender a pegar bem na bola com treinos repetidos de cobranças de faltas ensinadas por Ênio.

CHAMUSCA

Assim, aquela treinadorzada unia a capacidade de organização de suas equipes à dádiva de extrair o máximo do grupo nos planos técnicos-táticos.

Isso contrasta com os atuais treinadores das equipes de Campinas, que ignoram o óbvio ululante.

Marcelo Chamusca da Ponte Preta, por exemplo, insiste com o irregular Danilo Barcelos na lateral-esquerda, na partida deste sábado contra o Oeste.

Oxalá Chamusca até possa rechaçar as críticas da coluna na hipótese de rendimento aceitável do jogador.

Todavia, em circunstâncias normais, tenho convicção que nenhum dos treinadores citados incorreriam no abuso de manter no time um jogador sem força para chegar ao ataque e com limitações para marcação.

LOUZER

Há vários jogos do Guarani tenho citado que a saída de bola da equipe com o lateral Kevin pela direita tem sido oportuna válvula de escape.

Todavia treinadores adversários - que estudam o estilo do Guarani - têm enfiado um atacante de beirada pelo lado esquerdo do campo, exatamente pra prender o lateral bugrino à marcação.

Pois foi citado ‘centas’ vezes que o treinador Umberto Louzer deveria orientar eficiente cobertura na lateral, para que Kevin tivesse irrestrita liberdade de apoio ao ataque.

Adiantou? Claro que não. Nem volante fixo em cada lado é premeditado. Eles se revezam de setor de forma contínua.

Propositalmente treinadores de equipes adversárias deixam espaço escancarado para que o lateral-esquerdo Pará avance com a bola.

O raciocínio lógico é que o jogador bugrino vai errar e o adversário recuperar a posse de bola para recomeçar as jogadas.

Pra não se aprofundar em outros detalhes debatidos de forma recorrente aqui, fixemos nesses.

Oxalá providências práticas sejam tomadas.

Parece certo que contra o CSA Louzer não vai titubear na escalação imediata de Romário no lugar de Pará.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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