O 'dedo' do treinador francês foi decisivo contra Marrocos

O treinador Didier Deschamps resolveu. Ele foi na 'ferida', outra gíria do futebol. Teve sabedoria e percepção para fazer as trocas necessárias na França.

Mexeu exatamente onde deveria mexer, e a seleção francesa não só equilibrou a partida como criou chances e ampliou a vantagem.

Deschamps, técnico da França
Deschamps segue fazendo história na França (Foto: Fifa - Divulgação)

Campinas, SP, 14 (AFI) – Alô treinador Tite, ex-Seleção Brasileira: vai prestando atenção de como se enxerga esse troço chamado jogo da bola, como ocorreu com o comandante Didier Deschamps na vitória da França sobre Marrocos por 2 a 0, pela semifinal da Copa do Mundo do Catar, nesta quarta-feira.

Tite, se a seleção francesa teve mais presença em campo durante o primeiro tempo, quando construiu a vantagem com o gol do lateral-esquerdo Theo Hernández aos quatro minutos, é natural que você observou que ela passou a ser dominada pelos marroquinos desde o início do segundo tempo, correto?

Aí, quando a perspectiva do gol de empate mostrava-se real, na velha linguagem do futebol dizia-me ‘maduro’ – devido ao volume de jogo dos marroquinos -, o que teria que ser feito na tentativa de mudar aquela situação embaraçosa, prezado Tite?

Mexer no time, a natural resposta da maioria.

Sim, mas mexer onde?

FERIDA

Pois aí é que o treinador Didier Deschamps foi na ‘ferida’, outra gíria do futebol.

Mexeu exatamente onde deveria mexer, e seu time não só equilibrou a partida como criou chances e ampliou a vantagem.

Marrocos explorava com sabedoria o lado direito de seu ataque, através de jogadas do hábil atacante de beirada Ziyech, coadjuvado pelos avanços do lateral-direito Hakimi, que até havia ignorado a missão de ficar marcando Mbappé, transferindo-a para seus companheiros de zaga.

Ora, aplausos para a sabedoria de Didier Deschamps pela percepção que a bola francesa não chegaria trabalhada no centroavante Giroud, e haveria ganho substituí-lo por Thuram, atacante de beirada, o que provocaria o deslocamento de Mbappé por dentro, mas com liberdade para se movimentar, aos 20 minutos do segundo tempo.

Pronto. Mudou tudo.

FRANÇA RESPIRA

Como Thuram é jogador de velocidade, não só provocou incômodo a quem fosse marcá-lo, como passou a fazer a recomposição pelo setor, coisa que Mbappé não faz por motivos óbvios.

Assim, acabou aquela ‘farofa’ de Marrocos pelo lado direito de seu ataque, a França passou a respirar e ampliou a sua vantagem com o gol de Kolo Muani aos 34 minutos, ele que havia entrado no lugar de Dembélé.

Claro que esse irreverente time de Marrocos ainda fustigou e até criou chances para diminuir a vantagem, mas a sabedoria de um treinador como Didier Deschamps tem que ser explicitada, para mostrar a importância do profissional no comando da equipe.

Enquanto isso, Tite cometeu erros de avaliação para escalar o time brasileiro, e as substituições não fugiram de uma ‘decoreba’ plenamente conhecida. 

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