Jefferson admite que reserva no Botafogo contribuiu para decisão de se aposentar

Goleiro também disse se sentir incomodado por receber um dos maiores salários do clube e ficar na reserva

por Agência Estado

Rio de Janeiro, RJ, 17 - O goleiro Jefferson falou com os jornalistas nesta quinta-feira. Titular no Botafogo desde a lesão de Gatito Fernández, ocorrida em 23 de abril pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, o veterano de 35 anos admitiu que o banco de reservas pesou na decisão de se aposentar ao final da temporada.

"Nunca falei que iria parar por causa da idade. 35 anos, para goleiro, ainda é novo. Daria para jogar mais umas três temporadas. Mas ninguém sabe muito o que a gente passou para chegar até aqui. Essa lesão que tive... vinha num momento bom, sempre tive valorização. Mas quando você fica parado um bom tempo, perde espaço, perde prestígio. A questão de não estar jogando, só no treinamento... Isso tudo pesa", afirmou o goleiro.

Mas também não foi só isso. Jefferson também disse se sentir incomodado por receber um dos maiores salários do clube e ficar na reserva. "Sei que tenho que pensar em mim, na minha família. Mas envolve muita coisa. Estou recebendo e fico no banco. A vida não é só dinheiro. Me cobro muito pelo que recebo no Botafogo. Penso no Botafogo", prosseguiu.

Jefferson sofreu uma grave lesão no cotovelo em maio de 2016 e ficou pouco mais de um ano parado. O problema acabou com os planos de ele representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio. Também custou duas cirurgias, duas demissões no departamento médico do clube e ainda a tristeza em se ver fora da briga por uma vaga na Copa do Mundo.

SEM LAMENTOS
Tudo isso, ele conta, pesou na decisão de deixar os gramados no final do ano. Mas o goleiro evita se lamentar. "Já me sinto realizado. Tudo que passei foi maravilhoso. Já subi, já caí, já venci, representei o Botafogo na seleção... Já me sinto realizado", disse.

Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Os planos para o futuro ainda estão em aberto. Jefferson disse que ninguém ainda o procurou para tentar uma renovação de contrato ou propor algum novo cargo após a aposentadoria. Ele acha que os dirigentes do clube ainda esperam que ele desista da ideia de se aposentar. "Muitos ainda não acreditam. O próprio presidente disse em entrevista que espera conversar comigo", afirmou.

A ideia de encerrar a carreira ao término da atual temporada, segundo ele, está mais do que certa. Ele só não sabe o que fará a partir do ano que vem. "Creio que depois, quando as coisas começarem a caminhar, aparecerão outras oportunidades. Sempre me identifiquei com o Botafogo e espero que possa acontecer uma nova parceria, representar o Botafogo em outros lugares, outros estados, por exemplo. Mas para isso preciso de conhecimento, preciso estudar, me especializar", afirmou.

Jefferson volta a campo com o Botafogo no próximo domingo, às 16 horas, no duelo contra o América-MG, no estádio Independência, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. O time alvinegro ocupa a sexta colocação na tabela, com oito pontos, a apenas dois de distância do líder Flamengo.

TREINO
Nesta quinta-feira, o treino do Botafogo contou com duas novidades. Gatito Fernández, que ainda não tem previsão de voltar aos gramados, apareceu para trabalhar a parte física sem o gesso que protegia o punho.

O meia Valência participou normalmente das atividades. O jogador ficou fora do clássico contra o Fluminense na última segunda-feira por dores musculares na coxa direita. A tendência é que fique à disposição para o duelo de domingo.