Infantino volta a pedir ao Irã que permita a entrada de mulheres em seus estádios

"Nossa posição é clara e firme. É preciso ter a entrada de mulheres nos estádios de futebol no Irã", disse o presidente

por Agência Estado

Campinas, SP, 19 - Gianni Infantino, presidente da Fifa, reiterou, nesta quinta-feira, a necessidade de o Irã permitir o acesso de mulheres aos estádios de futebol no país, que no mês que vem será sede de uma partida válida pelas Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2022.

CHAMOU À ATENÇÃO

O assunto ganhou atenção internacional quando Sahar Khodayari, uma ativista de 29 anos, morreu este mês depois de atear fogo ao próprio corpo nos arredores de um tribunal.

Khodayari havia sido presa por se vestir como um homem para entrar em um estádio de futebol e teria de cumprir uma pena de seis meses na cadeia.

HORA DA MUDANÇA

Infantino afirmou, por meio de um comunicado, que "agora é a hora de mudar as coisas e a Fifa espera que coisas positivas comecem a acontecer no próximo jogo do Irã em casa".

"Entendemos que devem ser tomadas medidas e processos necessários". (Foto: Divulgação)

A seleção asiática mais bem colocada no ranking da Fifa (23.ª colocada) recebe o Camboja, no estádio Azadi, em Teerã, no dia 10 de outubro.

E o mandatário da máxima entidade do futebol pediu repetidamente ao Irã que suspenda a proibição que está em vigor há 40 anos e foi imposta após a Revolução Islâmica, em 1979.

POSIÇÃO

Estatutos da Fifa proíbem a discriminação por suas federações e poderiam suspender a seleção iraniana de competições internacionais.

"Nossa posição é clara e firme. É preciso ter a entrada de mulheres nos estádios de futebol no Irã", disse Infantino, que recebeu garantias em uma reunião de março de 2018 com o presidente iraniano Hassan Rouhani.

TRÉGUA

O Irã relaxou momentaneamente a regra proibitiva em novembro, quando centenas de mulheres foram selecionadas para estar no estádio em Teerã para uma partida da final da Liga dos Campeões da Ásia.

NOVA TENTATIVA

A nova tentativa de Infantino de pressionar o Irã não impressionou o Open Stadium, grupo de mulheres que faz campanha pelo fim da proibição.

"Isso tem menos força que a carta anterior endereçada ao governo do Irã e refere-se apenas a jogos de qualificação para a Copa do Mundo", afirmou o grupo em sua conta no Twitter.

MEDIDAS NECESSÉRIAS

A Fifa colocará funcionários nos estádios no Irã para averiguar se a proibição será encerrada. "Entendemos que devem ser tomadas medidas e processos necessários para que isso possa ser feito de maneira apropriada e segura", afirmou Infantino.