CBF amarra as Federações e vai ter Rogério Caboclo como candidato único da Situação

Ex-tesoureiro da Federação Paulista e executivo da CBF, Caboclo vai defender os interesses de Marco Pollo na CBF

por Agência Futebol Interior

Rio de Janeiro, RJ, 8 (AFI) – O futebol brasileiro sofre um novo golpe. Numa manobra do presidente afastado pela Fifa, Marco Pollo del Nero, ficou definido nesta quinta-feira que o diretor executivo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Cabaclo, vai ser candidato único na eleição da entidade, que deve ser marcada para dia 17 de abril.

Andrés Sanches, presidente do Corinthians, não ficou em cima do muro e qualificou esta movimentação como um golpe para o futebol brasileiro e chamou Caboclo de um mero fantoche nas mãos de Del Nero.

SISTEMA ANACRÔNICO

Rogério Caboclo: um executivo em breve num cargo político
Rogério Caboclo: um executivo em breve num cargo político

Amparado pelo sistema anacrônico que rege as eleições da entidade, Caboclo fechou o número de 20 Federações para se lançar candidato. A exigência regimental é de oito Federações e cinco clubes.

Ele só precisa do apoio de cinco clubes, mas isso não parece difícil para quem presenteou 27 presidentes com ida para a Copa da Rússia.

Ao mesmo tempo, isso inviabiliza o lançamento de outro candidato. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), era o preferido dos clubes. E o mais forte candidato, se pudesse concorrer neste curral de cartas marcadas.

AMARRAÇÃO NO NORTE-NORDESTE
Da mesma forma que acontece na política do Brasil, o futebol também pode ser definido pelo apoio das menores Federações localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Todos estes presidentes estavam reunidos num hotel na Barra da Tijuca. Aconteceram reuniões separadas e em grupo, formatando a candidatura do sucessor de Marco Pollo del Nero.

O compromisso está firmado, embora nem todas as assinaturas tenham sido colhidas. Mas o resultado desta ação rasteira já foi suficiente para desanimar pretensos candidatos à CBF, como o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.

A lista deve ficar pronta na sexta-feira, quando vão chegar ao Rio de Janeiro presidentes de Federações da região Sul como Paraná, santa Catarina e Rio Grande do Sul. Eles devem ir ao lado da maioria já formada neste bloco da situação.

RESISTÊNCIA INÚTIL
Mas quando o dia começou, muitos dirigentes estavam sem uma posição definida. Nesta briga de bastidores valeu a força e o poder da CBF.

Grandes Federações foram contra este bloco situacionista como São Paulo (maior do país), Minas Gerais e Rio de Janeiro. A direção da CBF ainda tentou demover Reinaldo de lançar candidato, mas ele resistiu. Ele não viajou ao Rio de Janeiro e tentou articular em São Paulo, onde ele conta com o apoio de todos os clubes votantes – aqueles das Séries A e B do Brasileiro.

Reinaldo Carneiro Bastos é representante da CBF na Conmebol – Confederação Sul-Americana – e também vice-presidente da entidade. Ele teria o apoio de Marco Pollo para ser o presidente da entidade sul-americana na próxima eleição, caso desistisse de sua candidatura.

Reinaldo recusou o convite para ser um dos vices da CBF e de chefiar a delegação brasileira na Copa do Mundo.

CLUBES EM SEGUNDO PLANO
O ‘ataque’ às Federações foi uma estratégia utilizada para garantir logo a maioria dos votos. São 27 Federações, mas elas têm peso três na eleição.

Votam também os 20 clubes da Série A, com peso dois, e os 20 clubes da Série B, com peso um.

O grande vitorioso deste processo manipulável foi mesmo marco Pollo del Nero. Perseguido pelo FBI americano ele nunca mais deixou o Brasil após a prisão de José Maria Marin, ex-presidente, na Suíça. Depois foi suspenso por três meses pelo Comitê de Ética da Fifa.

A sua suspensão acaba daqui a uma semana, quando ele ter uma volta triunfal à cadeira da presidência. E tempo suficiente para eleger ‘seu protegido’ e que vai servir como escudo para eventuais investigações que possam surgir contra a CBF, uma entidade privada e independente. Mas totalmente manipulável.

Marco Pollo e Rogério Caboclo num ambiente propício para manipulações e política do toma lá, da cá. Foto: Oficial/CBF
Marco Pollo e Rogério Caboclo num ambiente propício para manipulações e política do toma lá, da cá. Foto: Oficial/CBF
 
 
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