Torcida lota Arena Condá e faz emocionante homenagem à Chapecoense

Mais de 20 mil torcedores estiveram no estádio para dar apoio aos familiares dos 19 jogadores, comissão técnica e jornalistas, mortos

por Agência Futebol Interior

Chapecó, SC, 30 (AFI) - 'Sempre estarei contigo', foi com essa canção que a torcida da Chapecoense iniciou a cerimônia na Arena Condá, em homenagem aos 19 jogadores, além de comissão técnica, jornalistas e tripulantes mortos no acidente aéreo ocorrido na madrugada desta terça-feira, à caminho da Medellín, onde o Verdão do Oeste faria a final da Copa Sul-Americana, diante do Atlético Nacional. IMAGENS: Globoesporte.

A Arena Condá recebeu um belo público na noite desta quarta-feira, alguns torcedores chegaram a ficar de fora do estádio tamanho a quantidade de pessoas. Um misto de paixão e emoção era visto nas arquibancadas. Muitos não aguentavam e derrubavam lágrimas conforme a música rolava.

No campo, amigos e familiares das vítimas se misturavam, enquanto nas arquibancadas eram vistos até mesmo torcedores do Criciúma, deixando a rivalidade em segundo plano. O mascote da Chapecoense, o Índio puxava a galera em cada grito de guerra para homenagear os jogadores. Foram colocados telões do lado de fora de campo.

Hoje (quarta-feira) a gente tenta, mas não dá. É preciso de força, mas agora é difícil", disse Cleiton sem tirar a fantasia.

A homanegem foi bonita, torcedores gritavam o nome de todos os jogadores falecidos no fatídico acidente. Martinnuccio, Hyoran, Nivaldo e os demais jogadores que não viajaram, marcaram presença na Arena Condá. Conforme a luz do estádio ia diminuindo, os torcedores acendiam as luzes dos celulares, deixando as arquibancadas iluminadas.

Torcedores fizeram uma bonita homenagem à Chapecoense
Torcedores fizeram uma bonita homenagem à Chapecoense

MAIS HOMENAGENS
O hino da Chapecoense começou a ser tocado na Arena Condá e a torcida acompanhava com palmas, a emoção era grande. Um vídeo feito pelo Atlético Nacional também foi passado pelos telões colocados no estádio. O time colombiano teve uma postura como poucos, pedindo que o Verdão ficasse com o título da Sul-Americana.

Os jogadores mirins, da base da Chapecoense também estavam nos gramados. A reconstrução passará pelas mãos e pés das jovens promessas. Antes da celebração religiosa, o foco ficou em cima dos torcedores, com bandeiras de Bruno Rangel, maior artilheiro da história da equipe, e de Fabiano. O jogador do Palmeiras, o último a marcar um gol no Verdão do Oeste, apareceu aos prantos. Ele já atuou pelo time catarinense.

Jogadores que não viajaram à Medellin - Olé
Jogadores que não viajaram à Medellin

Após a missa, a torcida voltou a tomar conta da Arena: "Sou Chapecoense, com muito orgulho, com muito amor". Enquanto os jogadores da base davam uma volta no gramado, ao lado dos mascotes da equipe e os demais atletas que não viajaram, todos muito emocionados.

"O que se vivia era um sentimento fraternal de família", lembrava o padre. O religioso fez com que o estádio inteiro repetisse o Pai Nosso em coro. Nas arquibancadas, muita gente foi às lágrimas nesse momento. "Acendam os seus celulares agora. À luz que vocês estão vendo é a luz de Deus no meio de nós", falou o padre Igor.

A celebração terminou com uma singela homenagem no telão. Nome de cada um dos 71 mortos apareceram nos telões. Arrepiados, os torcedores não pouparam a garganta e gritaram em alto e bom som a frase: "É campeão".

Mesmo após o fim da linda homenagem. Alguns torcedores continuaram no estádio e seguiam cantando, sem arredar um pé sequer. Confira AQUI um pouco mais dessa linda homenagem!

"Eu vou acampar no estádio até os corpos chegarem. Fico aqui o tempo que for preciso", disse Cristiano William Filho, de 19 anos, membro da Torcida Jovem da Chapecoense.

"Isso aqui é uma família. Foi como assistir uma celebração em família. Minha vontade é abraçar todo mundo. Aliás, todo mundo aqui está se sentindo abraçado", falou a professora universitária Mariângela Torres, de 59 anos. "Nessa hora, era pra gente estar vendo o jogo", completou o torcedor Aníbal Ferreira, de 48. "Por isso, não quero ir embora desse estádio. Vou ficar aqui como se estivesse assistindo o jogo do meu time", afirmou.

"A Chapecoense amanheceu mais cinza, mas o mundo ficou mais verde, verde de esperança, da Chapecoense", singela homenagem do Futebol Interior.