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ARIOVALDO IZAC

Tem mais culpados, além de Louzer, pela situação do Guarani

Prevaleceu a máxima no futebol que 'futebol é resultado'. Ganhou tá dentro; perdeu, rua. Seria só ele o responsável pela debacle? Claro que não.

O erro principal desta situação é dos cartolas bugrinos, meros aprendizes de futebol, a começar pela busca de um executivo de futebol

Umberto Louzer - Guarani
Umberto Louzer envolvido em problemas. (Foto: Thomaz Marostegan/Guarani FC)

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Campinas, SP, 9 (AFI) – Prevaleceu a máxima no futebol que ‘futebol é resultado’. Ganhou tá dentro; perdeu, rua.

Que o treinador Umberto Louzer teve a sua parcela de culpa no insucesso do Guarani, nas seis primeiras rodadas do Paulistão, os fatos estão aí e não há como desmentir.

Seria só ele o responsável pela debacle?

A resposta clássica é que não se pode mandar embora parte do elenco que desaprova em campo, e nesta circunstância o jeito é demitir o comandante, na expectativa de um recomeço.

O erro principal desta situação é dos cartolas bugrinos, meros aprendizes de futebol, a começar pela busca de um executivo de futebol que, com o maior orçamento financeiro da última Série B do Brasileiro, não conseguiu fazer com que o Ceará sequer entrasse na briga pelo acesso ao Brasileirão.

Aí, Juliano Camargo veio para o Guarani falando grosso, mostrando aos cartolas principiantes que era entendedor da matéria, e foi contratando.

Hoje, constata-se que o Guarani sequer conseguiu reposição à altura das peças perdidas, principalmente o atacante Bruno José.

HOMENS DA BOLA

A falta de gente da bola na cúpula diretiva do Guarani implica em sequer buscar diagnóstico para a brutal queda de rendimento de jogadores como o lateral-esquerdo Mayk, e principalmente o meio-campista Matheus Bueno e atacante João Victor.

O que teria ocorrido com esses atletas para não renderem aquilo que já demonstraram?

A instabilidade de Mayk vem desde o ano passado, mas achar que Welder, da mesma posição, faria sombra, foi um equívoco.

LOUZER: VIRTUDES E DEFEITOS

Apregoar que Louzer seja treinador fraco é um equívoco.

Um profissional fraco não conquista título do Campeonato Catarinense, como ocorreu com ele, no comando da Chapecoense.

Não se pode ignorar que ele foi responsável pelo crescimento de produção de Bruno José, quando adicionou, para ele, o papel tático de atacante de beirada que flutua por dentro para concluir jogadas.

O então aceitável aproveitamento de finalizações do Guarani, de fora da área, como em etapa da última Série B, foi obra de repetidos treinamentos de Louzer.

Portanto, ele até busca a melhor preparação da equipe no pré-jogo, mas ainda precisa evoluir quando a bola rola.

MESMAS SUBSTITUIÇÕES…

Um dos erros frequentes é repetir substituições dos mesmos jogadores, independentemente do cenário.

Cabem dois exemplos claros da falta de melhor visão com bola rolando, em suas partidas.

Peguemos o jogo contra o Santos, quando ele foi envolvido taticamente pelo hábil adversário Fábio Carille, que fazia a sua equipe rodar a bola na faixa direita do campo, chamar a boleirada do Guarani para o cerco, e de repente ocorria a virada de jogo para o lado oposto, prevendo-se encontrar o veloz atacante Guilherme livre de marcação, devido ao erro de posicionamento do lateral-direito bugrino Heitor, que igualmente fechava por dentro e ignorava a obrigatoriedade de marcar Guilherme.

E Louzer não corrigiu aquele defeito, mesmo tendo a opção de ordenar ao desobediente atacante de beirada Reinaldo que fizesse a devida recomposição, para não permitir liberdade a Guilherme, naquela partida.

UM AJUDA, OUTRO É PASSIVO

Por sinal, nem se compara a dedicação de Bruno José para recomposição, com a passividade de Reinaldo.

Ainda contra o Santos, quando o quarteto defensivo do Guarani adiantou as linhas, no segundo tempo, sem que tivesse jogador na sobra, Carille bem observou o cenário e orientou o seu time para fazer lançamentos, pouco aquém do meio de campo, nas costas dos defensores bugrinos, e aquilo fez o seu Santos ser bem-sucedido.

Contra a Inter de Limeira, registro para outro exemplo de vulnerabilidade na marcação bugrina, no lado direito de sua defesa, porque o inconstante Reinaldo não acompanhava o lateral-esquerdo Zé Mário, que avançava seguidamente para ajudar na construção das principais jogadas ofensivas de sua equipe.

BASE

Louzer tem demonstrado ser avesso ao aproveitamento de jogadores da base, mesmo aqueles com projeção de crescimento.

Ora, ao observar jogadores de seu elenco com rendimento inferior ao esperado, seria necessário recorrer à base, até porque o Guarani deixou impressão favorável durante a última Copinha.

JAIRO BLUMER

Enquanto não chega o substituto de Louzer, a vaga de treinador interino fica com Jairo Blumer, que comandou a equipe na Copinha.

Em curto tempo para remendar alguma coisa aqui e outra acolá, o que ele poderá fazer diante de um estruturado adversário como o Novorizontino, em Novo Horizonte, na noite de segunda-feira?

Provavelmente deve optar por um esquema tático bem fechado, com opção de usar velocidade nos contra-ataques.

Seja como for, de uma forma ou de outra, o Guarani precisa somar ponto(s), pois metade da primeira fase já ficou para atrás, e jogos contra adversários credenciados ainda virão, como São Paulo e Bragantino.

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