Ponte Preta descarta W.O. na Série B e vê SAF como única saída

Eberlin tentou esclarecer os episódios recentes e indicou a transformação do futebol em SAF como a saída inevitável para evitar o colapso alvinegro

A incerteza sobre a presença da Ponte no confronto de domingo ganhou força após o elenco interromper as atividades no CT do Jardim Eulina

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Marco Antônio Eberlin, VP da Ponte Preta - Foto: Diego Almeida / PontePress

Campinas, SP, 27 (AFI) – Apesar do forte turbilhão nos bastidores, a diretoria da Ponte Preta assegura que o time entrará em campo no próximo domingo (30), contra o América-MG, pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

Em meio à paralisação dos treinamentos por atrasos salariais e ao pedido de demissão do técnico Márcio Zanardi, o vice-presidente e diretor de futebol do clube, Marco Antônio Eberlin, descartou qualquer possibilidade de não realizar a partida.

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Admitindo o caos financeiro vivenciado no Moisés Lucarelli, o dirigente concedeu entrevista à Rádio Bandeirantes Campinas para esclarecer os episódios recentes e indicou a transformação do futebol em SAF como a saída inevitável para evitar o colapso alvinegro.

A incerteza sobre a presença da Macaca no confronto de domingo ganhou força após o elenco interromper as atividades no CT do Jardim Eulina. Contudo, Eberlin garantiu que a equipe cumprirá o compromisso na competição nacional.

“Não trabalhamos com o W.O. no domingo. Um novo treinador já estará no clube na quinta-feira e estamos buscando as soluções para colocar um time à disposição contra o América-MG”, cravou o dirigente, reforçando a necessidade de união: “É o momento de reunir todos os esforços para solucionar o máximo possível dos problemas”.

GREVE DOS ATLETAS

O movimento de greve dos atletas ocorreu na reapresentação de quarta-feira. Após conversas com a comissão e com o coordenador João Brigatti, os jogadores pararam os trabalhos até que haja uma sinalização de pagamento. De acordo com Eberlin, a diretoria compreende o protesto e busca soluções amigáveis.

“Eu falo com os meus jogadores todos os dias, até porque eles querem cobrar e tem que cobrar o staff maior”, explicou o cartola, destacando que atletas com salários em dia aderiram à paralisação em apoio aos colegas mais prejudicados.

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“Alguns jogadores não treinaram hoje por serem solidários a outros jogadores. Jogadores que estão com o salário em dia ali são vários. Eles não podem deixar de treinar. Mas eu também não vou arrumar um confronto com o meu elenco, não sou juvenil, pô, vocês vão treinar na marra, de jeito nenhum”, ponderou, citando casos graves: “Isso foi uma situação de solidariedade, principalmente com cinco jogadores que têm um atraso maior no clube, da ordem de seis meses”.

SAÍDA DE ZANARDI

A crise se aprofundou com o pedido de demissão de Márcio Zanardi, que deixou o comando sem vencer nenhuma partida em 12 jogos (dez derrotas e dois empates). A decisão do treinador ocorreu logo após ser informado de que a Ponte não conseguiria derrubar as punições de transfer ban para registrar reforços contratados. Eberlin revelou ter orientado o profissional a ponderar os impactos do momento do clube em sua própria carreira.

“Eu falei pra ele que chegou a hora dele pensar nele. Eu deixei na mão dele. Falei: olha, isso aqui está prejudicando a sua carreira. Você fica à vontade, eu não quero que você vá embora, agora pense em você também”, contou o vice-presidente.

Mesmo com o encerramento do trabalho, o dirigente frisou que o respeito mútuo prevaleceu: “Se você entender que é a hora de sair, eu vou entender também, e nós terminamos o nosso relacionamento aqui como técnico da Ponte, mas construímos uma amizade muito grande”.

SAF COMO SOLUÇÃO

Pressionada pela lanterna da Série B — onde soma apenas dez pontos e carrega um jejum de 18 rodadas sem vitória —, a Ponte Preta vê na reestruturação empresarial o único caminho plausível. Historicamente opositor do modelo, Eberlin admitiu que mudou de postura diante do cenário dramático.

“Existe uma hecatombe financeira e a única solução de resolver essa hecatombe é transformando a Ponte Preta numa sociedade comercial, numa sociedade anônima. Eu sempre fui contra e ainda sou contra, porque eu queria esse escudo sendo da torcida, sendo do seio do pontepretano. Mas hoje a única maneira de dar uma condição da Ponte Preta se reestruturar é com dinheiro externo”, argumentou.

O dirigente explicou como seria a atuação da associação caso o modelo seja implementado no clube.

“A diretoria da Ponte vai trabalhar de supervisora da SAF. De todas as exigências que o Conselho falava, pode aprovar esse contrato. Aí a diretoria que estiver naquele mandato, através de um bom escritório de advocacia, entendedor desse assunto, vai cobrar as obrigações e deveres de quem tiver na frente da sociedade comercial ou do departamento de futebol”, esclareceu.

RITO BUROCRÁTICO

Por fim, o vice-presidente detalhou o rito burocrático necessário no estatuto da Macaca para chancelar a mudança:

“O Torrano não tem autonomia nenhuma para aprovar nada. Ele vai se cercar de todas as garantias e vai mandar para o Conselho Fiscal. O Conselho Fiscal vai verificar se isso é viável ou não, vai enviar para a mesa diretora, e a mesa diretora recebe e passa para o plenário. Precisa de dois terços do Conselho Deliberativo para aprovar. E depois mais dois terços da Assembleia para aprovar”.

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