Sem salários e respostas: por que elenco da Ponte diz se sentir abandonado

Falta de pagamento passou a ser acompanhada pela ausência de respostas, garantias e uma solução concreta para o cotidiano

Atletas afirmaram que alguns integrantes do grupo acumulam até seis meses de salários e direitos de imagem pendentes

Atletas da Ponte Preta durante aquecimento (Foto: Marcos Ribolli-PontePress)
Atletas da Ponte Preta durante aquecimento (Foto: Marcos Ribolli-PontePress)

Campinas, SP, 26 (AFI) – A palavra “abandono” utilizada pelos jogadores da Ponte Preta ao anunciar a greve resume uma crise que não se limita aos salários atrasados. Na avaliação do elenco, a falta de pagamento passou a ser acompanhada pela ausência de respostas, garantias e uma solução concreta para o cotidiano do clube.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (26), os atletas afirmaram que alguns integrantes do grupo acumulam até seis meses de salários e direitos de imagem pendentes. Segundo a manifestação, funcionários de outros setores também enfrentam atrasos.

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ENTENDA

Os jogadores já haviam tornado pública a insatisfação uma semana antes. Na ocasião, estabeleceram a última terça-feira (25) como prazo para a regularização dos débitos e avisaram que poderiam interromper as atividades.

O prazo terminou sem que houvesse, de acordo com o elenco, o pagamento dos valores ou a apresentação de garantias. Os atletas compareceram ao CT do Jardim Eulina nesta quarta, mas não participaram do treinamento e deixaram o local.

“Além dos atrasos recorrentes, não temos qualquer satisfação ou garantia por parte da atual diretoria. Nosso sentimento é de abandono”, afirmaram os jogadores.

A declaração expõe uma ruptura na relação entre o elenco e os dirigentes. Quando procurada pelo UOL depois do início da paralisação, a Ponte Preta optou por não se manifestar sobre as reivindicações apresentadas pelos atletas.

SAF DEIXOU DE REPRESENTAR UMA SOLUÇÃO IMEDIATA

O processo de transformação da Ponte Preta em Sociedade Anônima do Futebol era tratado internamente como uma possível saída para a crise financeira. A expectativa, entretanto, deu lugar a uma nova indefinição.

A assembleia convocada para votar a proposta de venda da SAF terminou sem uma decisão na última segunda-feira (24). O encontro foi marcado por confusão e pela apresentação de decisões judiciais que impediram o prosseguimento da votação.

A proposta colocada em discussão prevê um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão, dividido entre o pagamento de dívidas, aportes no futebol e obras de infraestrutura. Sem a aprovação, porém, o dinheiro não pode ser considerado uma solução disponível para as obrigações atuais.

Para os jogadores, o adiamento ampliou a “nuvem de incerteza” sobre o futuro do clube. O elenco havia defendido publicamente a conclusão da negociação como uma forma de recuperar a estabilidade financeira da Ponte.

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BLOQUEIOS E SAÍDAS ENFRAQUECERAM O ELENCO

A crise também interfere diretamente na montagem da equipe. A Ponte acumula três punições que impedem o registro de novos jogadores — duas aplicadas pela Fifa e uma pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).

Com os bloqueios, reforços contratados pelo clube não puderam ser utilizados. Paralelamente, a diretoria perdeu atletas experientes durante a Série B, alguns deles insatisfeitos com os atrasos.

David Braz, William Pottker, Diogo Silva, Diego Tavares e Tárik estão entre os jogadores que deixaram o clube ao longo da temporada. As saídas reduziram as opções da comissão técnica e aumentaram a necessidade de utilização de jovens formados nas categorias de base.

MAIS DETALHES

Dentro de campo, os efeitos da instabilidade são evidentes. A Ponte foi rebaixada no Campeonato Paulista depois de somar apenas um ponto e ocupa a lanterna da Série B, distante da primeira equipe fora da zona de rebaixamento.

Menos de um ano após conquistar a Série C, o clube corre o risco de sofrer a segunda queda na mesma temporada. A greve acrescenta uma preocupação imediata: a Ponte tem partida marcada contra o América-MG no domingo (30).

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