Torcedora Conceição comemoraria 83 anos neste 18 de maio

Torcedora Conceição comemoraria 83 anos neste 18 de maio

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Dezoito de maio era dia esfuziante para Maria Conceição Rodrigues, torcedora símbolo da Ponte Preta.

Era dia de repetir incansavelmente 'muito obrigada' pelas dezenas de cumprimentos que recebia pelo aniversário.

Ela morreu no dia dois de setembro de 2018, aos 81 anos de idade, em Hortolândia, mas deixou uma história eternizada.

Pois saibam que ela já se sacrificou viajando em porta-malas de um automóvel Opala para assistir à uma partida da Ponte Preta em Bauru.

Em 1980, pouco menos de uma hora da madrugada de uma quinta-feira, sem o jantar, ‘matou’ a fome através de um pão com manteiga e pingado na estação rodoviária de Marília, após derrota da Ponte Preta, pagos pelo saudoso radialista Geraldo Carreira, pois ela jurava não ter 'um tostão' no bolso, além da passagem de volta.

ARBITRAGEM

Imaginem quem esperava a chegada dos representantes da arbitragem no portão correspondente do Estádio Moisés Lucarelli, para cobrá-los acintosamente sobre atuação decente.

Imaginem quem só faltava morder o alambrado quando o bandeirinha marcava impedimento inexistente do ataque pontepretano.

Imaginem quem fazia rifa pra se programar em viagens dos jogos da Ponte Preta.

Imaginem a coragem de trocar o marido pela Ponte Preta, quando intimada para escolhe entre um ou outro.

Não imagine mais. Aquela Maria Conceição Rodrigues, que fazia coisas que até Deus duvidava, continuou com as suas maluquices até quando o destino havia lhe reservado passar o resto da vida em cadeira de rodas, embora, à época, tivesse fé de que ainda voltasse a andar. “Se Deus quiser ainda vou ferver naquele campo da Ponte”, confiava.

E chorou copiosamente quando em dezembro de 2013 foi desmanchado o sonho de a sua Ponte Preta conquistar o título da Copa Sul-Americana, na derrota para o Lanús, na Argentina.

PELÉ E ROMÁRIO

Com o seu jeito original e a singularidade como propagava o nome da Ponte Preta, Conceição passou a ser respeitada e admirada por jogadores de equipes adversárias, tanto que já foi presenteada por Pelé e Romário com as respectivas camisas.

Na entrevista que antecedeu a frustração da final da Sul-Americana, a fala era cortada pelo choro. A dor n’alma era intensa ao lembrar que toda coleção de camisas ganhadas de jogadores da Ponte e dos outros clubes desapareceram durante o período de internação hospitalar.

De lembranças de brindes ou objetos alusivos à Ponte Preta, havia restado apenas uma xícara de café, que gentilmente oferecia aos visitantes.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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