Tite tem parcela de culpa sim, mas não é justo escorraçá-lo

Com a eliminação, torcedor brasileiro busca culpados

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Abaixo, análise sobre as classificações de Inglaterra e Croácia à fase semifinal da Copa do Mundo.

Como de praxe, em eliminações de copas do mundo da Seleção Brasileira, são inevitáveis enxurradas de críticas.

Daquelas direcionadas ao treinador Tite, considere algumas pontuais e releve a maioria.

Não fosse ele, a Seleção Brasileira sequer teria se classificado nas Eliminatórias à Copa.

O time fazia campanha deplorável, rifaram o antecessor Dunga, e Tite conseguiu revitalizar o grupo.

Às vésperas de Copa, resultados em amistosos eram satisfatórios, e a equipe cotada como uma das favoritas à conquista.

Aí, imponderáveis do futebol foram surgindo.

Três meses de recuperação de Neymar tiraram dele o protagonismo, aquelas arrancadas enfreáveis.

Logo, se supostamente poderia fazer a diferença, integrou a escala de ‘mais um’.

Se outrora o futebol brasileiro contava com uma leva de jogadores qualificados em cada posição, e por isso vários deles eram ‘injustiçados’ na relação de convocados, hoje é possível enumerar no máximo 16 bons jogadores irreparáveis daquele grupo que estava na Rússia.

LATERAIS-DIREITOS

Até entre os titulares havia ressalva. Ou acham que os laterais-direitos Facner e Danilo têm nível pra jogar uma Copa do Mundo?

Pouco gente levou em conta a raridade de bons laterais-direitos de brasileiros, e sobre a ausência sentida de Daniel Alves, lesionado.

Quando o volante Casemiro teve que cumprir suspensão, ficou claro que não havia no grupo um substituto à altura.

Fernandinho sequer deveria estar lá? Sim, mas quem levar? Talvez Artur, do Grêmio. Não dá pra apontar outro nome que se encaixaria perfeitamente no grupo.

É justo quando criticam Tite pelo conservadorismo e paternalismo, coisa típica de profissional de clube, quando é praxe treinador ‘fechar’ questão com titulares, para que os tenha nas mãos.

Essa é uma lição que certamente Tite aprendeu. Nada de paternalismo. Correspondeu fica. Ficou devendo sai.

'CACHORRO MORTO'

Analista de futebol não deve ser oportunista pra chutar 'cachorro morto'.

No empate contra a Suíça, quando Paulinho desguarnecia demasiadamente a posição pra chegar ao ataque, citei essa desproporção, pois deixava buraco na marcação, e também não fazia papel de organizador, e sim condutor de bola.

Até sugeri a entrada de Renato Augusto na função, mas o máximo que Tite conseguiu de Paulinho foi tirar um pouco daquele ímpeto de atacar o tempo todo.

Já os analistas rasgavam elogios para a tal 'chegada surpresa' ao ataque, que na prática era contínua, e não surpresa.

Tite toma ‘lambada’ porque demorou pra colocar Douglas Costas no jogo contra a Bélgica.

Os críticos tinham convicção sobre a real estágio de recuperação do jogador? Falar depois é fácil.

Que houve persistência demasiada com Gabriel Jesus, ninguém duvida.

E aqueles que cobraram insistentemente a escalação de Firmino acham que ele seria solução?

Jogador apenas razoável, tanto que participou de meio tempo contra a Bélgica e não jogou nada.

Futebol é resultado, dizia frequentemente o ex-treinador Jair Picerni.

Se apenas mais uma bola entrasse naquele ‘mundaréu’ de oportunidades de gols criadas pela Seleção Brasileira, a história poderia ter sido outra, com chances na prorrogação e pênaltis.

Portanto, é hora de reflexão. Nada de derrubar o caminhão de melancia e achar que está tudo errado.

Adaptações precisam ser feitas sim, e vamos voltar a discutir outros detalhes sobre elas.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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