Palmeiras vencia terceiro Rio-São Paulo de sua história há 55 anos

Equipe conhecida como "Academia de Futebol" teve uma campanha consistente, com 12 vitórias e apenas uma derrota

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 23 - Excelência, classe e técnica: assim que ficou conhecido o elenco do Palmeiras da década de 60, a famosa “Primeira Academia”, com Valdir Joaquim de Morais, Ademir da Guia, Dudu, Djalma Santos, Djalma Dias, Servílio e tantos outros mestres do futebol. Foi esse elenco, recheado de craques, que, no dia 23 de maio de 1965, conquistou o Torneio Rio-São Paulo daquele ano, a primeira conquista interestadual do elenco.

Naquele ano, foi a primeira vez que o campeonato seria dividido em dois turnos. No primeiro, as equipes foram separadas em dois grupos -um com cariocas e outro com paulistas- mas todos jogavam entre si. Para a segunda perna, eram eliminadas as equipes que conquistassem o menor número de pontos de cada chave, formando um único grupo, com todos se enfrentando novamente. O campeão seria decidido em um jogo entre os campeões de cada turno, mas isso não foi preciso.

Palmeiras vencia terceiro Rio-São Paulo de sua história há 55 anos
Palmeiras vencia terceiro Rio-São Paulo de sua história há 55 anos
No primeiro turno, o Palmeiras venceu sete jogos e empatou dois, ficando com 16 pontos, enquanto o Botafogo, líder do grupo carioca, teve apenas 12. No segundo turno, o Alviverde venceu cinco, empatou um e perdeu um, ficando com 11 pontos, contra oito do São Paulo, segundo colocado. O campeonato, que estava na sua 17ª edição, teve o Palmeiras como campeão, com melhor ataque, melhor defesa, além do artilheiro da competição - Ademar Pantera, com 14 gols.

JOGO DO TÍTULO
A confirmação da taça veio no dia 23 de maio, na partida contra o Botafog, no Pacaembu. O Palmeiras entrou em campo praticamente campeã -só não levantaria a taça se sofresse uma goleada e a Portuguesa vencesse o Flamengo também com uma goleada. Se isso acontecesse, palmeirenses e lusitanos se enfrentariam na grande final.

Porém, além da Portuguesa não sair do empate sem gols com o clube carioca, o Palmeiras venceu, com folga, os botafoguenses. A equipe visitante começou a partida indo para o ataque, enquanto o Palmeiras jogava de forma trabalhada e calculada. Tão calmante que chegou ao primeiro tento aos 13 minutos, em jogada iniciada por Dudu na intermediária. O meio-campista passou para Gildo na ponta esquerda, que saiu da marcação e cruzou na área para Tupãzinho mandar para o fundo das redes.

Aos 20 minutos do segundo tempo, Gérson foi expulso, após pisar no pé de Dudu. Aproveitando a vantagem numérica e a energia da torcida palmeirense, Ademir da Guia ampliou o placar aos 29 minutos. Seis minutos mais tarde, porém, Rildo cometeu falta mais dura e também acabou expulso de campo. E aos 44 minutos, veio a cereja do bolo: em troca de passes, Ademir da Guia tocou para Dario na entrada da área, que chutou a bola sem deixá-la cair, marcando o terceiro gol.

FICHA TÉCNICA
Palmeiras 3 x 0 Botafogo
Torneio:
Rio-São Paulo de 1965 (2º Turno – 7ª rodada)
Data: 23/05/1965
Local: Estádio do Pacaembu;
Público: 46.577
Juiz: José Teixeira de Carvalho (RJ)
Expulsões: Gérson (Botafogo) e Germano (Palmeiras);
Gols: Tupãzinho (13’ do 1ºT-Palmeiras), Ademir da Guia (23’ do 2ºT-Palmeiras) e Dario (44’ do 2ºT-Palmeiras).

Palmeiras: Valdir; Djalma Santos (Nélson), Djalma Dias, Valdemar Carabina e Geraldo Scotto; Dudu (Germano) e Ademir da Guia; Gildo, Servílio, Tupãzinho (Dario) e Rinaldo. Técnico: Filpo Núñez.

Botafogo: Manga; Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo (Dimas); Airton e Gérson; Bené Canavieira, Turcão (Sicupira), Bianchini e Artur (Rildo). Técnico: Admildo Chirol.

Letícia Denadai, especial para a FPF