Secretária-geral da Fifa diz que "futebol masculino dá dinheiro; o feminino, custos"

Fatma Samoura lamenta que o Mundial Feminino seja comercializado como um subproduto do futebol masculino

por Agência Estado

São Paulo, SP, 07 - A secretária-geral da Fifa, a senegalesa Fatma Samoura, expressou nesta quinta-feira a sua indignação com o que acontece atualmente com o futebol feminino, às vésperas do Mundial da França, que será realizado de 7 de junho a 7 de julho deste ano.

"Hoje o futebol masculino dá dinheiro; o feminino, custos. O futebol feminino deveria dar dinheiro e vai dar dinheiro", afirmou a dirigente, em um evento sobre futebol e negócios em Paris.

"Só lamento uma coisa, que os dirigentes homens não enxergam o produto que tem à frente, que só pede para ser explorado", prosseguiu Samoura, que revelou que a Fifa tem procurado melhorar cada vez mais os recursos para as mulheres no futebol.

"A Fifa investiu US$ 400 milhões (R$ 1,48 bilhão) no Mundial masculino. Para as mulheres no Mundial de 2019, são US$ 30 milhões (R$ 111 milhões). Não é suficiente, mas já multiplicamos esse valor por dois".

A senegalesa Fatma Samoura expressou sua indignação com o que acontece com o futebol feminino
A senegalesa Fatma Samoura expressou sua indignação com o que acontece com o futebol feminino

LAMENTAÇÃO
A dirigente da Fifa lamenta que o Mundial Feminino seja comercializado como um subproduto do futebol masculino.

"Os empresários (de marketing e televisão) compram um pacote com as competições Sub-21 ou Mundial de Clubes. O objetivo da Fifa é ter um produto específico que possa ser comercializado e seja o suficiente para desenvolver o futebol feminino", disse.

"Só 1% (dos direitos de televisão) chega ao futebol feminino. É inaceitável. É um escândalo no século 21. Temos que dizer isso", completou Samoura, perante uma plateia formada por empresários, jornalistas e estudiosos do futebol.

 
 
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