Cearense: Sob pressão, presidente renuncia no Ceará

Depois de mais de dez anos de bons resultados, um ano de 2022 de fracassos gerou uma grande pressão e o dirigente deixou o comando do alvinegro nesta quinta-feira

Com a renúncia o Conselho Deliberativo alvinegro terá 90 dias para chamar eleições, mas para os cargos de presidente e vice-presidente

CEará Sporting Club
Robinson de Castro: mudança no Ceará (Canal Ceará)

Fortaleza, CE, 9 (AFI) – A quinta-feira foi de mudanças profundas no Ceará Sporting Club. O agora ex-presidente Robinson de Castro oficializou sua renúncia do clube, usando as redes sociais – canal do Youtube. Assumiu de forma interina  o 2º vice-presidente Carlos Moraes.

Com a renúncia o Conselho Deliberativo alvinegro terá 90 dias para chamar eleições, mas para somente os cargos de presidente e vice-presidente da diretoria executiva. Na capital alencarina se comenta que um dos nomes fortes para assumir o cargo é o diretor de finanças, João Paulo Silva.

CASTRO: “NAO FOI PRESSÃO”

Em sua primeira declaração após renunciar à presidência alvinegra, Robinson Castro negou que tenha saído por pressão:

“Fui para-choque desse clube desde 2008. Estou saindo do Ceará porque me desencantei com o contexto, com as coisas que me davam prazer e deixaram de dar prazer. Eu perdi esse encanto com aquilo que estava fazendo”, disse.

Castos seguiu falando:

“Estou começando a não ter amor pelo que faço. Melhor ir embora. Sou capaz de enfrentar qualquer tipo de pressão e ameaça. Uma coisa que tenho é coragem. Nunca tive medo, não tenho medo de covarde”, comentou o agora ex-presidente, num pronunciamento de 55 minutos. VEJA ABAIXO!

A DECISÃO  

Robinson Castro disse que se afastou  e foi uma decisão que tomou logo após a queda para a Série B do ano passado:

“Era um momento de outra perspectiva para o clube. O Ceará vai voltar à Série A, não tenho nenhuma dúvida sobre isso”, afirmou. E ainda pediu desculpas, dizendo que era o o maior responsável pelo clube e ressaltou que 2022 foi um ano de decepçao muito grande:

“Fiquei chateado com o grupo de jogadores pela falta de comprometimento, falta de respeito com o clube, a torcida e os funcionários. Eles (jogadores) não assumiram para si a responsabilidade. Tentamos de todas formas, cobramos de todas as formas, fizemos o possível e o impossível”, disse Castro.

TRAJETÓRIA DE SUCESSOS E FRACASSOS

O agora ex-presidente ficam mais de dez anos no Ceará em várias funções: foi segundo vice em 2008 e 2009, foi primeiro vice de 2010 a 2015 na gestão do presidente Evandro Leitão. Lembrando que em 2009 o Vozão subiu para a elite do futebol brasileiro, faturou o Nordestão em 2015, foi campeão cearense quatro anos, de 2011 a 2014. E em 2015 foi eleito presidente do Vozão e ficou três mandatos  – cada mandato tem três anos e seu atual mandato iria até 2024.

Nessa gestão, Ceará subiu para a Série A do Brasileiro em 2017, foi bi cearense em 2017 e 2018 e ainda disputou a Copa Sul Americana em 2020 a 2021 e campeão aspirantes em 2021. O futebol feminino teve grande impulso na sua gestão e levou o time à elite do brasileiro.

Ressaltou ainda a revolução feita no modelo de gestão, com a valorização da marca ‘Vozão’ que passou, entre tantas coisas, da venda de produtos. Citou o caso das 10 mil camisas vendidas antes para um total agora de 130 mil camisas no ano. E o sonho torcedor, que chegou a 50 mil torcedores.

No entanto os resultados ruins de 2022 – queda para a Série B do Brasileiro, eliminação no estadual, no Nordestão e problemas de montagem do elenco, irritaram o torcedor alvinegro, aumentando a pressão em cima de sua gestão culminando em pedidos dos torcedores pela sua saída, que veio a se concretizar nesta quinta-feira.

Sobre o ano ruim de 2022 no futebol ele reconheceu que “houve falta de comprometimento do elenco”, mas teve a humildade de assumir a sua responsabilidade, reforçando que “culpa é minha como presidente”. Por fim finalizou com um velho chavão:

“O futebol vive de resultados”.

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