‘Desatadora dos Nós’, o livro do talentoso jornalista Eduardo Mattos

Lançamento em Campinas será nesta terça-feira, no Shopping Galleria

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Peço licença aos nobre e fieis parceiros do blog para fugir do tema central que é futebol, para repassar convite do lançamento do livro ‘Desatadora - A Virgem que o papa Francisco converteu em fenômeno de fé’ - na Livraria da Travessa, no Shopping Galleria, em Campinas, a partir das 19h30 desta terça-feira.

O autor é o jornalista Eduardo Mattos, que durante dois anos se dedicou ao trabalho de pesquisa, visando mostrar ao leitor um livro-reportagem, gênero não tão comum em literatura religiosa.

Eduardo Mattos: brilhante jornalista
Eduardo Mattos: brilhante jornalista
Mattos foi meu editor de esportes no finado jornal Diário do Povo na década de 70, época em que já tinha visão jornalística à frente de seu tempo.

LAUDA NO LIXO

Quando ouço repórter de rádio abrir o noticiário esportivo falando de reapresentação dos jogadores de tal clube, logo lembro de oportuna correção feita por Mattos em texto que produzi há quase quatro décadas.

Na ocasião, abri uma matéria citando que o Guarani havia ganhado do Taquaritinga por 2 a 0, no Estádio Brinco de Ouro, com um gol em cada tempo.

Algo errado na informação? Claro que não. Todavia, sem a menor cerimônia, Mattos apanhou a lauda (material de produção da época) e foi curto e grosso na bronca.

- Ari, tá vendo isso aqui (referência à lauda que eu havia produzido)? Vai pro lixo. Que o Guarani ganhou por 2 a 0 e marcou um gol em cada tempo todo mundo sabe. Ou foi ao campo, ou ouviu no rádio. Portanto, arrume outro gancho que justifique um título mais sugestivo ao leitor.

Ainda foquinha (novato) no jornalismo, fiquei com a cara no chão. Só depois percebi o quão bom foi aquele pito para aprender a fugir do trivial no campo jornalístico.

Mattos sempre foi curioso para ‘reinventar’ a notícia. Programava reunião de pauta as duas da tarde na antiga sede do jornal, na Rua César Bierrenbach, e sempre tinha ideias diferentes do concorrente Correio Popular.

Como exigia independência absoluta de seus subordinados, jamais admitia conchavo com cartolas dos clubes campineiros. Ensinava-nos a buscar fontes paralelas de informações, para que posteriormente fossem confrontadas com a oficial. Por isso o simpático Diarinho dava furos & furos na concorrência.

Mattos rompeu tradição no jornalismo impresso de Campinas de destinar obrigatoriamente uma página exclusiva para Ponte Preta e outra para Guarani, em meados da década de 80.

MELZINHO

Optou pela valorização apenas do ‘melzinho’ da notícia, sem encher linguiça. Assim, o noticiário dos clubes campineiros ficou mais dinâmico, e a concorrência 'correu atrás'.

Como uma editoria de esportes ficou pequena para o seu talento, Mattos decidiu integrar a reportagem geral da sucursal do jornal O Estado de São Paulo, em Campinas. Posteriormente passou pela edição na EPTV-Campinas, e o passo mais largo foi na edição geral da Agência Estado, em São Paulo.

Essa trajetória no jornalismo fez dele um profissional diferenciado. Logo, antes mesmo de folhear o seu livro já posso antecipar que é uma obra singular, apuradíssima.

Como diriam colunistas sociais da velha guarda, desejo ‘su’ ao talentoso Eduardo Mattos nesta interessante empreitada.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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