XV de Jaú e União São João refletem falência do futebol do Interior... É o fim?
Portuguesa Santista, América e Noroeste são exemplos de clubes tradicionais que agonizam na Segundona
XV de Jaú e União São João oficializaram a desistência da disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, alegando problemas financeiros
São Paulo, SP, 05 (AFI) – O futebol do interior de São Paulo é um reflexo da atual administração da Federação Paulista de Futebol (FPF). Nesta quarta-feira, dois dos principais representantes do futebol “caipira” oficializaram a desistência da disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Alegando problemas financeiros, XV de Jaú e União São João decidiram fechar as portas em 2015.
Visivelmente abatidos, dirigentes dos dois clubes evitam comentar sobre o estado de penúria atual. O presidente quinzeano, Laércio Carneiro, falou sobre o pedido de licença apenas através de uma nota divulgada pela assessoria de comunicação do Galo da Comarca.
“Foi uma decisão difícil, complicada, porém muito bem pensada e estudada, para não aumentarmos as dívidas”, explicou Carneiro. “É importante ressaltar que o XV de Jaú pediu licença de disputar o campeonato, e não licença da Federação Paulista de Futebol”, completou, dando a esperança de um retorno em breve.
Com um site oficial completamente desatualizado, o União São João sequer noticiou as explicações de seus dirigentes. O clube apenas divulgou uma extensa nota oficial através de sua página no Facebook. E também deixou no ar a possibilidade de retorno.
“Lamentamos, mas esta é a nossa triste realidade. Pedimos desculpas a todos aqueles parceiros que ao longo de nossa trajetória estiveram junto conosco em todos os momentos de alegria e de tristeza, a imprensa (rádio, jornal, TV, internet, etc.), as nossas autoridades, ao povo de Araras e, principalmente, aos nossos torcedores. Até breve, União São João de Araras”, publicou o clube.
PROBLEMAS
O ponto comum para a desistência dos dois clubes foi a falta de dinheiro. Ambos argumentaram que não teriam recursos para montar elenco e comissão técnica capazes de competirem a Segundona neste ano.
O XV de Jaú também foi impedido por um problema jurídico. O clube de 90 anos está suspenso pela FPF por conta de uma dívida de R$ 110 mil com a entidade e também por não ter publicado o balanço financeiro referente a 2013. Por outro lado, o União São João está com o Estádio Hermínio Ometto em obras e não conseguirá entregar os laudos de vistoria dentro do prazo estipulado.
PASSADO SEM PRESENTE
Fundado em 15 de novembro de 1924, o XV de Jaú é um dos clubes mais tradicionais do interior paulista, com 26 participações no Paulistão – sendo a última em 1996 – e duas no Brasileirão. Seus principais títulos estão o Paulista do Interior de 1951 e as das taças da Série A2 de 51 e 76.
O Galo da Comarca também sempre foi conhecido como um dos principais celeiros de craques. Foram inúmeras as revelações do clube, como Dino Sani (ex-volante do São Paulo), Sormani (ex-ponta do Santos), Marolla (ex-goleiro do Santos), Sonny Anderson (ex-atacante do Barcelona), Wilson Mano (ex-zagueiro do Corinthians), Edmilson (ex-volante pentacampeão mundial) e França (ex-atacante do São Paulo).
No futebol atual, dois jogadores campeões recentemente pelo Corinthians também saíram da base do XV. São os casos do volante Ralf e do zagueiro Leandro Castán, atualmente na Roma. Quem também vestiu a camisa do clube foi o meia Kazu, que é um dos maiores ídolos da seleção japonesa.
ASCENSÃO E QUEDA METEÓRICAS
O União São João é bem mais novo que o XV de Jaú, mas sua ascensão meteórica fez a Ararinha atingir voos mais altos na história. Fundado em 14 de janeiro de 1981, o União tornou-se uma potência no Interior na década de 90. Com o apoio da Usina São João, o União São João tornou-se o primeiro clube-empresa do Brasil.
O resultado disso foram quatro participações na elite brasileira no período (1993, 94, 95 e 97). Entre seus principais títulos estão o Brasileiro da Série B de 1996, a Série C de 1988, a Série A2 do paulista de 1987 e o Paulista do Interior de 1997.
O filho mais ilustre da base do União é também um dos maiores laterais-esquerdo da história: Roberto Carlos. Além do ex-craque de Real Madrid e Seleção Brasileira, surgiram no clube o lateral Léo (ex-Santos), o meia Alexandre (ex-São Paulo e Santos), e os atacantes Borges (do Cruzeiro) e Luan (ex-Palmeiras).
MESMO DESTINO?
Assim como XV e União, não faltam exemplos de clubes do Interior se arrastam rumo ao abismo. O exemplo mais emblemático é o Guarani, que acumula dívidas que ultrapassam os R$ 250 milhões e pode perder seu maior patrimônio, o Estádio Brinco de Ouro, para quitar os débitos. Situação semelhantes à da Portuguesa, que embora não seja do Interior também corre risco de perder o Canindé.
Na próxima Segundona de 2015, vários clubes tradicionais do Interior tentarão sobreviver para evitar o mesmo destino dos dois clubes. São os casos de Portuguesa Santista, América e Noroeste, que juntos possuem mais de 150 participações no Paulistão.
Se depender do apoio da FPF, porém, a tendência é de que cada vez mais clubes que escreveram a história do futebol paulista rumem em direção ao abismo. Os quatro grandes, mesmo com todas as arrecadações que já possuem, ainda recebem uma cota de R$ 14 milhões para disputar o Paulistão. Os demais 16 times têm direito a apenas R$ 2,75 milhões.
O abismo paras as divisões inferiores, entretanto, é ainda mais absurda. Os clubes que disputam o Paulista da Série A2 têm direito a apenas R$ 120 mil para a disputa dos quase quatro meses de competição. Quem joga na Série A3, leva apenas R$ 80.





































































































































