Waldir Peres: Meninos da Vila: 1978, o ano em que tudo começou

A boa fase do Santos com Neymar, André e Ganso faz lembrar do time santista no Paulistão

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Toda essa disposição e boa fase do Santos com Neymar, André e Ganso me faz lembrar do time santista no Paulistão de 78 e explico o porquê…

0002048007936 imgFoto: Divulgação/Santos FC

Esse termo, “meninos da vila”, foi criado pelo Formiga, treinador do Santos na época: ele chamava seus jogadores de “meninos”, e assim ficou para a história.

Veja bem…

…Naquela época eu, junto com Getúlio, Marião ou Bezerra, Tecão e Aírton éramos responsáveis pela defesa do Tricolor. Ainda contávamos com Chicão, Teodoro e Dario Pereira no meio, à frente da defesa.

Para a bola chegar até mim, como vocês podem notar, havia uma verdadeira tropa de elite defendendo o São Paulo. Entretanto, quando jogávamos contra o Santos, era um sufoco só.

Eita molecada infernal! Não tinha jeito de parar os caras. O meu grande amigo, já falecido, Chicão, não era de alisar ninguém… Mesmo assim, quando íamos jogar contra o Santos, já sabíamos que não ia adiantar baixar o cacete: os “meninos da vila” viriam para cima de nós de todo o jeito.

O ataque do SPFC também era bom de bola: Edu Bala, Serginho e Zé Sergio, os três em grande fase. Só que, do outro lado, havia Nilton Batata, Juary e João Paulo, em início de carreira. Tinha outro menino, o Claudinho, que às vezes entrava e, também, fazia um azougue para cima da nossa defesa.

Esse time formado pelo Formiga (que na década de 90 também revelou o Robinho) era brilhante. Contava com três supercraques no meio: Pita e Ailton Lira – que jogaram no tricolor, anos depois – além do Clodoaldo, veterano, campeão mundial em final de carreira, mas ideal para jogar ao lado dos “meninos”.

Apenas para você ver um absurdo, a final do campeonato paulista de 78 foi disputada em junho de 79. Nem lembro direito a explicação para isso. Disputamos a decisão do campeonato em três jogaços.

A base do Santos era: Flávio, Nelsinho Baptista, Joãozinho, Antônio Carlos e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita; Nilton Batata, Juary e João Paulo. Também entravam Claudinho e Rubens Feijão. Isso sem falar nos contundidos, que não puderam jogar a decisão, para sorte do São Paulo: Ailton Lira, Clodoaldo, Zé Carlos, o goleiro Vitor…

O São Paulo tinha: Waldir Peres, Getúlio, Marião, Tecão e Aírton; Chicão, Teodoro e Darío Pereyra; Edu Bala, Serginho e Zé Sérgio. Também entraram Vilson Tadei, Bezerra, Neca e Muricy, este, só no terceiro jogo decisivo, pois estava voltando de contusão.

Pô… Me desculpa aí se eu esqueci de alguém nessas listas…minha memória já não é a mesma e eu não tenho muita paciência com esse tal de google…

Resumindo, foi assim:

1º jogo: 80.000 pessoas no Morumbi, Santos, 2 x 1, de virada. Serginho marcou para nós, após grande jogada do Daryo Pereira pela esquerda. Juary e Pita para o Santos.

2º jogo: 107.000 no estádio, fora os penetras, maioria absoluta de santistas (para mim, foram mais de 125.000 pessoas… tinham uns malucos até no refletor do Morumbi). O Santos vencia por 1 x 0 e a torcida já se preparava para comemorar o título, porém o Zé Sergio empatou na raça, aos 43 do segundo tempo;

3º jogo: 75.000 pessoas. O SPFC ganhou de 2 x 0 no tempo normal. Gols de Zé Sergio e Neca. Prorrogação, empate de 0 x 0. Santos campeão, pois tinha a melhor campanha que era o primeiro critério de desempate.

Caraca… Nesses três jogos teve muita adrenalina… Só se falou nisso em São Paulo, na época. Juary acabou artilheiro do campeonato.

Mais ou menos um ano antes e outro depois dessa decisão, eu cansei de tomar gol dos “meninos da vila”. Teve um jogo que o danado do Juary fez três!!! Fazia o gol e ia comemorar dando voltas em torno da bandeirinha de escanteio… E eu ficava lá, lamentando, coçando a minha careca e pensando em algum jeito de parar essa molecada boleira… Putz grila! Só se fosse com bazuca!

Pô… Mas isso já tem quase trinta anos! Estou ficando muito “experiente”…

E eu me orgulho muito de ter feito parte dessa história!

Valeu amigos!

Até a próxima história, um grande abraço!

Olha só o álbum de figurinhas da época:

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