Vivendo um sonho: conheça as curiosidades da carreira de meia da Ferroviária
Tony relembra duelo contra Ronaldinho e quando foi comentarista da Copa do Mundo no Brasil
Tony relembra duelo contra Ronaldinho e quando foi comentarista da Copa do Mundo no Brasil
Araraquara, SP, 10 (AFI) – Aos 33 anos, Antônio Moura de Carvalho, ou simplesmente Tony, ostenta sua boa forma atuando no meio-campo da Ferroviária. No entanto, o atleta, que já jogou contra Ronaldinho Gaúcho e foi comentarista da Copa do Mundo no Brasil, superou momentos difíceis na carreira e chegou até a pensar em aposentadoria. Hoje, graças ao clube paulista, comemora o reencontro com o prazer em jogar futebol.
“Terminei o ano de 2018 sem o prazer de jogar, por conta de tudo que estava acontecendo. Em 2019, acabei retomando isso e, junto com a equipe, pude fazer um bom campeonato. A Ferroviária, querendo ou não, me devolveu o prazer de voltar a jogar”, disse o atleta que defendeu a Ferroviária no primeiro semestre da última temporada.
Natural de São Paulo, Tony se apaixonara pelo esporte logo quando criança, muito por conta da inspiração em seu irmão mais velho, Lionaldo, que na época era meio-campista aspirantes do Palmeiras. “Comecei a jogar porque o meu irmão mais velho chegou a atuar nos aspirantes do Palmeiras, pois gostava de vê-lo jogando. Ele era meio-campista e sempre me incentivou, e também me inspirava muito nele no início da minha carreira”, explicou.
Com nove anos, Antônio, como era chamado, iniciou em uma das escolinhas de futebol do São Paulo, lugar onde conheceu outro personagem que seria fundamental para seu sonho se concretizar: Ailton Silva, seu técnico na época. “Foi de extrema importância para mim, porque ele que me fez acreditar que seria possível realizar meu sonho. Me cobrava muito, mas me incentivava também. No final das contas nos tornamos amigos, ele foi meu padrinho de casamento. É uma pessoa que eu tenho um carinho e gratidão muito grande”, afirmou.
Quatro anos após esse período, Tony foi para Anápolis, Goiás, jogar no time que leva o nome da cidade, chegando até a disputar o Campeonato Goiano de base. Devido a seu aspecto físico, acabou sendo pouco aproveitado e retornou à capital paulistana. Pensando em sua evolução, realizou um treinamento especial de suplementação para ganhar força e aos 15 anos, retornou a região Centro-Oeste para jogar pelo Goiás. Pelo clube esmeraldino disputou a Copa São Paulo de Futebol, além de ganhar títulos nas categorias de base.
A sua primeira experiência profissional aconteceu pelo Roma de Apucarana, no interior do Paraná, lugar em que se destacou disputando o estadual, terminando a competição como vice-artilheiro, com sete gols. Além disso, foi eleito a revelação do campeonato, aos 20 anos. Devido ao bom desempenho, o atleta se mudou para Portugal, para defender as cores do Porto B, oonde ficou por seis meses, retornando ao Brasil após esse período. De volta ao país, passou por Ituano, Boa Vista-RJ, onde foi eleito o segundo melhor meio-campista do Campeonato Carioca, em 2009.
Tony ainda defendeu o Botafogo, América-RN e Ponte Preta. Pela equipe de Campinas, fez parte do elenco que classificou para a Sul-Americana, em 2013, mas o jogador não pôde jogar devido a uma fratura no rosto. No ano seguinte, se aventurou no Irã e lá ficou por um ano. Após voltar ao seu país de origem, em 2015, conquistou o acesso para a Série A do Brasileirão, pelo América-MG. No ano seguinte, conquistou o estadual pelo Coelho. “Fomos campeões mineiro depois de 17 anos. Eliminamos o Cruzeiro na semi e derrotamos o Atlético na final”, celebrou.

Em 2018, Tony revelou o seu pior momento como jogador. Pelo Juventude, foi rebaixado à Série C, e o jogador chegou a considerar colocar um ponto final em sua carreira. “Foi difícil porque passei por essa situação que não gostaria, principalmente da maneira que aconteceu. Chegou um momento que pensei se era aquilo mesmo que eu gostaria para mim, principalmente por já ter vivido bons momentos na carreira. Claro que nem só de bons momentos se vive, mas é sempre muito difícil passar por isso”, relembrou com pesar.
A VOLTA POR CIMA
Tony não encerrou sua carreira, pelo contrário chegou à Ferroviária e ajudou o clube afeano a desempenhar um belo futebol no primeiro semestre de 2019, quando chegou às quartas de final do Paulistão Sicredi, sendo eliminada nos pênaltis para o futuro campeão Corinthians.
“Quando vim em 2019 para a Ferroviária, reencontrei o Roque Júnior, que havia sido meu treinador, mas aqui ele era diretor, pude perceber que a organização que eles têm é muito diferente da maioria dos clubes do país. Não só pelo lado financeiro, mas pelo lado de estrutura também, que nos permite trabalhar com tranquilidade. Isso me deu bastante esperança e foi onde eu me reencontrei na alegria de jogar, porque terminar o ano de 2018 foi muito difícil”, destacou.
Após sucesso no estadual, Tony fez parte do elenco do Figueirense que conseguiu a permenância na Série do Campeonato Brasileiro no segundo semestre da última temporada. No início de 2020, retornou ao clube afeano. Antes da pausa do futebol, devido ao surto da pandemia do Covid-19, a Ferroviária vinha de oito jogos de invencibilidade, além de chegar pela primeira vez em sua história na terceira fase da Copa do Brasil, após golear o Águia Negra por 6 a 2.
RONALDINHO GAÚCHO
Na semifinal da Taça Guanabara contra o Fluminense, em 2011, fez um dos gols no empate em 2 a 2, que garantiu a vaga para a final estadual. O adversário, entretanto, era nada mais que o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho. Na ocasião, o Rubro-Negro foi campeão, vencendo com um gol de falta do camisa 10.
“Uma sensação incrível. Ele tinha acabado de voltar ao Brasil e tive o prazer de jogar contra um cara desse nível. Foi bem legal, apesar de ter sofrido, que ainda perdemos a final por 1 a 0 com gol dele. Mas foi uma experiência que vai ficar marcada para mim”, disse em tom bem-humorado.

COMENTARISTA DE COPA DO MUNDO
Na Copa do Mundo no Brasil, Tony viveu uma situação inusitada. Estava sem clube e recebeu o convite para ser comentarista da Seleção Iraniana na Copa do Mundo.
“Eu tinha acabado de voltar do Irã e iria ter a Copa do Mundo aqui no Brasil. Então, o pessoal da Fox Sports me convidou para poder comentar os jogos da seleção do Irã. Como o time que eu jogava lá, era um dos maiores do país, a maioria dos jogadores da seleção iraniana eram da equipe que jogava. Por isso, conhecia muita gente. Esse trabalho de comentarista foi um pouco inusitado para mim, mas foi muito bacana”, finalizou.
Mateus Bezerra, especial para a FPF





































































































































