Virou zona! Clube do interior é bancado por mulheres da vida
Araçatuba, SP, 18 (AFI) – O Araçatuba conquistou classificação à fase seguinte do Campeonato Paulista Sub-20. Isso se deve ao patrocínio que o clube obteve do Teatro Orion Show House, uma casa que favorece e explora comercialmente a prostituição, localizada no chamado Centro Velho de São Paulo, região conhecida como “Boca do Lixo” paulistana. A casa tem como dono Raimundo Donato Lira, investidor do clube.
A confirmação só foi possível graças ao Jornal Folha da Região, que publicou matéria sobre a solicitação (via fax) que o presidente do Araçatuba, Luiz Carlos do Nascimento, o Barbosa, fez à Federação Paulista de Futebol (FPF) para que a equipe passasse a ter o Estádio Nicolau Alayon, do Nacional (clube da capital), como local de mando de jogos na próxima etapa do torneio.
O presidente Barbosa, evangélico e membro da Igreja Universal do Reino de Deus, admitiu que sabia da ligação do clube com a empresa na utilização da marca. Além disso, admitiu que chegou a conhecer o local, na capital, a convite de Lira. Também revelou que comunicou os líderes religiosos sobre o fato. Estes teriam condenado a aproximação com o grupo, porém o liberaram para tomar a decisão que considerasse mais adequada.
“Sabia disso e consegui este patrocínio por intermédio do Solito Alves (técnico do time), que disse conhecer um empresário interessado em investir no esporte. Estive lá numa sexta-feira à noite e, para mim, não foi surpresa, fui bem tratado. Apenas visitei, fui conhecer e nada mais”, revelou o mandatário.
Na reportagem, dois fatos ficaram evidentes: o caráter de ‘time importado’, já que o fax atenderia a pedido do grupo gestor da equipe, sediado em São Paulo, além do interesse de manter oculto o cabeça do grupo, Raimundo Donato Lira.
“Ele não quer aparecer ou falar sobre o assunto, me pediu para que passasse as informações”, declarou o técnico da equipe, Solito Alves, que é intermediário de Lira em Araçatuba.
Ocultação à parte, está nos próprios uniformes de treino dos jogadores a prova da ligação do grupo que rege o time com o comércio do sexo. O repórter fotográfico Alexandre Souza registrou imagens da atividade realizada no Estádio Adhemar de Barros. Às costas dos atletas, nas camisetas, vê-se a logomarca “Teatro Orion Show House”, idêntica à que a casa usa como apresentação de seus serviços em um bem-construído site de internet.
O favorecimento à prostituição é crime previsto no artigo 228 do Código Penal (“induzir ou atrair alguém à prostituição, facilitá-la ou impedir que alguém a abandone”), com pena de dois a cinco anos de reclusão para quem for condenado.
O Código trata ainda de prática análoga nos artigos 229, referente a casa de prostituição (“manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente); e 230, concernente ao rufianismo (“tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, para quem a exerça”). A quem transgredir esse último artigo, a pena pode chegar a oito anos de prisão.
Imoralidade!
No entendimento de um delegado de polícia de Araçatuba, que prefere se manter sob anonimato, agravante ao ferimento do Código Penal, a associação entre a AEA e o grupo Orion esbarra ainda no artigo 37 da Constituição Federal, que trata da administração pública, mais especificamente do que tange à moralidade pública.
Segundo o delegado, a “imoralidade” reside no fato de o time beneficiar-se de recursos públicos para manter-se em atividade. No caso específico, recursos destinados pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, por intermédio da SER (Secretaria de Esportes e Recreação).
Da secretaria, a equipe recebeu, até agora, alimentação para os atletas, campo para treinos e jogos (Estádio Adhemar de Barros), ônibus para transporte da delegação em jogos fora de casa e dinheiro para o pagamento de taxas de arbitragem.
Essa última benesse, a única destinada em dinheiro vivo, é motivo de controvérsia entre o secretário de Esportes, Carlos Hernandes, e o técnico Solito Alves. O secretário diz que a SER vem pagando as taxas. Solito desmente.
O delegado seccional de polícia de Araçatuba, Ely Vieira de Faria, afirma que, grosso modo, não vê irregularidade penal no patrocínio da empresa ao time da AEA.
“Se a empresa está devidamente estabelecida, paga seus impostos corretamente e não vive na clandestinidade, não vejo como irregular o patrocínio de um time de futebol. Agora, a atividade que essa empresa exerce é outra situação. Se houver irregularidades, cabe às autoridades locais (de São Paulo) investigarem”, declarou.





































































































































