Violência nos Aflitos: Polícia "explica" e STJD vai punir

Recife, PE, 1 (AFI) – Depois da total falta de habilidade dos policiais pernambucanos para manter a ordem e cumprir a lei dentro do Estádio dos Aflitos, os principais envolvidos no episódio com o zagueiro André Luis, do Botafogo, nesta tarde, deram suas explicações para o caso. No final da noite, o juiz de pequenas causas confirmou a pena alternativa ao jogador: 25 salários mínimos (R$ 10.375,00), valor que será revertido para o Hospital do Cancer de Recife.

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Abuso de autoridade

Tenente 200Segundo a tenente-aspirante, Lúcia Helena (foto), o jogador cometeu várias irregularidades e deveria ser preso como qualquer outro torcedor ou pessoa comum.

”Ele saiu de campo fazendo gestos para a torcida, depois atirou uma garrafa num torcedor. E me desrespeitou quando fomos pedir para que ele deixasse o campo”, garantiu a tenente, certamente, baseada nas leis, mas com muita falta de bom senso por estar dentro de um evento esportivo. Capit o 200O capitão Dinamérico, comandante do policiamento no jogo vencido pelo Náutico, por 3 a 0, praticamente confirmou as palavras de sua subordinada.

Capitão “cumpre a lei”

“O jogador desacatou os policiais e acabou preso dentro de campo. Quanto ao Bebeto de Freitas (presidente do Botafogo) ele teria sido preso por desacatar o promotor público que estava na delegacia móvel do estádio”.

Botafoguenses ultrajados
O presidente Bebeto de Freitas foi encaminhado à delegacia móvel por volta das 21h10, e não escondia sua decepção.

“Vamos ver com calma o que isso vai dar. Mas isso é comum acontecer aqui em Recife”, disse antes de ser ouvido. Depois, rodeado por policiais, ele voltou a lamentar os fatos.

Bebeto 200“O Botafogo se sente ultrajado por tudo que aconteceu. O jogador não é bandido e não pdoe ser tratado dessa maneira. ele não pode ser agredido e nem o presidente do Botafogo pode apanhar, como aconteceu. Receber cassetete e também splay de pimenta”, finalizou.

O próprio Bebeto de Freitas (foto)reconheceu que o jogador errou e que deve ser punido pela justiça esportiva, mas nada justifica a truculência policial.

“Isso não pode exisitir e vamos lutar até nunca mais acontecer”, concluiu. Mas Bebeto não fez acordo na Justiça:

“A CBF precisa tomar uma providência. Se isso não acontecer, nós vamos brigar por uma mudança neste estado de coisas”, explicou.O zagueiro André Luís também foi ouvido e não quis falar nada, orientado pelos advogados. Os demais jogadores do Botafogo deixaram o estádio também sem dar entrevistas, sob orientação da diretoria. A delegação seguirá o programado, voltando de Recife à meia noite.

Posição do STJD
Ouvido à noite pela imprensa, o procurador do STJD (Superior Tribunal de Justiça Esportiva) do Rio de Janeiro, Paulo Schimit, lamentou os incidentes.

pauloschimitt 130“O Estádio dos Aflitos está fazendo jus ao nome. O atleta foi expulso de forma correta e tomou atitudes inadequadas, ficando transtornado e fazendo gestos para a torcida. O policiamento interviu de forma excessiva, desnecesária e truculenta”.

Ele disse ainda que vai aguardar a súmula, principalmente para também analisar a culpa do mandante, no caso o Náutico.

Jogador fica calado

“Excesso de segurança é insegurança”.

Schimit já conversou com o presidente do STJD, o paulista RUbens Aprobatto Machado, e segundo Schimit “foi pedido rigor e agilidade numa posição”. A acusação deve ser formalizada entre segunda e terça-feira.

Segundo ele, é preciso que a segurança deve ser feita levando-se em conta o espírito esportivo.

“Um jogo de futebol é diferente de uma atitude que acontece na rua, com bandidos ou marginais. Por excesso que este atleta poderia ter cometido, ele poderia ter sido conduzido para fora de forma natural”, finalizou.