Victor Bagy fala sobre legado, crise e bastidores no Atlético-MG
Ex-goleiro detalha bastidores do Galo, desafios como dirigente e momento financeiro do clube.
Ídolo do Atlético-MG, Victor Bagy relembra defesa histórica, comenta crise financeira e revela desafios como dirigente.
Belo Horizonte, MG, 25 (AFI) – Ídolo do Atlético-MG, Victor Bagy abriu o jogo sobre os bastidores do clube, rememorou a defesa antológica contra o Tijuana na Libertadores de 2013 e falou sobre o cenário atual, marcado por atrasos salariais e cobranças da torcida no Brasileirão Série A.
O ex-goleiro, que virou dirigente após pendurar as luvas em 2021, destacou como a defesa no apagar das luzes em 2013 mudou sua carreira e o colocou no hall dos grandes nomes do Galo. “É um assunto que, quase que diariamente, sou abordado por alguém para falar. Impressionante como marcou, porque não só atleticano, mas as pessoas que acompanham o futebol em geral têm esse dia, essa defesa, como um marco”, disse Victor.
Com a chegada de Paulo Bracks à diretoria de futebol, Victor manteve a função, mas perdeu autonomia em negociações. Mesmo assim, o ex-camisa 1 vive o dia a dia do clube, agora enfrentando as turbulências financeiras e as incertezas que rondam a SAF atleticana.
ATLÉTICO-MG E O DESAFIO FINANCEIRO
Victor não escondeu a preocupação com o cenário de salários atrasados e pendências no elenco. “O cenário é preocupante, de uma forma geral, no futebol brasileiro. Não é exclusividade do Atlético. Se você pegar Séries A e B, são poucos os clubes que não têm endividamento ou que têm um endividamento baixo”, explicou.
Mesmo com histórico de bom pagador, o Galo enfrenta cobranças judiciais e extrajudiciais de jogadores como Rony, além de atrasos em direitos de imagem e parcelas de transferências. Para Victor, o momento exige blindagem ao elenco: “Acho que é sempre importante, estando do lado de cá, buscar dar essa blindagem ao atleta. Esse é o meu papel, é blindar o atleta para que ele esteja focado 100% no campo.”
Ele também ressaltou que o clube não pode aumentar dívidas e precisa alinhar expectativas com os torcedores. “Temos um clube sustentável, um clube que vai sempre manter o nível competitivo dentro da nossa realidade financeira. O recado foi muito bem passado, acho que o torcedor também entendeu isso. Por mais que ele crie expectativas — às vezes, de grandes investimentos — antes de mais nada é importante ter responsabilidade. E é pautado nisso que a gente trabalha.”
DEFESA HISTÓRICA E NOVOS RUMOS
Victor reviveu detalhes da noite mágica contra o Tijuana e do reconhecimento que recebeu no vestiário: “Lembro perfeitamente da saída de campo, a legião de repórteres ali, o vestiário. Aquela comoção que encontrei no vestiário, o presidente me aplaudindo, chorando em pé. Havia cerca de 60, 80 pessoas ali dentro do vestiário. Todos pararam o que estavam fazendo para me aplaudir. Foi uma noite que eu praticamente não dormi, mas foi uma insônia muito gostosa.”
No papel de dirigente, Victor já precisou enfrentar saídas de técnicos, como Felipão e Milito, e situações de extrema pressão, como a final da Libertadores de 2024: “O ambiente foi de consternação, de tristeza, de frustração, porque esteve muito próximo. A gente trabalhou tanto. Muitos não acreditavam que a gente poderia chegar a duas finais, e a gente fez isso.”
Sempre atento à necessidade de preparar o clube para o futuro, o ídolo do Atlético-MG mira um legado duradouro. “O meu grande objetivo é construir um legado a médio e longo prazo. É construir realmente um trabalho de excelência, deixar um legado, deixar o clube melhor do que quando eu cheguei.”





































































































































