Venderam o nosso futuro e nosso passado de 5 Copas

Se você lava dinheiro para ficar rico venha ao quiosque do Brasil

Se você lava dinheiro para ficar rico venha ao quiosque do Brasil

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‘ Vendem-se craques’.

Qualquer dia placas poderão estar na porta de nossos clubes diante do processo de liquidação do nosso futebol. Não é nenhum exagero, mas só os míopes e os portadores de hipermetropia teimam em não constatar a triste realidade.

Ainda outro dia, a Alemanha dava-nos mais uma lição, depois dos 7 x 1 que nos envergonhou em 2014. Os governados de Angela Merkel montaram uma seleção de jovens e mostraram que trabalham com muita categoria e eficiência o processo de renovação do seu futebol.

E o que fazemos nós ? Renovamos, timidamente, é verdade, e viramos produtores de pés de bola, sem que tenhamos estrutura para manter e preservarmos futuros craques.

Os economistas ensinam que nenhum país será forte apenas tornando-se produtor de comodities; até porque o mercado de grãos, proteína animal, e produtores de comodities metálicas têm muita oscilação.

Num mundo capitalista e globalizado a regulação é do mercado, o poderoso que impõe regras, preços e etc.

Alemães deitaram e rolaram na Copa do Mundo de 2014 em cima do Brasil. E continuamos vendendo nossa alma

Alemães deitaram e rolaram na Copa do Mundo de 2014 em cima do Brasil. E continuamos vendendo nossa alma

FOBIA POR VENDER
Mas fiquemos no futebol, que é o nosso assunto. A fobia por vender é ditada pela necessidade de geração de caixa, pois o nosso dinheiro é um por 3 do dólar e um quarto do euro. Como não temos um teto em nossos custos e praticamos, com a elite da bola, salários de primeiro mundo, a conta está sempre no vermelho.

Daí porque temos que vender. Outro dia, o São Paulo fechou mais uma venda e botou no caixa furado do Morumbi 166 milhões só este ano. Todas as receitas, qualquer que seja o clube, não são suficientes para zerar os déficits, formar mais jogadores e contratar qualidade que venha lá de fora.

SÃO PAULO VENDEU SEU FUTURO
O São Paulo vendeu seu futuro – é só conferir a lista dos garotos que foram negociados com o exterior, e contrata jogadores que não resolvem. A própria CBF abriu as portas do mercado interno ao permitir, através da alteração de legislação, que cada clube daqui pode ter mais de três estrangeiros contratados.

Isso não é xenofobia, mas sim a constatação de uma realidade. Por que ao vendermos o nosso futuro no mercado da especulação internacional – lembramos aqui a história de Marquinhos, do Corinthians, vendido por 5 milhões ao Roma e repassado por 35 milhões de euros ao PSG da França – não resolvemos o caixa e ainda perdemos a qualidade.

DIREITO DO QUÊ ?
Ah, mas o jogador tem o direito de jogar onde quiser. Sim, mas por que enriquecer empresários picaretas e reforçar o futebol lá de fora? É preciso um processo de regulação e regramento para

Kia: lavagem no Corinthians ?

Kia: lavagem no Corinthians ?

evitar a sangria técnica dos clubes e, consequentemente, enfraquecimento técnico do nosso futebol.

Ah, mas os cartolas são maus administradores e desonestos! Na Europa todos são honestos? Fosse assim, gente da Espanha não teria ido para a cadeia por causa da lavagem de dinheiro nas contratações e na sonegação de impostos.

No Brasil, a maioria dos clubes está falida. E olhem que geram boas receitas, mas em função dos passivos, fruto de uma política salarial deletéria e absurda, ninguém aguenta. Enquanto o caixa não zera, ai aparece o tal Bom-Senso para, ao governo, criar os refis da vida, premiando caloteiros e todos aqueles que são mal-versadores do dinheiro que não lhes pertence.

LAVAR DINHEIRO
Depois vendem o nosso futuro. De vez em quando aparece alguma empresa, um grupo financeiro que vem para ganhar ou lavar dinheiro. Lembram-se de Kia e Berezovski da MSI? O Palmeiras arrumou mais um Tio Patinhas – o sr. Lamachia e sua mulher.

Paulo Nobre está com crédito no Palmeiras

Paulo Nobre está com crédito no Palmeiras

Antes, Paulo Nobre botou seu talão de cheques à disposição do Palmeiras. Foi uma festa, mas no fim, ele apresentou a conta – afinal dinheiro não aceita desaforo, e até hoje o Palmeiras amortiza o crédito de Nobre, que passou de 110 milhões.

O dinheiro não é nosso, não temos nada com isso, mas essa orgia de dinheiro não é boa gestão. É por isso que nosso futebol não sai desse miserê.

Por que é que a mídia passa ao largo dessa triste realidade? Aí, quando um projeto fracassa, porque nem sempre o dinheiro resolve – se não houver qualidade e seriedade na gestão.

SOBERBA CUSTOU CARO
Aí, então, mete-se o pé nos fundilhos do treinador, como aconteceu recentemente com Rogério Ceni. Ele é sério, mas a soberba de Ceni lhe custou caro.

O futebol não tem mais onde buscar dinheiro. O dinheiro da tevê não chega, as bilheterias não suportam os custos porque tíquete médio oscila entre 50 e 70 reais. Até porque os revolucionários midiáticos elitizaram o futebol e mais engomadinhos comparecem aos jogos do que os manés da periferia.

Então, vende-se o futuro. Porque as camisas já foram vendidas. Com a poluição das camisas, os patrocínios masters são pouco rentáveis.

Enquanto isso, as dívidas crescem e logo vão inventar outro PROFUT – uma excrescência inventada pelo Bom-Senso para amenizar a situação dos cartolas caloteiros.

CONTA PARA O POVO
Só que a conta ficou para o povo e para a classe trabalhadora, porque enfiaram bilhões do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – nessas arenas, onde os corruptos se fartaram com a roubalheira. E tudo isso, hoje, com o silêncio complacente de uma mídia festeira e cheia de puxa-sacos.

Enquanto isso vende o nosso futuro. Um país campeão do mundo cinco vezes merecia outra coisa. E tudo começou com a Lei Pelé, leizinha que fez a felicidade de empresários malandros e daqueles que precisam de lavanderias para branquear seus capitais num futebol pobre e falido.

O nosso futebol virou quiosque no mundo do dólar e do euro. Para deleite de medíocres e babaquaras da vida. E felicidade dos incompetentes malandros.