Venda do estádio do Comercial compromete Guarani

Ribeirão Preto, SP, 17 (AFI) – O presidente do Comercial, Eduardo Mauro Batista, recebeu nesta quinta-feira em Ribeirão Preto, o empresário Luiz Carreira Torres, representando os interessados na compra das áreas do Poli Esportivo e do Estádio Palma Travassos. Torres esteve avaliando o local com alguns investidores e o negócio deverá ser fechado ainda neste mês. Com isto, a venda do estádio Brinco de Ouro, em Campinas, fica comprometida.

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Antes da reunião desta quinta-feira, uma outra reunião já havia acontecido em Campinas, quando o dirigente do Comercial tomou conhecimento do interesse dos empresários em fazer negócio com o time de Ribeirão Preto, que, assim como o Guarani, está em péssima situação financeira e que acabou de ser rebaixado no Campeonato Paulista da A2.

“Quando eu fui a Campinas pensei que o interesse era apenas pelo clube associativo, mas não, eles querem tudo”, disse Eduardo Batista.

O local foi cuidadosamente analisado e dados levantados. Retornam para São Paulo, quando estarão reunidos para avaliação dos estudos feitos na cidade.

“Depois desta avaliação eles farão uma proposta financeira, já que até o momento nada foi falado em dinheiro”, revelou o dirigente, otimista que o negócio prosperará.

Eduardo Batista acredita que a proposta deve ser na ordem de R$ 40 milhões, que pagaria todas as dividas do Comercial e permitiria a construção de uma arena com 20 mil lugares. Perguntado se já existe um terreno onde vai surgir o novo estádio, disse que não, mas que já está procurando.

No acordo que pode ser feito, o Estádio Francisco de Palma Travassos só seria demolido após a construção da arena, tendo como previsão de 18 meses para sua construção. No entanto, não informou a empresa que será a responsável pelo novo estádio.

As dividas trabalhistas e fiscal seriam quitadas com R$ 12 milhões e o novo estádio teria um orçamento de 22 milhões. Eduardo Batista citou que a Fonte Luminosa de Araraquara está gastando 25 milhões, mas com 25 mil acentos, e o do Comercial terá 20 mil, portanto vai gastar menos.

Com a sobra do dinheiro, o Comercial vai construir um Centro de Treinamentos, com vários campos de apoio para a preparação do time profissional e formação de atletas nas categorias de base.

No entanto, ele não vai decidir sozinho, já que pretende discutir o assunto com as pessoas interessadas pelo Comercial e principalmente com o Conselho Deliberativo. Sobre a possibilidade de um plebiscito em busca de um referendo, Eduardo Batista afasta a chance, já que participariam pessoas alheias a vida do clube.

Segundo informou Batista, o conselho deve atender para uma convocação em caráter de emergência, pois a resposta e proposta dos empresários devem chegar antes do final deste mês.

Estádio Francisco Palma Travassos está situado em área nobre na cidade de Ribeirão Preto, onde o metro quadro custa R$ 350. A estrutura do estádio é feita de cimento armado e o recorde de publico é de 33 mil pessoas, que foi um clássico Come-Fogo. O problema é que o estádio está penhorado pela Justiça do Trabalho e já em fase de leilão.

Venda do Palma Travassos prejudica Brinco de Ouro

O citado Luiz Carreira Torres é o mesmo que está intermediando a venda do estádio Brinco de Ouro, em Campinas e que foi candidato à vice-presidente do Guarani pela oposição em dezembro de 2.007. Por isto, a transação do estádio bugrino não foi concretizada já que o atual presidente do clube, Leonel Almeida Martins de Oliveira, não admite que e venda do Brinco de Ouro tenha a participação de pessoas que não sejam de sua camarilha.

O acerto para a venda do estádio Brinco de Ouro estava certo desde o final de julho de 2.008, mas com o sectarismo característico de Leonel Martins, a transação não se efetivou, prejudicando o Guarani e a cidade de Campinas.

“Se o negócio tivesse saído no ano passado, Campinas poderia ganhar um estádio em condições de ser, pelo menos, uma alternativa de sede para a Copa de 2.014”, explica Luiz Carreira Torres.

Como os investidores que estão comprando o estádio do Comercial, em Ribeirão Preto, são os mesmos que fizeram proposta para a compra do Brinco de Ouro, em Campinas, provavelmente eles irão desinteressar pelas negociações, até porque já ficou claro que o presidente do Guarani, Leonel Martins, não quer saber de qualquer negócio, mesmo sendo ótimo para o Guarani, que não seja efetivado através de seus confrades.

(Colaborou Renê Andrade – Ribeirão Preto)