Veja a história de Afonso: o novo matador da Seleção

Afonso 001 130Campinas, SP, 17 (AFI) – Nesta quinta-feira, o atacante brasileiro Afonso (foto), 26 anos, viveu mais um momento inesquecível na brilhante carreira. A convocação para a Seleção Brasileira feita pelo técnico Dunga acontece numa fase em que o jogador se firma como o maior artilheiro do futebol europeu. Defendendo o mediano Heerenveen (5º lugar no último certame), Afonso marcou 34 gols em 30 partidas disputadas no Campeonato Holandês da Primeira Divisão, o chamado Eredivisie.

O ex-atleta do Atlético Mineiro está muito próximo de faturar a Chuteira de Ouro, premiação da Uefa destinada ao maior goleador dos campeonatos nacionais do Velho Continente. Além disso, Afonso foi aclamado como o Atleta do Ano na Holanda e receberá esse laurel em setembro das mãos de Ronaldinho Gaúcho, numa cerimônia em Amsterdã. Ronaldinho, segundo noticia a imprensa espanhola, já indicou a contratação de Afonso ao Barcelona.

Os 34 gols assinalados na Holanda, sendo somente dois consignados em cobrança de pênalti, superaram a marca de Romário (25 gols em 25 jogos na temporada 1990/1991) e Ronaldo Fenômeno (30 gols em 33 jogos na temporada 1994/1995), que foram ídolos do poderoso PSV Eindhoven, atual campeão. Por tudo isso, a convocação anunciada nesta manhã é um justo reconhecimento à excelente performance de Afonso na Europa.

Início difícil
A trajetória do artilheiro ocorreu num sentido inverso à da maioria os grandes craques brasileiros, que costumam despontar por aqui e rapidamente se transferem para algum grande clube europeu. Primeiro, Afonso sofreu com a falta de oportunidades no seu clube de origem, o Atlético Mineiro, e depois foi tentar a sorte no exterior de forma anônima.

Isso aconteceu em abril de 2002, quando o empresário do atleta, o mineiro Roberto Tibúrcio, o levou para o sueco Örgryte IS, de Gotemburgo. Profissionalizado em 2001, Afonso disputou apenas seis jogos pelo Galo, sempre entrando no segundo tempo.

Antes, em 2000, às vésperas de completar 19 anos, Afonso foi emprestado para o Valeriodoce Esporte Clube no contexto de uma parceira firmada entre o Atlético e o clube de Itabira, terra do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. E foi pelo simpático Valério, no Estádio Israel Pinheiro, que Afonso marcou o seu único gol como profissional no Brasil. Afonso disputou apenas cinco jogos pelo Valério e voltou para Belo Horizonte. A partir da transferência para a Suécia, o futebol do goleador desabrochou. Bastaram duas temporadas no modesto Örgryte IS para que o Malmö FF adquirisse os seus direitos federativos e econômicos junto ao Atlético. Em dezembro de 2003, o Malmö FF pagou US$1.200.000 e ficou com o craque, na maior transação interna do futebol sueco até então. Logo no primeiro Campeonato Sueco da Primeira Divisão, o denominado Allvenskan, disputado pelo novo time, Afonso foi vice-artilheiro com 12 gols e levou o troféu Bola de Ouro, promoção o jornal Aftonblader, como o melhor jogador da temporada.

Afonso foi fundamental na campanha que consagrou o Malmö FF campeão sueco depois de 15 anos de jejum. Em 2005, o brasileiro manteve o ímpeto e foi novamente vice-artilheiro do Allvenskan com 14 gols. Em junho de 2006, o Heerenveen pagou 4.400.000 de euros e contratou Afonso. Daí para frente, o jogador não parou de balançar as redes adversárias, quebrando recordes e inscrevendo o seu nome na galeria dos grandes craques mundiais.

Seleção não é novidade
Ainda jovem, o mineiro de Belo Horizonte, morador por muitos anos do Bairro Instituto Agronômico, foi convocado diversas vezes para defender as categorias Sub-17 e Sub-20 do selecionado nacional. A partir de agora, com a camisa da Seleção Brasileira principal, o céu será o limite para a arte de Afonso Alves Martins Júnior.