Uma semana para o Bugre contratar supervisor; e Dorival Geraldo dos Santos dando sopa

Cartolas foram buscar Luiz Simplício, ex-Mogi Mirim

Na longínqua década de 70, meu mestre de jornalismo Eduardo Mattos guardava os originais dos textos dos repórteres para posteriormente compará-los com o material editado e publicado.

Aí mostrava e explicava porque suprimiu citações típicas de reapresentação dos jogadores, treinos físicos e declarações óbvias do entrevistado, que não acrescentavam absolutamente nada.

Aí fico imaginando como Mattos se comportaria como receptor de informações subjetivas e repetidas durante todos os dias da semana de que o Guarani pretendia contratar um coordenador de futebol, como se isso fosse o fato mais relevante no clube.

Gente, foi superdimensionada a proposta do Guarani de contratar um coordenador do futebol, e os indecisos cartolas reiteravam que até o final de semana divulgariam o nome do dito cujo.

E anunciaram Luiz Simplício, que até recentemente estava no Mogi Mirim, que de fato ajudou na descoberta de alguns jogadores.

E aí enfeitaram o pavão pra anunciar um coordenador de futebol. E como!

O que não faz um bom marketing hoje em dia? Como o bom discurso em nome da modernidade influencia?

Você pode contra-argumentar que embora o coordenador de futebol não faça gols ajuda a fazê-los contratando jogadores bons e baratos. Que o trabalho dele pode ser decisivo na montagem de uma equipe competitiva, boa e barata, explorando o vasto conhecimento no mercado de futebol.

Não duvido. Pode até ser. Também argumento que, como o Guarani está devendo até as calças, o recomendável seria recorrer à outra situação boa, barata e caseira.

TELEFONEMA

Bastaria um telefonema para o antigo supervisor Dorival Geraldo dos Santos e pronto. Por menos de ‘cinquinho’ – cinco mil reais por mês – provavelmente Dori percorreria algumas quadras de sua casa – no Jardim Proença – ao Estádio Brinco de Ouro, e arregaçaria as mangas para o trabalho.

E não venham com contra-argumentação de que a idade de Dorival é avançada, que ele é da escola antiga do futebol, e que não acompanhou a modernidade porque não cola.

Dorival é ‘avião’ na questão bastidores. Ensinaria os principiantes cartolas do Guarani como se faz futebol buscando o jogador bom e barato.

Aposto que Dorival puxaria de imediato seu amigo e ferrenho bugrino Sidnei Pavan, ou até mesmo o dentista Henrique Smânio para participarem da equipe. E ambos como voluntários.

Com certeza o trio sabe distinguir o jogador bom do grosso. Fica a incerteza do chamado jogador ‘mais ou menos’, que engana até expert no assunto.

Com certeza Dorival Geraldo dos Santos não deixaria que contratassem uma leva de jogadores ‘meia colher’, como ocorreu neste Campeonato Brasileiro da Série B.