Um Neymar só não faz verão na Copa do Mundo e não existe seleção campeã só de um craque

Outros, mais comedidos, comemoraram a goleada, mas basta um minuto de reflexão para entender que vencer em amistoso acrescenta pouco, quase nada.

Postura bem diferente dos nossos jogadores transnacionais que na última Copa do Mundo choraram como bebês de madame na hora em que tivemos que decidir.

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“Treino é treino, jogo é jogo”, dizia Didi, aquele deus que, ao levarmos o gol da Suécia em 1958, pegou a bola dentro do gol, colocou-a debaixo do braço e disse:

“Isso não é nada. Vamos virar e ganhar”.

Didi dá o ombro para o menino Pelé, com 17 anos em 1958 na Suécia

Didi dá o ombro para o menino Pelé, com 17 anos em 1958 na Suécia

Postura bem diferente dos nossos jogadores transnacionais que na última Copa do Mundo choraram como bebês de madame na hora em que tivemos que decidir.

Não se faz mais jogadores como antigamente. Tem razão Murici Ramalho: tem muita gente que não tem futebol na veia, por isso, o pessoal treme e, como consequência, transformamos muita gente em torcedores bipolares. Se a seleção ganha, mesmo contra pernas de pau, como aqueles gringos de Tio Sam, no último amistoso – que na verdade foi um treino de luxo, nada mais do que isso, vamos às nuvens.

São da confraria dos Pachecos do futebol. Outros, mais comedidos, comemoraram a goleada, mas basta um minuto de reflexão para entender que vencer em amistoso acrescenta pouco, quase nada.

Mais do que isso e é bom avisar: temos Neymar e o que mais? E quando Neymar não resolver como é que fica? Na Copa, ainda que tenha acontecido aquele acidente, ele somou mais na coluna de débito do que somou na coluna de crédito pelo futebol que tem e a marquetagem que faz. Na Copa América, preocupado com sua vida de astro, perdeu a cabeça e a seleção decepcionou.

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Temos uma seleção de transnacionais. Temos passaportes azuis, mas não temos identidade com o futebol que ganhou cinco copas. Por enquanto, até agora, a nossa carta de crédito ou a nossa salvação é Neimar. Mas só ele resolve?

Não existe seleção campeã só de um craque. Messi não fez a Argentina campeã. Ganhou em 2014 quem tinha os melhores jogadores e mais estrutura tática e uma técnica apurada dentro do campo. Outro dia, Ozil, se não me falha a memória, explicou o sucesso, e quem sabe um futuro de novas conquistas da Alemanha, com o seguinte argumento:

“A Alemanha formou uma base. Temos três jogadores de bom nível em cada posição”.

Claro que esse fato não quer dizer que a Alemanha pode mandar fazer todas as faixas em copas futuras. Em 82, com Telê Santana, tínhamos uma grande seleção. Fomos no embalo daquela estupidez de seleção das galáxias e voltamos mais cedo para casa. Tínhamos mais time do que a Itália? Claro que sim. Mas não basta ser melhor, como dizia Rinus Mitchels, porque nem sempre o melhor chega ao pódium. A Holanda também é prova disso.

Mas também é verdade que só com um fora de série é mais difícil ganhar uma Copa. Em 94, Parreira não teve complexo, nem pudor, ao jogar na defesa ao usar o prussiano Dunga como pit-bul na cabeça de área. É que lá na frente, Romário e Bebeto, resolveram tudo e lustramos a taça na marca de cal (decisão por penais).

Em 2002, Dunga era outro Scolari. Armou a defesa com três zagueiros, mas tínhamos um bom meio de campo, mais Ronaldo e Rivaldo. Assim, beijamos a taça.

Hoje quais são os atores que temos para atravessarmos o deserto da classificação para tentarmos uma Copa que a gente não ganha desde 2002? É só Neymar. Um Neymar só não faz verão.

Faltam dois anos e pouco até a Rússia. Até lá temos que nos curar nas cinzas de nossa incompetência e nos livrarmos da bipolaridade que nos vitimou com o trauma dos 7 x 1, causados pelos soldados inteligentes e competentes de dona Angela Merkel. Precisamos de falcões. Só Neymar não fará verão em 2018.

P I X U L E C O S

1 – Dissemos aqui, bem antes, que faltava muita coisa para o término das obras do Itaquerão. Conversamos com uma alta autoridade da Prefeitura que nos revelou que seriam necessários mais uns 50 milhões de reais para deixar o estádio um luxo. Ninguém contestou, publicamente, esta informação.

2 – Agora, o pessoal do Parque São Jorge recorreu a um engenheiro que apontou muita coisa para ser feita. Não se falou em dinheiro. A construtora explicou que sua parte, na finalização das obras é pequena. Criou-se um impasse. Quem vai negociar com quem? Afinal, o presidente da empresa está preso na Lava-jato e o homem que mexia com as obras do Itaquerão – Alexandrino Alencar – é hóspede, junto com o patrão, na cadeia de Curitiba. E tem gente que foge de Alexandrino Alencar mais do que o diabo da cruz…

3 – Danilo saiu do Santos a preço de banana. O Santos ficou com uma merreca. O jogador está no Real Madri e custou 106 milhões de reais. Quem ganhou? O Santos? Os empresários, sim! Os defensores da Lei Pelé têm alguma coisa a dizer? Ou fizeram uma lei só para explorar o futebol brasileiro e ajudar o futebol europeu?