Uefa pede reformas na Fifa, enquanto Infantino ganha apoio da África

Futuro do dirigente italiano na presidência da entidade ganhou novos capítulos nesta quinta-feira

Uefa e suas associações nacionais defenderam uma ampla reforma na entidade e afirmaram ter perdido a confiança na atual liderança

Gianni Infantino (Foto: Divulgação-Fifa)

Campinas, SP, 08 – O futuro de Gianni Infantino na presidência da Fifa ganhou novos capítulos nesta quinta-feira, 8.

Enquanto a Uefa e suas associações nacionais defenderam uma ampla reforma na entidade e afirmaram ter perdido a confiança na atual liderança, a Confederação Africana de Futebol (CAF) declarou apoio unânime e incondicional à reeleição do dirigente.

Durante uma reunião em Berlim, na Alemanha, Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, confirmou que será candidato a um novo mandato à frente da entidade europeia.

Ceferin anunciou que aceitou o pedido das 55 associações nacionais e disputará um último mandato na eleição marcada para abril de 2027.

ENTENDA

O encontro, porém, também teve como pauta o futuro da governança e da liderança da Fifa. Com exceção do Azerbaijão, as demais federações europeias concordaram com uma proposta para a reforma da entidade máxima do futebol mundial.

Após defender mudanças nos últimos meses, a Uefa afirmou que perdeu a confiança na atual liderança da Fifa. Para a confederação, uma reforma institucional, sozinha, não seria suficiente para solucionar os problemas apontados.

SAIBA MAIS

No documento divulgado após a reunião em Berlim, a Uefa defendeu que a entidade máxima do futebol tenha uma nova liderança, descrita como uma figura respeitada e capaz de unir diferentes regiões, profundamente ligada ao futebol e com experiência para conduzir a entidade.

A entidade também destacou que o próximo líder deve demonstrar compromisso com desenvolvimento, reforma, integridade e independência. Entre as propostas aprovadas pelas associações europeias está uma mudança na estrutura de governança da instituição.

Elas defendem a separação de poderes entre Congresso, Conselho, Bureau, presidente e secretário-geral, com responsabilidades e processos de decisão mais claros e transparentes.

DETALHES

A Uefa ainda pede que as decisões importantes tenham maior supervisão e que nenhum indivíduo possa ultrapassar as atribuições dos demais órgãos.

Na área financeira, a confederação europeia defende que os recursos destinados ao desenvolvimento sejam protegidos e direcionados às associações-membro e ao futebol.

CAF declara apoio a Infantino

Enquanto a entidade europeia apresentou uma agenda de reformas e defendeu uma mudança na liderança da Fifa, a CAF tomou posição oposta. Durante a Conferência Estratégica da instituição africana, realizada entre os dias 7 e 9 de outubro em Santa Maria, na ilha do Sal, em Cabo Verde, as 54 associações nacionais do continente declararam apoio unânime e incondicional à reeleição de Gianni Infantino.

O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, anunciou a decisão durante o evento, que contou com a presença do próprio Infantino. Segundo o dirigente, a posição foi tomada de forma unânime pelos membros que integram a confederação.

Motsepe também agradeceu publicamente a Infantino pelo trabalho desenvolvido em favor do futebol africano e reiterou que o apoio vem “por tudo o que faz pelo futebol africano”.

Veja as propostas de reforma para a Fifa exigida pela Uefa

1. Governança institucional

Separação de poderes:

O Congresso, o Conselho, o Bureau (composto pelo presidente da Fifa e pelos seis presidentes das confederações, o presidente e o secretário-geral exercem suas próprias atribuições. Nenhum indivíduo pode ultrapassar as funções de outro. As responsabilidades e os processos de tomada de decisão devem ser claros e transparentes.

Um Bureau fortalecido:

O Bureau da Fifa exerce poderes executivos definidos, garantindo que as decisões reflitam o equilíbrio global do futebol.

Um Conselho da Fifa reforçado:

Define a direção da Fifa, envolve as principais partes interessadas e estrutura as principais propostas antes que os compromissos sejam assumidos.

Comitês adequados às necessidades:

Os comitês devem ser simplificados para garantir uma finalidade clara e agregar valor.

Um presidente que lidera, não administra:

O presidente preside o Conselho, representa a Fifa globalmente e exerce a liderança sem desempenhar funções administrativas.

Um secretário-geral responsável:

Nomeado e supervisionado pelo Bureau, o secretário-geral administra a Fifa sob a supervisão do Conselho.

2. Tomada de decisões, supervisão e responsabilização

Ética, disciplina, auditoria e conformidade fortalecidas:

As nomeações e o trabalho dos órgãos de supervisão da Fifa devem ser protegidos contra interferências presidenciais ou executivas.

Nenhuma decisão unilateral sobre o Calendário Internacional de Jogos e as competições da Fifa:

Mudanças no Calendário Internacional de Jogos e nas competições da Fifa, sejam novas ou já existentes, exigem unanimidade do Bureau.

Direito das associações-membro de apresentar questões ao Conselho da Fifa:

Um número definido de associações-membro poderá exigir que uma questão seja incluída na agenda do Conselho da Fifa.

Um processo claro para decisões importantes:

Consulta ? Bureau ? Conselho ? Decisão. As principais propostas devem seguir cada etapa necessária antes que uma decisão seja tomada.

3. Desenvolvimento e recursos da Fifa

Apoio ao desenvolvimento liderado pelas associações-membro:

Cada associação-membro define suas necessidades junto à sua Confederação. A Fifa fornece o financiamento, enquanto as Confederações apoiam a execução.

Financiamento do Fifa Forward como direito protegido das associações-membro:

Toda associação-membro que cumprir os requisitos terá direito à sua parcela do programa Forward, por meio de uma estrutura de distribuição transparente e protegida contra interferências políticas.

Política e liberação das reservas da Fifa:

Uma política formal e transparente deverá regulamentar o nível, o investimento e a utilização das reservas financeiras da Fifa, com pelo menos US$ 10 milhões em financiamento adicional para cada associação-membro, além dos recursos do Forward.

Recursos da Fifa para fins da Fifa:

Nenhum recurso da Fifa poderá ser utilizado para interesses pessoais ou eleitorais.