Trabalho de Carpeggiani cria expectativa positiva na Ponte Preta

Treinador mexe na estrutura de sua equipe

Observei na seção de comentários rasgados elogios ao treinador da Ponte Preta, Paulo César Carpeggiani, pela conduta durante a vitória sobre o Santos por 1 a 0 na noite de sábado.

O parceiro Márcio o elegeu como melhor em campo. Paulo Giolo e Marcelo citaram que o treinador mexeu no time com coragem. Serjão, sempre presente com ácidos comentários e boa dose de espiritualidade, comparou os três últimos treinadores da Ponte e ironicamente definiu o antecessor de Carpeggiani como ‘Guteimoso Ferreira’.

Dizer que Carpeggiani é um treinador rodado e experiente é chover no molhado. Todavia, agora temos chance de avaliá-lo criteriosamente, e minha expectativa é que eu possa aprender um pouco mais de futebol ao observá-lo, até porque Gilson Kleina e Guto Ferreira não me ensinaram absolutamente nada.

Como bem disse o parceiro Cabeça, Kleina é um tremendo formador de grupo e tem relacionamento cordial com a imprensa.

Isso é válido, mas é pouco. Esse negócio de grupo unido e fechado é relativo. Profissional de qualquer tipo de atividade não precisa se relacionar cordialmente num mesmo ambiente de trabalho. O importante é todos sejam cônscios das obrigações e as cumpram. E se não cumprirem, hierarquicamente têm que ser punidos.

Na Ponte, o principal mérito de Guto Ferreira foi dar prosseguimento a uma estrutura de forte marcação adotada por Kleina, com mínimo possível de variações. Teve validade, igualmente, a aposta no zagueiro Cléber.

Carpeggiani? Acertou e errou na partida diante do Santos. Errou ao escalar mal o time. O atacante Everton Santos não tinha as mínimas credenciais para ser escalado como titular, com base nas decepcionantes atuações em partidas anteriores. Logo, o erro foi consertado no intervalo com a substituição do atacante pelo meia Geovani.

Convenhamos que mestre ‘Carpa’ teve a devida percepção que daria para bancar um lateral-direito com mais atrevimento do jogo ofensivo de que Artur, sem que isso representasse risco defensivo. Daí a validade da entrada do peruano Luis Advincula.

UENDEL

Espera-se também que ‘Carpa’ encoraje o lateral-esquerdo Uendel a trabalhar a bola no chão mesmo marcado. Da mesma forma deve encaixar um meia que dite o ritmo do time , assim como se projeta coordenação alternada de Ramirez e Chiquinho na saía ao ataque, para que um deles esteja sempre posicionado como segundo volante. Afinal, o setor não pode ficar desguarnecido.

Méritos totais ao mestre ‘Carpa’ ao definir um jogador hábil e de velocidade como Rildo para ser exclusivamente marcado, e não voltar pra marcar. Assim, a tendência natural é que o centroavante William seja mais abastecido de bola.