Torcidas e a emboscada da morte
Mais um acontecimento trágico envolvendo marginais covardes escondidos sob o emblema de um clube mancha o nosso futebol
Quando ouvi a notícia eu juro que não acreditei. Como é possível um grupo de torcedores fazer uma emboscada na estrada contra uma outra torcida?
Quando ouvi a notícia eu juro que não acreditei. Como é possível um grupo de torcedores fazer uma emboscada na estrada contra uma outra torcida? Como é possível que, deliberadamente, premeditadamente, esse grupo de homens possa munir-se de paus, pedras, barras de cano e partir pra cima de um outro grupo de homens com a completa intenção de ferir, quebrar, matar… por causa do futebol?
Eu, muitos outros cronistas e jornalistas já refletimos em nossos artigos e notícias, mil vezes, sobre a real necessidade de se banir do esporte a existência dessas torcidas organizadas. Dessa vez, segundo o noticiário, foi a Mancha Verde que preparou essa emboscada para participantes da Torcida Jovem do Santos, em plena Rodovia Anchieta. Um torcedor morreu e outros ficaram feridos em um atropelamento. Outros feriram-se na batalha que virou o encontro das torcidas.

A mancha que deixa esse episódio não é verde. É uma mancha vermelha, de sangue e vergonha, que precisa ficar estampada por muito tempo na memória coletiva para que, de uma vez por todas, as autoridades e clubes se unam para eliminar essa coisa chamada torcida organizada. Em grande parte dos casos trata-se muito mais de crime organizado. É evidente que esses grupos abrigam gente inclassificável e desprovida da menor possibilidade de convivência social.
Há muito que não vou a estádios. Logo eu, que fui um inveterado apreciador do jogo ao vivo, com amendoim e picolé. Tenho dois filhos e nunca os levei a um estádio. De certa forma, acho sempre que o estádio de futebol se tornou um local de alta periculosidade. As imediações idem. Não me sinto mais seguro. Os bandidos estão à solta aguardando a alma descuidada na rua pouco movimentada ou na rodovia que dá acesso ao espetáculo. Evito essa zona de risco.
Durante a última Copa do Mundo no Brasil vimos um outro filme. Com muita segurança dentro e fora dos estádios – tudo Padrão Fifa – pudemos acompanhar torcedores adversários brincando, se abraçando, curtindo a festa e o espetáculo. Famílias chegando ao estádio, crianças, mães, avós sendo respeitados. Mas tudo não passou de um sonho bom, onde não existiam torcidas organizadas transbordando marginalidade e ódio. Logo voltamos ao antigo pesadelo – padrão CBF – que continua nos negando a segurança e o prazer de ir aos estádios, nosso constitucional e sagrado direito de ir e vir.
A equação parece simples: ou acabamos com essas torcidas – que crescem feito câncer sobre a pele do esporte – ou esse câncer acaba com o futebol. Até porque, essa pústula tem outros ajudantes na missão de exterminar com o que restou de saudável no nosso glorioso esporte bretão, a começar por uma corja de dirigentes gananciosos, perversos e inescrupulosos dirigentes que são ainda mais nefastos que esses torcedores criminosos.
É realmente um milagre que algo de bom sobreviva a esse quadro sombrio. A goleada que estamos sofrendo diante desses vermes todos é muito maior de que um raso 7 a 1.





































































































































