Torcida organizada encerra atividades após criação da SAF do Juventus
Grupo mais simbólico da torcida juventina anuncia fim após o clube da Mooca concluir transformação em SAF e entregar o futebol à iniciativa privada.
São Paulo, SP, 03 (AFI) – O Clube Atlético Juventus vive uma das mudanças mais profundas de sua história. Após décadas de crises e debates internos, o clube da Mooca concluiu oficialmente, na última sexta-feira (31), o processo de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A decisão encerra o modelo associativo e transfere o controle do departamento de futebol a investidores privados.
Mas o novo capítulo do Moleque Travesso veio acompanhado de uma despedida marcante: a torcida organizada Setor 2, símbolo de resistência e identidade juventina, anunciou o fim de suas atividades.
“O JUVENTUS FOI ENTREGUE”, DIZ NOTA DO GRUPO
Em comunicado publicado nas redes sociais, o Setor 2 declarou que o clube “foi entregue” e que o novo modelo rompe definitivamente com sua essência popular.
“A partir de agora, o ‘Juventus’ tem formalmente um dono, e este dono não é sua gente, torcedores e associados. O Setor 2 não fará parte desta autodeclarada ‘nova fase’. O Juventus que defendemos acabou, assim, não há por que seguir.”
TORCIDA QUE RECONSTRUIU A IDENTIDADE JUVENTINA
Fundado há quase duas décadas, o Setor 2 nasceu em um momento de afastamento entre o clube e sua comunidade. O grupo se consolidou como um movimento cultural e político nas arquibancadas da Rua Javari, resgatando o orgulho juventino e a presença popular nas partidas.
“Nos piores momentos da história do nosso futebol, conseguimos fazer nascer um movimento que deu ao Juventus algo inédito: uma massa de torcedores que deixou no passado os velhos jargões do ‘clube de bairro’”, cita outro trecho da nota.
RUPTURA ENTRE CLUBE E BASE SOCIAL
Na despedida, o grupo critica o que chamou de “cultura de desprezo” ao futebol juventino, apontando que o modelo empresarial representa o rompimento definitivo com a base social.
“A SAF transforma a identidade do clube em mera estética explorável e o futebol em produto”, diz o texto.
O comunicado encerra com uma mensagem de resistência:
“Somos compostos por uma massa de juventinos que, a partir de agora, segue cada um à sua forma, fora da centralidade do que construíamos na torcida. Aos que cavaram essa cova, nunca serão esquecidos como os responsáveis pelo fim de nossa história centenária.”
Com a SAF oficialmente implantada, o Juventus da Mooca inicia uma nova fase administrativa e esportiva — enquanto a arquibancada se despede de uma das vozes mais marcantes de sua história.





































































































































