Torcida do Afogados encara viagem de quase 14 horas por 'sonho' na Copa do Brasil

Coruja mede forças com a Ponte Preta nesta quinta-feira, às 19h15, no Estádio Moisés Lucarelli

Coruja mede forças com a Ponte Preta nesta quinta-feira, às 19h15, no Estádio Moisés Lucarelli

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Afogados da Ingazeira, PE, 12 (AFI) – Nem nos melhores sonhos possíveis o torcedor do Afogados da Ingazeira poderia imaginar um início de 2020 tão agitado, cheio de novidades e, claro, inesquecível.

Afinal, o time do interior pernambucano, fundado em 18 de dezembro de 2013 e já presença na elite do Campeonato Pernambucano, fez o que poucos acreditavam, desbancou o favorito Atlético-MG, embolsou R$ 1,5 milhão e escreveu um dos capítulos mais memoráveis da história da Copa do Brasil.

Nesta quinta-feira, a Coruja tenta escrever mais uma página, desta vez longe do Estádio Valdemar Viana de Araújo, transformado num caldeirão para avançar em duas fases do mata-mata.

A partir das 19h15, a equipe dirigida por Pedro Manta mede forças com a Ponte Preta, prestes a completar 120 anos de função e agremiação mais antiga em atividade no futebol brasileiro, de olho em vaga na quarta fase e na premiação de R$ 2 milhões.

EPOPEIA

Pelo sonho de ver o Afogados em campo pela primeira vez fora de Pernambuco, um grupo de torcedores se organizou para viajar até Campinas, palco do confronto pela Copa do Brasil.

Os apaixonados deixaram o Sertão por volta das 20h30 de quarta-feira, de carro, com destino a Recife.

No trajeto de 380 quilômetros até a capital, alternado entre pista dupla e pista simples, muita resenha, alegria e, claro, a emoção de vivenciar uma história ímpar.

Pernambucanos comemoram chegada ao Aeroporto de Viracopos

Pernambucanos comemoram chegada ao Aeroporto de Viracopos

O voo do Aeroporto Internacional do Recife-Guararapes / Gilberto Freyre com destino a Campinas foi autorizado às 3h40, mas com conexão no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, até aterrissar em Viracopos, na cidade de Campinas, por volta das 9h40 desta quinta-feira.

“Eu sou até suspeito falar. Da torcida, eu sou o único que não sou pernambucano. Sou natural de Duque de Caxias. Minha esposa abandonou os estudos e fomos para Afogados. Lá tem um povo muito receptivo. Ele te abraça de uma forma que nem uma família faz. Peguei um amor sem medidas ao clube”, declarou Rogério Guimarães, de 39 anos, em entrevista ao Portal Futebol Interior.

“Desde a fundação, compareço em todos os jogos. Na partida de fundação, em 2014, havia três torcedores na arquibancada e estive presente. Foi contra o Altinho, mas aconteceu em Belo Jardim, na Série A2 do Pernambucano. Vitória de 2 a 0 para nós. Inesquecível. Fui para torcer, mas uma emissora local de rádio estava sem o comentarista, que não pôde ir ao jogo. Aconteceu um imprevisto e fui convidado para comentar”, continuou o empresário.

“Eu tive de passar a emoção da jogada, imagina ai? Fui elogiado depois e deu tudo certo. Fiquei nervoso, naturalmente. Fui para assistir e acabei sendo comentarista. Uma experiência inesquecível. É muito amor ao clube. Você não imagina o que nós abdicamos para estar aqui em Campinas: família, trabalho e muito mais. Tem que amar”, completou.

SAIBA MAIS

Outra personalidade com presença garantida no Estádio Moisés Lucarelli, palco da partida histórica ao Afogados da Ingazeira, é Edgar Santos, conselheiro, um dos fundadores e atual Secretário de Esportes, Cultura e Turismo do município.

Apaixonado pela Coruja, o professor de Educação Física, explica sua participação no processo de nascimento do clube.

“Participei da fundação do clube, há seis anos, quando nos reunimos. O grupo tinha dez pessoas. Fomos os responsáveis por decidir nome, mascote e cores. O projeto era arrecadar o valor de R$ 345 mil para inscrição do Afogados na Federação Pernambucana de Futebol. Fizemos bingos, sorteios e arrecadamos patrocínios para, no ano seguinte, participar da Série A2”, relembrou.

“O que me motivou a viajar a Campinas, primeiro, é o momento histórico. Eu fiz parte da formação. Fiz parte do jogo que deu acesso à elite pernambucano, que deu acesso à Copa do Brasil e da vitória em cima do Atlético-MG. Como sou Secretário Municipal de Esportes, estou mais envolvido para ajudar na logística e na questão do campo, que é de propriedade do município.

E O CT?

Com classificação em cima do Galo, o Afogados recebeu R$ 1,5 milhão em premiação por parte da CBF. Com mais de R$ 2 milhões arrecadados na Copa do Brasil, clube pernambucano tem como, objetivo inicial, construir o Centro de Treinamento.

Selfie da torcida antes do embarque para Campinas

Selfie da torcida antes do embarque para Campinas

“Isso está sendo conversado. É um sonho que todos os clubes têm. Com o Afogados, não é diferente. Há aquela coisa da vontade até transformar na realidade. Ainda há muito tempo de discussão. Não encontramos um terreno estruturado. Conselho e diretoria não sentou para discutir melhor. Há muitos proprietários de empresários que querem doar o lote para construirmos o CT. É momento de debater com calma para ver qual o melhor formato e o melhor momento. Até pela sequência intensa de jogos entre Pernambucano e Copa do Brasil, está difícil. Nós já marcamos duas reuniões, mas não deu certo por questão de agenda”, declarou.

“Nós já fomos além do que esperávamos. Chegar à terceira fase, passar pelo Atlético, por toda limitação que o time tem… é claro que ficaríamos triste em caso de eliminação, até pelo momento que a Ponte vem passando. É o time mais velho em atividade no país. Você colocar um time em campo e que está começando a andar contra a Ponte, com 120 anos… já estamos satisfeito de ter essa oportunidade”, celebrou Santos.

“Jogar em cenário nacional e no estado de São Paulo é um privilégio. É o que nos motivou viajar para cá. Deixei o serviço bem adiantado. Estou com filha de quatro meses em casa e uma menina de 13 anos. Sou o único homem de casa. A minha esposa, porém, compreende tudo isso e sabe da importância do jogo. É o nosso primeiro fora de Pernambuco. Todo contexto nos trouxe até Campinas. Nós sonhávamos em participar da Copa do Brasil e jogar contra os três grandes da capital. Conseguimos. Agora esperamos passar e jogar contra um Vasco, no Maracanã. A história do Afogados continua sendo feita. Estamos confiante”, completou.