Torcedores da Ponte Preta são condenados a 19 anos de prisão pela morte de bugrino
Outro julgamento está marcado para o dia 13 de novembro, com outros três torcedores acusados do crime
Em um julgamento que começou às 10 horas da manhã e terminou só a meia noite da última terça-feira, quatro torcedores da Ponte Preta foram condenados
Campinas, SP, 24 (AFI) – Em um julgamento que começou às 10 horas da manhã e terminou só a meia noite da última terça-feira, quatro torcedores da Ponte Preta foram condenados em primeira instância a 19 anos de prisão pela morte de Anderson Ferreira, de 28 anos, torcedor do Guarani. O crime aconteceu em 2012 após um dérbi das categorias de base no Brinco de Ouro, em Campinas. O advogado dos réus já adiantou que vai recorrer da decisão.
A decisão foi tomada em júri popular e a pena aplicada por José Henrique Rodrigues Torres, da 1.ª Vara de Júri de Campinas. A condenação é por homicídio qualificado e com requintes de crueldade, sem chances de defesa para a vítima. É um crime hediondo, no qual os réus precisam cumprir dois terços da pena – 12 anos – em regime fechado, ou seja, sem o benefício do regime semiaberto – sair de dia e dormir de noite na prisão.
EXEMPLO DA JUSTIÇA
Para o promotor Luis Buratto, a punição serve de exemplo para “coibir a violência descabida entre torcedores de futebol que, muitas vezes, se juntam em grupos para cometer delitos e até crimes”.
O crime aconteceu no final de tarde do dia 15 de março de 2012. Anderson Ferreira estava no estádio para acompanhar dois ‘derbinhos’ entre os times Sub-15 e Sub-17 dos rivais de Campinas. Após o jogo, o torcedor do Guarani foi agredido por pedras e barras de ferro próximo da Avenida Ayrton Senna – que separa os dois estádios, Majestoso e Brinco de Ouro – e precisou internado em estado grave no Hospital Mário Gatti,
A vítima sofreu várias lesões corporais e traumatismo craniano, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte cerebral confirmada no dia 18, após três dias.
PUNIÇÃO DURA
Rodrigo de Aguiar Lopes, Jesserson Nery da Silva, Paulo Henrique de Souza Pires Sigoli e Valdir Bajano Junior foram condenados a 19 anos de prisão em regime fechado. Como a condenação é em primeira instância, os réus podem recorrer da decisão em liberdade.
Mas como se trata de um crime hediondo, os réus terão que cumprir 2/3 da pena, ou seja, 12 anos de prisão sem direito ao regime semiaberto – com direito a sair durante o dia e dormir à noite na prisão.
NÃO HÁ PROVAS
O advogado Cléber Ruy Salerno, que representa Aguiar, Júnior e Silva, falou com o Portal Futebol Interior:

“Entendemos que a decisão não condiz com a justiça. Não há provas contras os réus. Todas as provas anexadas nos autos são testemunhas. Só que as testemunhas de acusação eram todos torcedores do Guarani, inclusive ex-presidentes de torcida organizada, enquanto nós trouxemos provas idôneas, imparciais.
A decisão dos jurados não foi unânime, podemos dizer que foi páreo a páreo, então só aumenta nossa convicção de recorrer da decisão. Não há provas contra os réus”, concluiu o advogado.
Outro julgamento está marcado para o dia 13 de novembro, com outros três torcedores da Ponte Preta acusados de participar do mesmo crime.
Eles podem começar a temer, porque parece que o recado foi dado pela sentença: lugar de torcedor é na arquibancada, de criminoso é na cadeia.





































































































































