Timão sai como vítima na parceria com MSI. É mole?

Eles fizeram um histórico das investigações sobre a parceria, que incluíram 18 meses de escutas telefônicas e quebra de sigilo bancário de dirigentes do Corinthians, do russo Boris Beresovski e dos iranianos Kia Joarabchian e Nojan Bedroud.

São Paulo, SP, 20 (AFI) – Atendendo sugestão do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara promoveu nesta quinta-feira mais uma audiência pública para esclarecer a denúncia de suposto crime de lavagem de dinheiro praticado pela parceria Corinthians/MSI (Media Sports Investment). Participaram dos debates o promotor José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo; e os procuradores da República de São Paulo Silvio Luis Martins de Oliveira e Rodrigo de Grandis.

Os depoentes, nas diversas respostas que deram às indagações formuladas, principalmente por Silvio Torres, deixaram bem definido que a instituição Corinthians foi a maior vítima da parceria que se foi firmada com a MSI. Por trás estava o russo Boris, exilado na Inglaterra e condenado a 20 anos de prisão em seu país, sob a acusação de lavagem de dinheiro. Ele é procurado pela Interpol por crimes de desvios de recursos públicos na Rússia e agora, no Brasil, por crime de lavagem de dinheiro.

O russo queria validar o asilo
Os dois procuradores e o promotor paulistas reafirmaram que Boris tinha por estratégia usar o Corinthians como porta de entrada no Brasil. Ele é asilado na Inglaterra sob a alegação de perseguição política em seu país, e pretendia estender seu asilo e seus obscuros negócios ao território brasileiro. Planejava investir em setores da infra-estrutura do país, como energia, mineração e aviação. O clube paulista seria apenas seu cartão de apresentação.

Outros clubes foram também citados para possíveis parcerias, entre eles o Flamengo, Palmeiras, Bragantino e o Ituano. Mas os entendimentos não prosperaram. Houve, inclusive, tentativas, com a intermediação de dirigentes corintianos, de aproximação a personalidades do Governo com o sentido de se criar condições para que o asilo de Boris Beresovski fosse reconhecido no Brasil. Entre essas pessoas foram citados José Dirceu e Gilberto de Carvalho, que na época trabalhavam no Palácio do Planalto. O Ministério da Justiça chegou a enviar ofício ao GAECO confirmando a existência de tais entendimentos, mas eles não foram levados avante, segundo os depoentes.

Os três esclareceram que toda a convicção que se tem sobre a periculosidade de Boris foi formada a partir de informações as quais foram transmitidas por autoridades do poder Judiciário da Rússia. Eles não só roubaram os cofres públicos daquele país, como também têm envolvimento em operações com o tráfico de armas e de outras da mesma origem espúria.Notas fiscais frias
O promotor José Reinaldo, a uma indagação do deputado Silvio Torres, afirmou que o Corinthians, além de ser vítima da estratégia de Beresovski, foi também vítima de uma possível sangria financeira, com a emissão de notas fiscais frias, emitidas por dirigente ligados a Roberto Dualib.

As investigações sobre esse caso estão em um estágio bem adiantado. Esclareceu, ainda, ao parlamentar tucano, que haverá investigação específica de eventual crime de evasão de divisas, caracterizado pelo pagamento de salários de jogadores no exterior. Entre os suspeitos estão os jogadores Ricardinho e Carlos Alberto.Silvio Torres informou que após o depoimento do delegado Protógenes, a Comissão se reunirá para decidir o que fazer com as informações e sugestões apresentadas nas três audiências públicas realizadas para debater o caso em que se envolveu o clube paulista.

Terceira audiência pública
Ainda por sugestão de Silvio Torres, a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, na próxima terça-feira vai ouvir o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiróz, o qual foi encarregado das investigações sobre o caso Corinthians/MSI.

“Certamente surgirão idéias para elaboração de propostas que visem ao aperfeiçoamento da legislação esportiva do país, sobretudo no que tange os relacionamentos entre patrocinadores e agentes, e venda de jogadores no exterior”, destacou Torres.