Tifanny tem vitória na Justiça para voltar a jogar vôlei

A transexual de 41 anos buscou na justiça uma liminar para continuar jogando até que ocorra uma decisão final sobre a polêmica.

Tifanny tem vitória na Justiça Comum para jogar vôlei. A CBV pode ser multada se impedir atleta de participar dos torneios.

Tifany - vôlei
Tifany consegue jogar com liminar. Foto Carolina Oliveira - Osasco

São Paulo, SP, 16 – Tifanny Abreu conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para jogar competições da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Ela havia sido excluída pelo órgão da lista de atletas do Osasco com inscrição deferida. Um pedido de revisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) já tinha sido negado.

A decisão na Justiça comum permite que a ponteira atue inclusive na noite desta sexta-feira, 16, pela Supercopa, contra o Praia Clube. A participação na Superliga Feminina 2026/27 também foi permitida. O movimento judicial foi feito por Tifanny, representada pelo advogado Luiz Fernando Novaes, após a negativa da Justiça Desportiva.

O magistrado Antonio Luiz da Fonseca Lucchese entendeu que a exclusão imediata prejudicaria a carreira de Tifanny e que manter a atuação da atleta não traz um cenário inédito ou grave. Ele enfatiza, contudo, o caráter temporário tanto do processo no STJD quanto do TJ-RJ.

“A manutenção, por algumas semanas, da situação reconhecida pela própria ré durante quase uma década é medida menos gravosa do que a exclusão imediata e definitiva da autora antes de qualquer pronunciamento exauriente, seja da Justiça Desportiva, seja deste Juízo”, escreveu o juiz.

LIMINAR PREVE MULTA

A liminar não anula a nova regra da CBV, anunciada em consonância com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e com a Federação Internacional de Vôlei (FIVB). A norma determina que a prática dos torneios da categoria feminina seja exclusiva para as atletas que possuem o sexo biológico feminino.

A decisão judicial determina multa de R$ 5 mil para a CBV por partida em que Tifanny seja impedida de jogar. Ainda é definido que a CBV não pode aplicar sanções ao Osasco, como W.O, perda de pontos ou multas, pela atuação da jogadora.

MUITOS TÍTULOS

Tifanny conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, única competição que teve liberação para jogar depois da implementação da nova regra pela CBV. Na última temporada, ela foi a única atleta transexual a participar da Superliga Feminina. A atleta concluiu a transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após receber permissão da FIVB.

Após passar pelo vôlei italiano, a oposta de 41 anos voltou ao Brasil e iniciou sua trajetória no Sesi-Bauru. Ela joga pelo Osasco desde 2021 e tem um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas, além de um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.

Tifanny - Rodrigo - vôlei
Tifanny virou ‘mulher’ aos 30 anos. Foto: reprodução

A HISTÓRIA DE TIFANNY

Tifanny Abreu iniciou a sua transição de género no final de 2012, completando o processo judicial e a mudança de nome e registo no final de 2016.

Sim, antes de realizar a transição, ela jogou profissionalmente em ligas masculinas de voleibol até aos 29 anos.

  • Carreira no masculino: Sob o nome de batismo e o apelido “Pará”, jogou em equipas masculinas da Superliga Brasileira (como o Juiz de Fora e o Foz do Iguaçu) e em campeonatos de países como Portugal, Espanha, França, Indonésia, Holanda e Bélgica.

  • Fase de transição: Curiosamente, entre 2012 e 2014, durante o início do tratamento hormonal na Europa, ela continuou a atuar temporariamente em equipas masculinas na Holanda e na Bélgica já com uma aparência feminina.

  • Estreia no feminino: Após afastar-se temporariamente das quadras para realizar as cirurgias de redesignação sexual e cumprir todas as metas de redução de testosterona exigidas pelo Comité Olímpico Internacional (COI), estreou-se no voleibol feminino em 2017. Primeiro jogou na Itália e, no final desse ano, foi contratada pelo Bauru, tornando-se a primeira mulher trans a atuar na Superliga Feminina em Portugal/Brasil.

Estadão Conteúdo