Técnico reafirma: "Só fico se o Paulista investir mais"

Jundiaí, SP, 08 (AFI) – O sentimento era de alívio. Após a vitória de 1 a 0 diante do Barueri e a conseqüente permanência do Paulista na Série A-1 do campeonato estadual e a conquista da vaga para o Campeonato Brasileiro da Série D, o técnico Giba se sentia mais tranqüilo na tarde de terça-feira.

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Após passar em Santos para resolver alguns problemas particulares, Giba conversou por mais de 30 minutos com o jornalista Marcel Capretz.

“O barco estava afundando, mas o leme sempre permaneceu seguro. Nós da comissão técnica e a diretoria do clube mantivemos uma postura muito segura e o Paulista não foi rebaixado. Não podíamos permitir que esse clube caísse no ano do centenário”, disse.

Confira os principais pontos da entrevista de Giba:

MARCEL CAPRETZ – Você teve mais dificuldades neste ano do que no ano passado, quando também assumiu o Paulista na sexta rodada?

GIBA – Quando eu cheguei no Paulista neste ano sabia que as dificuldades seriam maiores do que as que eu enfrentei no ano passado, mesmo sabendo que em 2008 o time estava em último lugar. A começar, pela formação do time. Só tínhamos o Alex Oliveira na armação das jogadas neste ano. E ele é canhoto. Pela direita não tinha ninguém. Sem falar que no ano passado havia uma liga maior, até pela base que foi mantida. Nós tínhamos um Rever, um Jairo, um Dema que já se conheciam. Quando terminava um jogo e nós vencíamos eles cantavam aquela musiquinha do He-Man. Neste ano, não tínhamos isso. É o preço que se paga por formar um time em cima da hora.

MC – As seguidas contusões no elenco te atrapalharam?

G – Tivemos muitos jogadores contundidos neste ano. Em um campeonato de 3 meses, se alguém fica fora por 15 dias, é complicado recuperar. No jogo contra o Botafogo, tivemos quatro atletas com torção de tornozelo. Jogadores como Ramalho e Alex Oliveira, que são importantíssimos, infelizmente se contundiram muito.

MC – Qual a real chance de você ficar no Paulista para o Campeonato Brasileiro da Série D?

G – A chance existe, mas precisamos conversar com o Campus Pelé, parceiro do clube. É necessário haver um investimento no time profissional. Como foi com a Lousano em meados da década de 90. Eles investiram no time de cima e na base. Revelaram grandes jogadores como o próprio Alex Oliveira, Tuta, Wilson, dentre outros, e ganharam dinheiro. Paralelamente a isso, o time profissional subiu de divisão e todos foram beneficiados. Com a Parmalat foi a mesma coisa. Revelamos Nenê, Marcinho, Artur e subimos para a Série A-1 do Campeonato Paulista e para a Série B do Campeonato Brasileiro…

MC – …você quer dizer que há exemplos concretos, aqui mesmo em Jundiaí, de que é possível investir na base e ter um time profissional competitivo.

G – Exatamente. Uma coisa caminha com a outra. Com uma equipe profissional forte você atrai mais garotos. Sem falar que a seleção natural é mais difícil e quando surge um bom valor na base ele não é logo alçado a condição de salvador da pátria.

MC – Mas você acredita mesmo que o Campus Pelé vá investir pesado na equipe profissional, sabendo que eles já gastaram mais de R$ 12 milhões e tiveram pouquíssimo retorno?

G – O objetivo de todo parceiro é ganhar dinheiro. Sei disso. E eu vou expor esse raciocínio de que um investimento agora no time profissional, renderia conseqüentemente lucro na frente. A vitrine tem que ser forte. O Paulista precisa voltar logo o quanto antes para o Campeonato Brasileiro da Série B. Sem falar que não seria tão caro, assim. Precisamos criar vínculo dos jogadores com o clube. É necessário firmar um contrato de um ano com os jogadores e garantir que eles disputem o campeonato estadual do ano que vem. Não adianta mais gastar pouco e em todo início de campeonato ter que formar um novo time.

MC – Alguém já te procurou para renovar o contrato?

G – O Pitico (vice-presidente) falou algo por cima sobre isso. Mas nem nos aprofundamos. O objetivo principal era evitar o rebaixamento.

MC – Você precisa de uma definição dos investimentos do parceiro até quando?

G – Não tem data certa. Nesta terça-feira nos reapresentamos e só agora começaremos a conversar com calma. Tenho sondagens de times do Campeonato Brasileiro da Série B, mas essas equipes ainda tem um tempo para se preparar. Gostaria de ficar no Paulista, mas quero um time competitivo na Série D.